Acha Felipe Neto perigoso para as crianças? Conheça o Atomic Energy Lab

Nada melhor para seu filho que manusear urânio.

Luide
Luide
20 de abril de 2018

Algo que me tira do sério é esse achismo que garantir a segurança de crianças pode deixá-las mimadas. Comparações incabíveis como “no meu tempo íamos no porta mala do carro, agora tem que ir na cadeirinha” mostra apenas uma nostalgia barata e sem fundamento. Os pais de hoje se preocupam ainda mais com a segurança dos filhos, um cuidado mais do que necessário, afinal, que traço de caráter um braço quebrado ou intoxicação pode garantir a um adulto?

Além disso, o acesso mais fácil ao entretenimento faz com que a vigilância se torne ainda maior. Se desenhos infantis tinham hora e lugar para serem consumidos, hoje qualquer celular pode prover horas de jogos, desenhos e programas do gênero ao seu filho. Isso cria um público potencial que alguns Youtubers se aproveitem da inocência  para ganharem com visualizações.

O grande problema é que enquanto a Eliana entrava no ar pelo Bom Dia & CIA com uma equipe toda na produção e com algumas leis bastante específicas sobre seu comportando, no Youtube qualquer adulto pode fazer o que bem entender e não assumir responsabilidade alguma por aquilo que é passado ao seu público. É aí que mora o perigo. Como saber que aquele sujeito que age como um personagem não está dizendo palavrões e incentivando um consumismo desnecessário para a idade?

Enquanto a própria plataforma não age a respeito, cabe aos pais todo o cuidado e atenção do mundo. E que bom que eles se preocupam, porque nem sempre foi assim…

Vendido apenas nos EUA no começo da década de 50, o Atomic Energy Lab podia ser comprado por apenas US$ 49,50 (algo em torno de US$ 500 nos dias atuais) e garantia a criança mais de 150 experiências possíveis. Em plena Guerra Fria com as duas maiores potências nucleares vivendo em constante tensão, era possível ter dentro de sua própria casa um pequeno laboratório cheio de elementos radioativos.

Como detalha o HypeScience, o Atomic Energy Lab vinha com os seguintes “brinquedos”:

– Contador Geiger-Müller alimentado por bateria
– Eletroscópio
– Spintariscópio
– Câmara de nuvem de Wilson
– Quatro frascos de vidro contendo amostras de minério contendo urânio (autunita, torbernita, uraninita e carnotita da “região do planalto do Colorado”), [3] servindo como fontes de radiação de baixo nível de:
– Partículas alfa (Pb-210 e Po-210) [9]
– Partículas beta (Ru-106) [9]
– Raios gama (possivelmente Zn-65) [9]


Como se não bastasse tudo isso, o kit ainda acompanhava um folheto que ensinava as crianças a procurarem seu próprio urânio. Mas não deu tempo de nenhuma cidade americana ser dizimada do mapa graças a algum pequeno gênio da física e seu Atomic Energy Lab. Devido a denúncias o brinquedo foi retirado do mercado. Com o passar dos anos se tornou item raro de colecionador e os pouquíssimos que restam são leiloados na internet.

A empresa responsável pelo laboratório foi fundada em 1909 por A.C. Gilber. Entre outros produtos criados por ela existia um kit de química (que vinha com chumbo para ser fundido) e outro de microscopia (que vinha com pedaços de insetos).

 

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