Aziz Ansari tem razão

Criador de Master Of None está de volta.

Luide
Luide
11 de julho de 2019

É difícil não concordar com Aziz Ansari nesse seu mais novo especial de comédia para a Netflix. Vivemos um momento de ruptura na sociedade: a transição de uma geração que não se importava com diversidade e seus privilégios até há alguns anos, para uma nova que não terá saudades da época que Os Trapalhões faziam piadas racistas. Nesse momento histórico estamos nós, perdidos e batendo cabeças, não sabendo direito como lidar com a descoberta mágica que pessoas negras são marginalizadas pelo Estado, mulheres colocadas em posições de subserviência por um machismo estrutural, culturas são apropriadas e tratadas com uma espécie de fetiche pelo Ocidente e pessoas LGBTs sofrem diariamente com todo tipo de violência.

Essa novidade confunde. Alguns reagem negando, já que é mais fácil fingir que o problema não é com você. Outros tentam lidar com a situação, questionar suas atitudes não apenas no passado, mas também no presente. Não existe nada de errado nisso e ainda bem que a gente demora pra descobrir o óbvio, mas Aziz Ansari não deixa de ter razão quando aponta os diversos erros nesse processo de conscientização de pessoas brancas que o mundo não é o Leblon em uma novela do Manoel Carlos. “Me desculpa por ser homem” é real.

Aziz parece cansaço. Ele abre seu espetáculo tirando logo de cara o elefante no meio da sala: as acusações de assédio sexual no começo de 2018. Em seguida, ele elabora melhor esse raciocínio de como o discurso progressista atual ainda é bastante problemático ao apoiar causas como o movimento negro e o feminismo. Aziz usa o exemplo de Os Simpsons, onde foram necessárias duas décadas para que as pessoas percebessem que o personagem Abu era uma caricatura da comunidade indiana nos EUA. Para ele sempre foi óbvio.

Basicamente é sobre isso que se trata Right Now: a nossa reação de cada dia diante de algum escândalo que geralmente é envolto em muita emoção e pouca lógica. Ele usa como exemplos os documentários recentes que exploram as acusações de pedofilia tanto de Michael Jackson e R. Kelly. A provocação “só nos importamos quando esses casos se transformam em entretenimento” é bastante pontual, afinal, todo mundo precisa ter uma posição bastante clara sobre esses acontecimentos para não ser acusado de isento. A cultura do “o silêncio de beltrano é ensurdecedor“.

Tá todo mundo tenso tentando não parecer um escroto, mas ninguém quer admitir que não faz nada e não se importa com nada. Esse texto é um exemplo. Estaria eu admitindo meus privilégios e tentando ganhar alguns pontos? (o especial ilustra bem o que isso significa) Talvez, mas sigo concordo com Aziz: a gente não sabe direito como se comportar. Enquanto tentamos aprender, o único jeito é levar um conselho que transcende os séculos e ainda é bastante atual: tente apenas não ser um cusão.

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