Você também anda desanimado com os blockbusters?

Quando o desânimo bate =/

Luide
Luide
12 de Maio de 2017

O Amigos do Fórum vez ou outra recebe convites para cabines, aquelas sessões exclusivas para a imprensa que rolam antes da estreia de algum filme. Na maioria das vezes são blockbusters, claro, e antes da minha filha nascer eu ia em praticamente todas. Acontece que minha rotina mudou drasticamente e hoje costumo colocar na balança se vale a pena sacrificar uma manhã com ela pra assistir algum filme que certamente irei esquecer horas depois.

Mesmo com um site que fala de cultura pop, percebi que há algum tempo que estou indo pouco ao cinema. E não são um ou dois motivos, é uma combinação de fatores. Esse ano vi apenas três blockbusters: Logan, Kong e Guardiões da Galáxia Vol. 2 e percebi que ir assistir filmes está se tornando uma atividade cara e desgastante.

Pra ver Guardiões 2 desembolsei quase 30 reais na meia entrada (fornecida pela minha operadora de celular) em uma sessão 3D normal no Cinemark em São Paulo. É claro que estamos falando da cidade mais cara do país onde um ingresso do cinema chega a custar 8% do salário mínimo, mas já deu pra perceber que não é mais um passatempo tão acessível assim. Isso sem levar em consideração os gastos com transporte, o falatório nas sessões e por aí vai. Isso seria recompensado caso todo filme fosse tão bom quanto o de James Gunn.

Mas o que vemos é uma sequência de longas esquecíveis e sem personalidade.

Isso sem contar as novas manias irritantes de Hollywood, como universos compartilhados e músicas pop espalhadas durante o filme pra disfarçar um roteiro pouco atraente e a avalanche de efeitos visuais. Mas a estratégia da certo e o espectador já está completamente anestesiado. Junte isso a uma ansiedade coletiva que se forma graças a um marketing pesado e polêmicas desnecessárias, e pronto, temos a fórmula perfeita pra disfarçar qualquer problema. Você sai do cinema mais preocupado com a cena pós créditos do que com o que acabou de assistir.

Em 2017 os blockbusters não ostentam uma boa recepção. Além de fracassos de bilheteria como Ghost In the Sheel e Power Rangers, outros como Assassin’s Creed já caíram no total ostracismo e até confundem a respeito da data de lançamento. “Foi esse ano? Não tenho certeza“.

Além do alto custo e da falta de interesse, vem a comodidade dos serviços de streaming, como a Netflix ou Net Now. O problema nisso tudo é o distanciamento entre o público e o cinema, afinal, um filme sempre será feito e pensado para uma tela grande, com um bom som e pra ser visto em uma poltrona. Parte da boa experiência está no colega ao lado, que pode rir ou se emocionador junto com você.

Enquanto isso, nas séries de TV, o hype vem sendo muito bem recompensado. Muita coisa boa surgindo, gente experimentando novos formatos, criativos trabalhando a todo vapor. E não pense que isso não acontece mais no cinema, claro que acontece, mas ninguém se importa quando temos um Martin Scorsese explodindo qualidade com Silêncio. Já um Game Of Thrones é bom e pop ao mesmo tempo.

Talvez o problema seja eu. Ou quem sabe, talvez, só pensando alto, o problema seja os reboots, os remakes, as continuações, a mesma bobagem sendo feita e refeita. O tempo todo. Mas vai saber, né.

 

Seja doador e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 27/09/2017

  • Luide

Eu vou morrer, mas resolvi me tornar imortal

  • 26/09/2017

  • Luide

Episódio de Rick and Morty se torna um dos mais bem avaliados do IMDb

  • 25/09/2017

  • Luide

Mãe! pode não ser um filme de terror, mas é o mais assustador do ano