Áudio-drama: o podcast além do “papo de bar”

Novos autores exploram a mídia e ajudam a levar o podcast para um novo patamar.

Luide
Luide
12 de setembro de 2018

O Nerdcast pode não ser o primeiro podcast do Brasil, mas de longe é o mais importante de todos. O trabalho iniciado por Alexandre OttoniDeive Pazos em 2006 alavancou a mídia no Brasil, criou uma legião de apaixonados e é influência direta para outras dezenas de programas. Não é pouca coisa, hoje se você tem o hábito de ouvir podcast e ostenta uma lista imensa em seu agregador, deve muito a esses dois. Eu devo muito a eles.

Mas se o Nerdcast encontrou o formato perfeito, não significa que todos devam seguir por esse caminho. O padrão “pessoas conversando sobre assuntos previamente estabelecidos” dominou a produção de podcast no Brasil por anos. Não que isso seja uma problema, cada um produz o que acha ideal e conquista o público pela qualidade. O problema é só ter isso, algo que limite o que pode ou não ser feito em podcast e com isso, fica difícil que novos ouvintes sejam conquistados.

Já escrevi sobre dois projetos interessantes que fogem completamente da ideia “papo de bar”: Projeto Humanos e Presidente da Semana, que buscam uma identidade jornalística em formato quase documental. Só que tem mais coisa sendo feita de forma diferente e a série 1986 é um exemplo.  Criado por Guilherme Afonso, 1986 é hoje o principal áudio drama no país. Feito no formato de antologia (como Fargo e AHS), 1986 conta uma história por temporada.

1986: um passado distópico que se passa no Brasil. Clique aqui para ouvir!

Partindo da ideia de um “passado apocalíptico”, onde um desastre nuclear mudou completamente o mundo que conhecemos, a primeira temporada chamada Inverno explora a solidão de um homem nesse ambiente utópico. Sem representação visual, cabe ao autor impor uma narrativa através do edição de áudio, com detalhes mínimos que levam o ouvinte a uma total imersão.

É justamente essa técnica apurada que coloca o áudio drama, ou “séries em áudio”, como um caminho promissor na criação de conteúdo. Criativos que antes esbarravam na falta de orçamento para colocar no ar uma história, agora podem investir em um outro tipo de mídia, tão imersiva quanto uma série padrão para TV ou streaming. Exemplos como o 1986 podem motivar que esse formato seja ainda mais explorado e limitações acabam se tornando possibilidades.

“Se eu for o próximo Quentin Tarantino, provavelmente não estou mais trabalhando em uma loja de vídeos. Provavelmente estou tentando fazer meus próprios podcasts“. Palavras de Brett-Patrick Jenkins, chefe da Propagate, empresa que desenvolveu programas como o Lorepodcast com contos de terror que se transformou em série na Amazon. O “próximo Tarantino” pode estar agora ouvindo um podcast, dentro de um ônibus, e prestes a ter uma ideia incrível.

Com o avanço de novos formatos, essa pessoa pode perceber que sua história cabe em podcast. E como cabe.

 

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