Walter White poderia ter evitado sua própria tragédia em Breaking Bad

Vamos falar sobre um episódio importante na jornada de Walter White

Luide
Luide
17 de maio de 2017

É engraçado como quase 4 anos depois de seu fim, Breaking Bad ainda está vivo e pulsante em minha cabeça. Talvez parte dessa lembrança é fruto da ótima terceira temporada de Better Call Saul, que vem jogando sujo com nossos sentimentos de fãs. De qualquer forma, vez ou outra assisto algum episódio aleatório pra matar a saudade e buscar algum novo entendimento dessa obra prima da televisão.

A cada revisita, Breaking Bad se torna ainda mais especial e poderosa.

Em Salud, o décimo episódio do quarto ano, temos um dos momentos mais icônicos de Breaking Bad protagonizados por Gus Fring, que após envenenar Don Eladio e praticamente acabar com o cartel mexicano, se mostra mais sádico e maquiavélico do que imaginávamos. Mas o que torna Salud um exemplo clássico do que é a obra de Vince Gilligan, é a história que acontece em paralelo a esse encontro impactante entre Gus e seu antigo rival. Uma conversa simples de Walter com seu filho, um drama comum que expõe a verdadeira riqueza da série.

Esse quarto ano é uma aula de criação de tensão e expectativa. O embate entre Walter e Gus chegava ao seu clímax, e o protagonista que até então se via sempre a frente de seus inimigos, agora está acuado e sem saída. Sabendo que seu fim está mais próximo do que nunca, Walter acaba fazendo um movimento errado e levando uma surra de Mike. Debilitado e com sua moral no lixo, o poderoso Heisenberg desce do pedestal e fica completamente despido de sua arrogância.

Walter acaba se esquecendo do aniversário de Walt. Jr, então seu filho resolve fazer uma surpresa. Ao chegar na casa de seu pai, ele percebe os machucados e como ele está acabado. O que acontece a seguir é um diálogo forte. Sabe essa história de tentar trazer pra sua vida ensinamentos da cultura pop? Pois bem, Breaking Bad tem ensinamento de sobra.

Assim como acontece em Fly (quem não gosta de Fly não gosta de BreBa, simples assim) é justamente quando Walter está debilitado fisicamente que seu ego destruidor cede lugar o velho professor de química, e então, ele fala com o coração. Salud segue intercalando os acontecimentos no México com o esse dia de cão para Mr. White. Perto do fim, ele se reencontra com seu filho, e pela primeira vez na série, fala a respeito de seu falecido pai e das lembranças que cultiva dele.

Por mais que outros lhe contassem coisas a respeito, a memória que ficou foi de um homem doente e frágil. Conversando com seu filho, Walter então se vê no lugar de seu pai: quais lembranças ele deixará para Walt Jr? Infelizmente a pior possível. Até o final da quarta temporada, vemos que ele não aprendeu lição alguma. Walter White seguiu suas próprias ambições pessoais, cultuou a si mesmo, e se sentiu poderoso demais para abandonar tudo que fez para voltar aos braços de sua família.

Momentos assim estão espalhados por toda a série para lembrarmos que durante a jornada para o inferno, ainda existem oportunidades de voltar atrás.

Quando sua mente está focada na auto destruição, é bom prestar atenção aos sinais que vem de fora. O conselho de um amigo, o telefonema da mãe, o abraço de quem se ama. Na maioria das vezes estamos tão cegos que não percebemos a desgraça até que ela seja irreversível. Com Walter White foi assim, basta rever Felina e sua confissão final perante Skyler.

A tragédia poderia ser evitada se ao invés de pensar em si, Walter se dedicasse a ser uma boa memória para seus filhos. Aquela memória doce, de um homem honesto, pacato e batalhador. Como todo mundo. Mas não. Ele fez a escolha errada. Walter White é tudo que você não quer se tornar.

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