As pessoas estão desesperadas por uma teoria que explique Stranger Things

Não aceitam que a beleza Stranger Things está na sua simplicidade

Luide
Luide
1 de setembro de 2016

É sobre a AIDS“, “É sobre a luta contra o câncer” ou “É sobre viagem no tempo“. As pessoas buscam desesperadamente uma explicação para a temática de Stranger Things. A necessidade que algo maior e oculto se revele faz com que deixamos de absorver sua principal mensagem sobre amor fraternal. Por que? Porque não suportamos a ideia do simples.

O simples está relacionado a fraqueza criativa, ao caminho mais fácil. Não queremos ninguém falando sobre amizade, queremos planos mirabolantes e sem sentido para nos sentir anestesiados intelectualmente, como se descobrir uma conspiração que ninguém vê nos daria algum tipo de gabarito.

Mr. Robot é uma série que brinca o tempo todo com isso. Sam Esmail esconde do espectador sua reais intenções para com o andamento da narrativa, mesmo assim, o tempo todo ele escancara na tela o verdadeiro debate sobre consumismo, vigilantismo, sociedade, família, luto e etc, etc. Não importa o que você sabe, mas sim o que você absorve. No final, ao descobrir o grande plot twist da primeira temporada, você já passou por quase 10 horas de exposição a todos esses temas já citados.

O mesmo vale para Stranger Things. Mesmo que a já segunda temporada revele algum mistério oculto, a principal mensagem dos Duffer Brothers foi contada de maneira brilhante nos primeiros oito episódios. A primeira delas é sobre o verdadeiro significado da amizade. O final da infância é onde saímos do círculo familiar e desenvolvemos laços com outras pessoas. A amizade se forma e percebemos pela primeira vez que é possível estender o amor além de nossos parentes mais próximos.

Ter um amigo é um exemplo de empatia. Nós não somos obrigados a ouvir, a amar e muito menos enfrentar um monstro de outra dimensão por ele. Ter um amigo é o início do início do nosso amadurecimento como ser humano. A noção que nós podemos nos dedicar a terceiros sem esperar nada em troca. E poucas coisas são mais belas do que isso.

Como se não fosse o bastante, Stranger Things ainda mostra o quão instintivo e insano pode ser o amor materno. Joyce, a mãe vivida por Winona Ryder, luta contra tudo e contra todos em busca do filho. Ela não desiste dele em momento algum, mesmo quando o mundo lhe vira as costas. E para que isso aconteça, ele não precisava ter sido engolido por uma dimensão paralela.

Mães que não desistem dos filhos mesmo quando eles se afundam em drogas, alcoolismo ou simplesmente não vão bem em qualquer esfera social. Que suportam o mundo nos ombros, trabalham, são donas de casa e ainda precisam ser mãe e pai quando não existe mais ninguém para dar suporte. Você realmente acha que um Demogorgon é mais assustador para uma mãe que se vê sozinha e responsável por criar seus filhos pequenos? O mundo real é mais perigoso e destruidor que a ficção.

Stranger Things ainda fala de um pai que perdeu sua luz e se tornou apático ao mundo. A escuridão agora é sua realidade. E esse pai, mesmo destruído, descobre que ainda existe pelo que lutar. Que existe algo para se agarrar.

Se tudo isso não é o bastante pra você, se toda essa beleza não é o suficiente, teoria alguma irá te acalmar. Melhor ver outra série.

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