“Aquele vídeo do Seiya tá bombando na internet”

Fiquei feliz por não ter conseguido assistir.

Luide
Luide
29 de julho de 2019

Quando a Netflix anunciou o remake de Cavaleiros do Zodíaco, escrevi que se tratava apenas de uma isca nostálgica para pessoas com dificuldades de se desapegar da infância. Até nisso errei. Essa nova versão de uma história pra lá de clássica nem de longe é feita pensando no público antigo, fãs que como eu, um dia se deliciaram com as animações precárias e armaduras belíssimas. É simplesmente uma atualização de franquia, algo que até hoje nós ainda não aprendemos a lidar de forma coerente.

Por mais que os Cavaleiros tenham esse peso enorme em nossa memória afetiva, não passa de uma propriedade intelectual nas mãos da BANDAI que enquanto as estrelas brilharem, tentará a todo custo lucrar de alguma forma com um nome tão consolidados no imaginário popular. Essa versão da Netflix é simplesmente isso: como não deixar que a chama dessa franquia se apague em plena revolução dos meios  de consumo?

A animação deixa de lado toda aquela barriga já bem estabelecida no anime para dar lugar ao dinamismo que os nossos tempos pedem. Não da mais pra perder tempo com diálogos intermináveis. A construção de Seiya como o protagonista dono da armadura de Pégasus é rápida e em pouco tempo as regras básicas desse complexo universo são estabelecidas. São apenas seis episódios com 30 minutos cada, que condensou a Guerra Galática em um total de 6 horas (para efeito de comparação, na série original foram mais de 15 horas).

As cores, as formas, a dublagem: é tudo feito para que Cavaleiros do Zodíaco possa garantir um lugar ao Sol em meio a tantas ofertas, entre um episódio ou outro de Patrulha Canina. Ao contrário do jovem brasileiro da década de 90 que não tinha tantas opções assim, hoje em dia os maiores inimigos dos Cavaleiros são os meios de entretenimento. Ainda bem que escolheram a plataforma correta para essa atualização. Sim, é disso que se trata: uma atualização, algo que daqui há 30 anos pode ganhar uma nova versão para uma nova geração (para os filhos das crianças que hoje estão assistindo).

Porque é disso que se trata no fim das contas: franquias tentando sobreviver para gerar lucro. É tão claro quanto a frase dita logo no primeiro episódio, quando Seiya desperta o Cosmos pela primeira vez. Assustados com um vídeo que mostrava o exato momento, os colegas de orfanato de Pégasus dizem que ele está “bombando na internet“. Nada mais jovem e atual que bombar na rede, não é mesmo?

É claro que o forte apego que temos com esses personagens tira de nós qualquer senso crítico. E também é um tanto óbvio que nós, trintões, não temos mais voz para questionar qualquer escolha de roteiro. Porém é fato que tanto a BANDAI quanto a Netflix não abririam mão de uma base de fãs muito bem estabelecida há mais de duas décadas e por isso dão aquela piscadinha de olho espeta pra gente. Confesso que evito rever Cavaleiros do Zodíaco porque sei que muito da genialidade do anime está nas minhas lembranças. E confesso que fiquei feliz por não conseguir assistir a dois episódios dessa nova versão.

Espero que um dia, talvez, minha filha goste. Mas se não gostar não tem problema também, tem outras coisas. Tipo Patrulha Canina.

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