Afinal de contas, Black Mirror é uma série sobre o que?

Tecnologia? Vício em celular? Internet? Do que fala essa série?

Luide
Luide
12 de julho de 2016

Hoje o Netflix tem um papel fundamental na disseminação de conteúdo. Talvez o grande “case de sucesso” seja Breaking Bad, um das maiores séries de todos os tempos. Antes de entrar no catálogo do serviço de streaming, eram poucos aqueles que já tinham ouvido falar de Walter White. Como já falei aqui, até mesmo a AMC reconhece o dedo do Netflix no sucesso da série.

Sem contar que a facilidade oferecida pelo Netflix auxilia nesse processo. É bem mais fácil sentar e dar o play do que procurar o torrent, encontrar a legenda e conectar o cabo HDMI do notebook/computador na tv. Então é uma simples lógica, se a série ou filme chega ao Netflix, as chances dela se tornar cada vez mais conhecida são grandes. Um caso recente é Black Mirror.

Black Mirror teve sua primeira temporada em 2011, mas só agora começa a se tornar popular entre os brasileiros. E isso é muito importante, afinal, a série de Charlie Brooker é uma das melhores e mais corajosas séries que a televisão deu vida na última década. E precisamos tentar entender melhor seus assuntos.

Não canso de falar aqui da importância da HBO para a revolução na maneira de se fazer dramas na tv. Com Sopranos, Six Feet Under e The Wire, um novo padrão de qualidade foi estabelecido, e mais tarde Mad Men e Breaking Bad iriam definir de vez as novas regras. Obras que falam sobre o homem e seus demônios, é assim que podemos resumir as séries até o final da primeira década desse século. Mas logo em seguida vemos nascer Black Mirror e mais recentemente Mr. Robot, que irão abordar temas mais amplos e que vão de encontro com a nossa perspectiva de sociedade, não só como indivíduos.

Esse é o ponto de partida de Black Mirror, e Charlie Brooker, seu criador, possui anos de experiência trabalhando com televisão. Já foi colunista do The Guardian e satirizou realitys show como o Big Brother. De dentro de uma indústria que funciona bem graças a alienação de seus consumidores, Brooker tinha material suficiente de estudo de sociedade para dar vida a Black Mirror.

Mas como fruto de sua época, Black Mirror precisava de uma boa desculpa pra funcionar, e calhou de ser a tecnologia. O ser humano sempre foi fadado ao vício, e o século XXI nos promove diversas opções. Black Mirror vai em um primeiro momento usar da tecnologia para despertar o interesse de seu espectador, para logo em seguida, mergulha-lo em um ambiente muito familiar. Não é sobre internet ou o tempo que você passa no celular, vai além.

É possível notar alguns temas recorrentes, como julgamento, punição, entretenimento e voyeurismo. Black Mirror também fala sobre recordações s e luto, temas que flutuam entre os episódios, é por isso que mesmo sendo uma antologia (tramas diferentes a cada episódio) na visão micro, na macro Black Mirror é uma só história. A história dos seres humanos.

É difícil, portanto, resumir Black Mirror para o novo espectador, mais ainda explicar em pouco tempo seus temas controversos para aqueles que acabaram de consumir. Aqui no Amigos do Fórum já tentei expor o que penso sobre os episódios White BearThe Waldo MomentFifteen Million Merits através da perspectiva de alguns temas atuais. Mas ainda sim são posts quase vagos perto da grandiosidade que é Black Mirror.

Mas e seu eu pudesse resumir cada um dos 7 episódios em apenas um tema? Difícil, mas vamos lá:

The National Anthem (S01E01): espetáculo midiático
Fifteen Million Merits (S01E02): entretenimento
The Entire History of You (S01E03): memória
Be Right Back (S02E01): luto
White Bear (S02E02): voyeurismo
The Waldo Moment (S02E03): político personagem
White Christmas (Especial de Natal): punição

De toda forma quem decide é você. Charlie Brooker em nenhum momento tenta dar alguma lição de moral ou finalizar o episódio com “olha só, isso aqui, óh!“. Não, ele sempre conta sua história e fim. Cabe a você pensar.

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