Better Call Saul é um eterno “Casos de Família”, porém brilhante

Lantern (S03E10) review

Luide
Luide
22 de junho de 2017

Todo problema familiar é um problema mal resolvido. Aquela sensação que no próximo Natal, todos aqueles que trocaram farpas durante o ano irão se reconciliar, sempre cai por terra quando chega o próximo Natal. Na maioria das vezes essas discussões parecem não ter solução, mesmo que vez ou outra um sorriso aqui ou ali flerte com uma possível paz. Família é o porto seguro que a gente se agarra, mas quando esse porto fecha, é difícil voltar. É como se existisse uma maldição bíblica (Caim e Abel) que torna esse reconciliamento difícil e deliciado de ser feito.

Better Call Saul sempre foi uma série sobre dois irmãos. De um lado o mais novo, sujeito pouco convencional e sem medo de quebrar algumas regras para conseguir aquilo que deseja. Do outro o mais velho, completamente dependente das regras. Jimmy e Chuck protagonizaram com suas desavenças mais uma temporada, e em sua season finale, Better Call Saul cai novamente da repetição de temas, mas salvo por momentos brilhantes.

Ao longo de 30 episódios, fomos expostos as mais diversas situações envolvendo os dois irmãos, e mesmo quando tudo parece esgotado, Better Call Saul ainda tem o que contar sobre essa relação. A verdade é que não da pra saber o quanto é verdade daquilo que Chuck disse a Jimmy, mas ainda assim, é um ponto de ruptura importante. O irmão mais velho faz o conselho reverso para o mais novo: você é assim, aceite. Não irá mudar e tentar mudar só irá te machucar, e machucar outras pessoas..

O fato é que Jimmy é um personagem criado pelo próprio. É um cara preso dentro de uma fantasia social que ele precisa usar, e muitas vezes se convencer que ela é a ideal. O verdadeiro é esse sujeito que joga sujo até mesmo com idosas e boicota o próprio irmão. Ele acredita que existe um bem maior, mas na verdade, ele quer apenas seu próprio bem e satisfação.

Do outro lado da história, Gus e Don Hector entregam um final previsível e sem sal, com Nacho conseguindo finalizar seu plano. O que salva nessa cena é a forma como Gus nos lembra de seu ótimo a toda família Salamanca e ao Cartel, o que mais pra frente, será usado pelo próprio Walter White em benefício próprio.

Faltou algo em “Lantern“. O que? Difícil apontar, mas pra uma temporada que soube tão bem resgatar o espírito de Breaking Bad, faltou aquela cena impactante. Sobre Chuck? Não é de se duvidar que ele sobreviva. Felizmente a forma como Better Call Saul explorou sua doença mental foi o ponto alto desse episódio. Ele é uma pessoa debilitada que precisa sim de ajuda, e isso levanta um ponto interessante sobre qual o papel da família e amigos diante de alguém com sérios problemas, mas que recusa ajuda.

Tivemos uma excelente temporada com episódios memoráveis dentro da série. Ainda tem muita coisa a ser contada em Better Call Saul, e não é de se duvidar que teremos no mínimo mais duas temporadas. Obrigado a todos que acompanharam os reviews, nos vemos em 2018.

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