Westworld, a melhor série de 2016

A velha e boa HBO está de volta

Luide
Luide
5 de dezembro de 2016

A paixão é um sentimento que explode de repente e tudo em sua volta fica mais colorido e ao mesmo tempo insignificante, já que passamos a ter apenas uma obsessão. Já o amor é algo polido, lapidado pelo tempo, e esse mesmo tempo não é capaz dissolvê-lo. É por isso que quando estamos apaixonados fazemos promessas impossíveis e declarações exageradas. No meu caso, pensei bastante antes de dar o título desse post. Estaria eu apaixonado pela obra de Jonathan Nolan e Lisa Joy a esse ponto? É possível.

Falar sobre séries é essa briga interna entre a razão e a paixão, e muitas vezes escolho a segunda. Amor eu tenho por obras consolidadas e aclamadas, que realmente mudaram minha visão de cultura pop. Sopranos, The Wire, Mad Men e Breaking Bad. Enquanto isso, outras obras ainda precisam se provar, por isso sigo apaixonado por elas, afinal, a qualquer momento uma desilusão pode acontecer. Quem acompanha o Amigos do Fórum sabe disso. Enquanto muitos torceram o nariz para a segunda temporada Mr. Robot, segui aproveitando e admirando cada decisão estranha de Sam Esmail. Realmente ele não segue regras e foi o maior experimentalista do ano.

Minha razão aponta para o amor, para os grandes clássicos que servem de exemplo. Mas a paixão me faz apoiar esses novos e corajosos realizadores, como Sam Esmail e agora Jonathan Nolan e Lisa Joy. Eu apoio os corajosos, mas a história nem sempre reserva um lugar para eles. Espero que um dia Mr. Robot e Westworld estejam no meu panteão pessoal de grandes obras.

Quando o Emmy Awards premiou o sexto ano de Game Of Thrones ao invés do primeiro de Mr. Robot, escrevi que não foi injustiça, mas faltou coragem. Enquanto uma rumava para sua sétima temporada, tínhamos um jovem talento despontando na televisão. Seria interessante reconhecer. E o mesmo vale para Westworld. Uma primeira temporada avassaladora, perfeita, que soube como pouquíssimas obras misturar a boa e velha ficção científica com um mar de mistérios e expectativa. Com tantos acertos, é mais do que honesto premiar a série da HBO como a grande obra de 2016.

Mas Westworld não é apenas uma mega produção pomposa, cheia de ótimos efeitos especiais e grandes cenários. A série é uma viagem rumo a consciência humana, repleta de questionamentos. Enquanto alguns se matavam em buscas de teorias, cada episódio era um convite rumo a essa imersão sobre si mesmo. O que é real, o que significa existir e estar vivo. A prisão, a rotina, nossa noção de mundo. Tudo isso sempre esmiuçado durante 10 episódios. 10 horas de entretenimento de qualidade. Isso é para poucos.

Mr. Robot e Westworld ainda são jovens, tem um longo caminho pela frente. Torço para que se tornem clássicos, exemplos de ousadia a ser seguido. Com ou pouco dinheiro, com ou sem um elenco de primeira. No USA ou na HBO. O que importa é a coragem de seus criadores. E aqui deu tudo certo. Que venha o segundo ano.

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