A bipolaridade de “Homeland”

Nessa quarta temporada fica claro que não apenas Carrie sofre com essa doença...

Luide
Luide
30 de dezembro de 2014
 

Está acabado“. Foi essa frase que pensei ao final da terceira temporada de uma das melhores séries dos últimos anos. “Homeland” mostrou em suas temporadas iniciais até onde a criatividade dos roteiristas poderia ir. Unindo um texto incrível com excelentes atuações, tinha tudo pra ser mais uma obra prima da dramaturgia, porém com vida curta.

O plot era excelente, ousado. Mas todos sabiam que era impossível segurar por mais do que duas, no máximo três, temporadas a história do soldado convertido. Não deu outra: ao final do seu terceiro ato, a impressão que a série infelizmente não tinha mais o que oferecer bateu. Mas dai veio essa quarta temporada


Já no começo, era nítido que “Homeland” deixou o fantasma chamado Nicholas Brody pra trás. Levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Madura, a série buscou outros temas sem sair de sua vizinhança. Foi de fato uma surpresa e um tapa na cara de quem desconfiou (eu). Claire Danes não é apenas a melhor atriz em atividade na tv, mas também uma das melhores protagonistas que já tive o prazer de acompanhar.

Aliás, prazer mesmo é assistir a jornada de Carrie, e como suas emoções ainda decidem o rumo da série. Mas, infelizmente, além dela outras pessoas se mostraram bipolares esse ano: os roteiristas.

Um começo incrível, uma volta por cima pra qualquer fã esquecer dos problemas anteriores… tudo por pouco não jogado fora devido ao desfecho da temporada. O foco absurdamente forçado em Peter Quinn, a fim de criar um novo par romântico, acabou com o tom que a série tentou impor. A essa altura do campeonato, a última coisa que Carrie precisa é de um relacionamento. Ainda mais tão óbio.

Quinn é um bom coadjuvante, aliás, acho justo uma indicação ao Emmy. Porém seu envolvimento descensário com Carrie, em um momento que a série chegava ao auge, acabou com qualquer expectativa dessa temporada ser maior que a aclamada primeira. Simplesmente não conversava.

A bipolaridade é notável. “Homeland” parte para seu quinto ano mais uma vez com uma dúvida. Está na hora de reabilitação, assim como Carrie. Talvez uma internação forçada ajude… até o ano que vem!

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