A questão da Elektra em Demolidor

Claramente dividida em duas histórias, Demolidor vai da guerra das ruas a ninjas pulando em prédios

Luide
Luide
22 de março de 2016

Não saber dos acontecimentos dos livros me faz ter um apreço ainda maior por Game Of Thrones. Volta e meia me envolvo em debates sobre determinadas decisões do roteiro, e muitas vezes percebo que a moçada não gosta porque foi “diferente dos livros“. Adaptações precisam manter alguma fidelidade a obra original, mas de resto, ter uma certa liberdade criativa garante uma boa história.

Afinal, a palavra adaptação precisa significar alguma coisa.

Demolidor é um personagem dos quadrinhos, querido pelo público, e cheio de histórias clássicas. Não é uma cria da tv. Sendo assim, enquanto alguns momentos da série soam como uma grande homenagem a obra original, pra outros pode parecer meio estranho. Me encaixo no segundo grupo.

Na primeira temporada já estava claro que Demolidor também teria um pé no fantástico ao misturar uma história mais urbana, cheia de elementos clássicos da guerra das ruas (máfia, tráfico, corrupção), com ninjas e magias do oriente médio. Apesar do passado do personagem estar repleto de momentos assim, pra tv segue sendo um pouco estranho esse caldeirão de temas, uma quebra constante no tom escolhido (se é que tem um) pra série.

Enquanto os primeiros episódios focados no Justiceiro mostram uma cidade a beira do caos, fruto da queda de um líder que controlava todos os outros menores, ao entrar no arco da Elektra, Demolidor passa a falar sobre ninjas em Nova York e um grande plano maléfico. É essa mudança que causa pequenos incômodos nos episódios 5, 6, 7 e 8.

Matthew Murdock é um personagem interessante por ter um lado católico e seguir alguns dogmas básicos do cristianismo. Ele vive em constante conflito com seu demônio interior, colocado pra fora visualmente através do uniforme. Assim como o homem busca respostas em sua fé, Matthew parece usar a noite e sua jornada pessoal contra o crime como um caminho de redenção.

É por isso que personagens com o Wilson Fisk e o próprio Justiceiro adicionam muito a própria identidade e necessidade do Demolidor.

O mesmo pode se dizer de Elektra, que chega para equilibrar bem essa jornada de Matthew, já que ela é apresentada como a própria tentação para o Demolidor. Isso fica evidente em algumas batalhas quando o personagem parece sentir um certo prazer no que faz de melhor: soltar o braço na bandidagem.

Porém, a vida dupla em algum momento certamente iria se colidir. O Demônio de Hell’s Kitchen também é advogado e precisa ver a luz do dia. Então, mesmo que confuso e destoante do plot do Justiceiro, a presença de Elektra foi uma boa adição justamente por adicionar mais nuances a personalidade do Demolidor.

É uma pena, porém, que a série parta pra esse rumo, com uma divisão tão clara entre as histórias. O encontro do Justiceiro e de Wilson Fisk promete ser o ponto alto da série, trazendo de volta um pouco do “realismo” que lhe foi conferido nos primeiros episódios. Sem ninjinhas, apenas com criminosos do mundo real.

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