Sobrou apenas o TERROR para a próxima temporada de House Of Cards

Chapter 52 (S04E13) convida os dois protagonistas a te olhar nos olhos e deixar algo claro

Luide
Luide
14 de março de 2016

Até que ponto podemos afirmar que House Of Cards é sobre política? Veja bem, assim como Breaking Bad não é sobre tráfico de drogas e Mad Men não é sobre publicidade, House Of Cards precisa ir além da política para seguir em frente após quatro temporadas.

É bem verdade que o jogo político, as viradas de mesa e mudanças de cargo dão ritmo pra série, mas no fundo, House Of Cards é sobre a busca implacável do ser humano por poder. É mais de que simplesmente sede, é vício, algo que torna o usuário um escravo de suas ambições. É sobre não ter compaixão ou empatia, abandonar sua humanidade e princípios morais da sociedade, é fazer aquilo que ninguém está disposto a fazer.

House Of Cards é sobre uma terrível doença que assola a humanidade desde que tivemos o primeiro raio de consciência

Apesar do protagonismo que lhes foi concebido, Frank e Claire são apenas dois rostos na multidão e ninguém garante que eles irão vencer o jogo. Pra falar sobre esse vício de poder, House Of Cards se perdeu em alguns momentos, mas é incrível como soube olhar para suas raízes e entregar uma quarta temporada incrível, com destaque para sua primeira metade que sem dúvidas, é a melhor sequência de episódios que já vimos na série.

Frank Underwood sempre se mostrou um homem intocável, praticamente um deus perante seus inimigos. Ele não dançava conforme a música, ele conduzia a orquestra e se preciso, apontava uma arma para o músico tocar a nota que fosse necessária. Foi assim, ao longo de três temporadas, que Frank Underwood viveu uma escalada de poder, deitou em uma banheira de arrogância e por pouco não morreu afogado.

Foi então que House Of Cards firmou de vez Claire Underwood como a antagonista que já era prometida no terceiro ano. Claire desestabilizou Frank, mostrou a ele que homem nenhum é intocável. Foi graças a ela e a direção de Robin Wright que a quarta temporada cravou seu melhor episódio.

Mesmo assim, House Of Cards ainda tinha uma segunda metade de temporada pra ser preenchida, e fez isso muito bem ao deixar claro os objetivos: agora com uma aliança feita com Claire (é mais do que um casamento, de fato), Frank precisa fazer valer seu posto de presidente e o primeiro passo é vencendo uma eleição. Frank Underwood quer o poder, e mesmo que ele ache a democracia algo “overrated“, ele PRECISA dessa vitória.

Com objetivos claros e focada, House Of Cards pontuou bem suas etapas finais a serem cumpridas: Will Conway, Catherine Durant e por fim, Tom Hammerschmidt. Ambos pontos que precisavam ser amarrados por Frank e Claire, e que tiveram sua importância bastante destacada dentro dos episódios finais. Inclusive Durant, que viu a face do demônio em uma cena bastante desesperadora.

É claro que House Of Cards precisa agora, mais do que nunca, de um final digno. Cabe uma quinta temporada, sexta talvez seja esticar demais uma história. Não existe mais topo para Frank Underwood e suas cartas estão todas expostas na mesa.

A saída encontrada (tanto por ele quanto pelo roteiro) foi perfeita: instaurar o clima de TERROR, tanto para a história, quanto para o espectador. Nós sabemos que o castelo de cartas está próximo de cair, mas nós sabemos que o Casal Underwood jamais irá se submeter a nada.

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