Um diretor brasileiro que você deveria prestar mais atenção

Kléber Mendonça Filho

Luide
Luide
19 de Maio de 2017

O fracasso colossal de Rei Arthur que custou $170 milhões de dólares (sem levar em conta o marketing pesado) e lucrou na sua estreia míseros $40 milhões, expõe um certo cansaço do público com histórias recicladas e da pouca criatividade que assombra os blockbusters hollywoodianos. Esse ótimo artigo do The Guardian tenta entender o que aconteceu ao mesmo tempo que traça um panorama dos grandes “filmões” de verão que agora estão espalhados ao longo do ano devido ao calendário cada vez mais apertado.

Mas enquanto a indústria segue entre sucessos e fracassos, para o público nasce uma nova oportunidade de valorizar o cinema indie, alternativo e de baixos orçamentos. Em um ano onde Moonlight, Corra! e Fragmentando custaram menos de 10 milhões cada, e um levou o Oscar e os outros dois encheram os bolsos de sua produtora, talvez seja a hora de voltarmos nossos olhos pra fora do circuíto dos arrasa quarteirões. E que tal dar uma olhada no que o cinema nacional tem de bom?

Exatamente nessa mesma época em 2016, enquanto o impeachment de Dilma Rousseff acontecia no Brasil, a equipe do filme Aquarius realizava um protesto em Cannes. Foi o suficiente para o filme cair nos braços da guerra política do país. Se esqueceram do significado de um filme brasileiro estar concorrendo à Palma de Ouro, do mais importante prêmio do cinema, e partiram pra um debate sem fundamento ou vencedor. A verdade é que Aquarius é um belíssimo filme e dá pena de quem se fecha em um mundinho de paranoia e não abre o coração para a arte.

Foi nessa época que ouvi falar sobre Kléber Mendonça Filho, pernambucano que já foi crítico de cinema e hoje é quem está no paradão: com dois filmes no currículo e alguns documentários, em 2017 Kléber vai presidir júri da Semana da Crítica em Cannes. Olhar para o talento desse cara não é algo pedante do tipo “vamos apoiar esse brasileiro“, mas sim “ele tá aqui do lado fazendo bons filmes e a gente não tá vendo“. Além de Aquarius, Kléber Mendonça dirigiu O Som ao Redor em 2012, e ambos os trabalhos rodaram o mundo levando prêmios em festivais.

Sobre Aquarius já deixei aqui um relato sobre ele, mas o que realmente me encantou foi O Som ao Redor. Que filme incrível! Essa investida do diretor em um relato de observador do cotidiano é muito atrativa. Sua câmera parece buscar os pequenos gestos e sons e expor sua importância dentro do todo. Claro, sua história sem grandes plots que forçam o filme a andar pode causar certa estranheza, mas não se engane, tanto Aquarius quanto O Som ao Redor estão recheados de temas e denúncias da cidade onde Kléber nasceu.

Seu próximo trabalho, porém, tem ares de ficção científica e fantasia, e foi em Cannes que ele falou sobre o que esperar de Bacurau.

“É um filme de aventura, um western, rodado no interior do Brasil. O filme se passa “daqui a alguns anos” e, mais uma vez, Tempo, História e homens e mulheres fortes de várias idades deverão fazer parte” [Omelete]

Bacurau ganhou um belo pôster:

A gente vive se perguntando porque não tem coisas legais saindo no Brasil.
Até tem, mas ninguém fica sabendo. E quando fica sabendo, faz cara feia. Então vamos prestar mais atenção nesses realizadores talentosos.

RECIFE FRIO: o diretor disponibilizou sua ficção científica na íntegra no Youtube.

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