Rumo as profundezas filosóficas de Westworld

Trace Decay (S01E08) é mais um passeio pelas profundezas do parque...

Luide
Luide
23 de novembro de 2016

…disse que se eu empilhasse minhas boas ações, elas seriam um muro elegante escondendo de todos os que sou por dentro“. Fico me perguntando como alguém realmente pode se incomodar com a falta de respostas em Westworld enquanto o Homem de Preto faz esse belíssimo monólogo. Aqui temos um exemplo de como essa caça aos ovos de páscoa muitas vezes acaba cegando a audiência. A busca por grandes plot-twists, respostas, teorias, suposições… é claro que isso faz parte da brincadeira, mas jamais deve ser o principal foco dos seus olhos e coração.

Desde o primeiro momento Westworld é um ensaio sobre consciência e existência. O velho contraste entre seres humanos que perdem sua humanidade e se tornam cada vez mais mecânicos, enquanto seres mecânicos buscam a exaustão uma forma de provar o doce sabor das emoções. Enquanto Meave luta para entender a si mesmo, Ford é um ferrenho combatente dos sentimentos. Tudo isso faz de Westworld tão poderosa em sua filosofia, onde cada linha de diálogo abre um leque de interpretações. Como Jonathan Nolan e Lisa Joy irão ligar todos os pontos é um problema para o futuro. Por enquanto o que nós devemos fazer é prestar atenção o máximo possível em uma das mais belas obras da cultura pop em 2016.

Sem em Trompe L’Oeil tivemos algumas respostas sobre as intenções de FordTrace Decay (S01E08) finalmente nos revela algo a respeito do enigmático Homem de Preto. E a maneira como ele se torna de fato um antagonista a altura de Ford deixa para os dois últimos episódios dessa temporada uma grande expectativa a respeito de qual obsessão irá vencer. A do homem que não permite que suas criaturas sintam, ou daquele que procura libertá-las?

Agora é incrível como o parque é sempre uma analogia a nossa própria vida. O Homem de Preto se revela como o típico homem que esconde sua verdadeira essência através de boas ações, as máscaras que vestimos todos os dias. Não importa o que você é, mas como todos te enxergam. Mas essa maquiagem não precisa ser aplicada em Westworld, ali todos são livres para exibir o sadismo e perversão que normas sociais, leis, religião etc te forçam a esconder. Não é necessário construir um muro de boas ações.

Talvez seja esse o motivo do Homem de Preto buscar o Labirinto. Quando ele percebeu que ali, mesmo com todas as correntes impostas, um Anfitrião conseguiu ter uma sensação intensa perante uma tragédia, era possível que algo real surgisse. Tudo bem que uma mãe sempre irá ter uma reação assim perante a morte da filha, mas é bem provável que isso tenha atiçado uma espécie de curiosidade. E se todas essas máquinas pudessem ser livres para… sentir? Enquanto o mundo lá fora despenca pra um ambiente tóxico sem qualquer tipo de emoção, dentro do parque existem seres correndo em busca de sensações.

 Trace Decay (S01E08)

Sentir. E como nós decidimos o que é ou não uma sensação real? Se a nossa memória é falha, imperfeita, e muitas vezes  moldada ou transformada naquilo que nos convém, porque a dor de Bernad seria diferente da nossa? Se tudo o que ele viveu foi uma mentira, como definir que ele não sente a falta da filha e da esposa? Para Ford essas sensações são irrelevantes, penas em um pavão que come lama. E isso é incrível.

Em meio a tantos questionamentos, tantas ideias, tantos lugares profundos a serem explorados nessas palavras e embates entre os personagens, fica difícil se chatear com possíveis falta de respostas. Westworld é uma série pra ser absorvida, digerida. Saber de tudo não é importante. Estar em dúvida também é bom.

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