Acaba logo, Better Call Saul

Já é hora de pensar em uma temporada final.

Luide
Luide
4 de outubro de 2018

É difícil olhar para Better Call Saul como uma obra única, ainda mais depois do flerte fortíssimo com Breaking Bad que aconteceu ao longo da temporada passada. Ao mesmo tempo que Vince Gilligan e Peter Gould tentam criar identidade própria para o spin-off, fazem de tudo para que ele seja também uma espécie de prequel.

Quando isso é feito de forma bem dosada o resultado é o espetacular terceiro ano, que quase colocou Better Call Saul no mesmo nível de Breaking Bad. Quase.

Acontece que é um jogo difícil escolher qual história contar. Há quatro temporadas Better Call Saul tenta impor uma jornada a Jimmy aos moldes de Walter White, com aquela lenta queda ao abismo que todos conhecemos. Episódio por episódio uma pequena peça nesse imenso quebra cabeça vai sendo posta para que no fim, o personagem se torne oficialmente Saul Goodman. O problema é que já fomos expostos a essa fórmula e desde a primeira temporada insisto que aqui ela não deveria ser repetida.

Jimmy é um personagem fascinante por si só, mas a insistência do roteiro em colocá-lo em situações onde sua moral é questionada já deixou de ser cansativa parar se tornar insuportável. São sempre as mesmas situações onde o personagem é levado ao seu limite, questiona a si mesmo e age compulsoriamente. Tudo para mostrar que existe um verdadeiro Jimmy escondido por dentro daquele terno. A única diferença é que entre ele e Walter é que o segundo tinha o dom de surpreender com seu egoísmo infinito. Já Jimmy nós sabemos por quais caminhos ele irá seguir.

Essa repetição de tema que vem acontecendo na quarta temporada é idêntica a segunda temporada. Agora Better Call Saul resolve aplicar a mesma fórmula com Kim, que até agora serviu apenas como complemento de elenco. A personagem é o grande destaque dessa temporada, mostrando um lado que até então desconhecíamos, um certo prazer em aplicar golpes. Aquela adrenalina. Soa meio forçado, mas pelo menos a personagem agora tem vida própria.

Mas o que realmente surpreende nesse quarto ano é como o arco Mike/Gus, o lado “prequel” de Breaking Bad dentro de Better Call Saul, caiu de nível de forma assustadora. O que no popular chamamos de “encheção de linguiça”. Toda a trama da construção do laboratório é um desperdício de potencial do que poderia ser feito e soa como um filler de anime, aqueles momentos em que os roteiristas principais precisam tirar férias e um time de estagiários entra em cena com a ordem “escrevam alguma coisa, mas nada que mude os rumos da história principal“.

Claro que mesmo com tantos problemas, Better Call Saul ainda possui qualidades e tal, mas confesso que toda a empolgação que o final da terceira temporada me deixou a respeito dos rumos dessa série foi por água abaixo. Agora realmente torço para que ela se encerre logo. Paciência.

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