Beleza Black Mirror, a gente entendeu que tecnologia é uma merda

Blá blá blá blá.

Luide
Luide
10 de junho de 2019

Como uma boa pessoa do final da década de 80, faço parte da última geração que nasceu sem acesso total a internet. Já a minha filha de três anos chegou ao mundo ganhando uma foto no instagram segundos depois de sair da barriga da mãe. Eu e você somos a geração de transição entre um mundo não conectado para outro onde a tecnologia é uma realidade indissociável. Da mesma forma que a luz elétrica foi pra mim algo natural, mas pra minha mãe não, já que ela passou a infância em um sítio a base de velas a noite. O ponto aqui é: nós ainda não sabemos nos relacionar com celulares, computadores, carros elétricos, aplicativos, internet, redes sociais e outras mordomias do mundo moderno.

É tudo muito recente e por isso acabamos nos tornando um tanto históricos na hora de avaliarmos a relação com essa tecnologia. Mesmo que você seja o rei do instagram, certamente vai torcer o nariz com uma criança de 10 anos vendo youtube. “Não porque no meu tempo as crianças não sei que lá“. Traçar um limite no consumo de tecnologia e internet é puro achismo de qualquer especialista. Como saber se estou usando demais o celular? Detesto reportagens falando sobre como, por exemplo, o facebook “destrói relacionamentos” como se uma porcaria de uma timeline fosse responsável por um modelo de relação desgastado.

E era justamente por escolher falar sobre como nós seres humanos temos problemas e vícios que ultrapassam a barreira do tempo e não sobre “os males da tecnologia” que Black Mirror acertava tanto. Sim, acertava. Não acerta mais. Desde que estreou pela Netflix, a obra de Charlie Brooker está em um declínio vergonhoso de qualidade. De histórias e argumentos que se repetem a situações pouco imaginativas. O que antes chocava seja pela forma como uma história comum era apresentada, seja pela frieza e cinismo, hoje em dia é um poço de tédio e cafonice.

Smithereens, episódio do quinto ano, é um retrato desse discurso abobado. Um homem que ao invés de assumir suas responsabilidades resolve culpar uma rede social pela sua trágica vida. Todo ato em si é preguiçoso, como se tentasse nos fazer refletir sobre nossa dependência em algo que, gente, aceite, já é praticamente parte de nossas rotinas. “Eu olhava pro celular antes de dormir e quando acordava” realmente um problemão moderno.

Black Mirror é ainda mais vazio quando resolve falar sobre as empresas do Vale do Silício. E o que o roteiro de Charlie Brooker resolve questionar? A precarização do trabalho? O impacto social que empresas como UberAirbnb? Não, que o CEO é um afetado. É muita caricatura, é muito lugar comum. É como se o Charlie Brooker tivesse jogado a toalha e seguisse fazendo o que faz porque o cheque da Netflix é gordo. Porque questionar de forma simplória o vício ou dependência de tecnologia em uma empresa que basicamente vive as custas do vício e dependência de seus assinantes é cômodo demais.

Insisto: O que aconteceu com a série mais promissora da última década?

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