Twin Peaks é, sem sombra de dúvidas, a maior obra da cultura pop em 2017

É indiscutível.

Luide
Luide
29 de agosto de 2017

Em junho de 1991 ai ao ar o último episódio da segunda temporada de Twin Peaks, deixando para o público um dos maiores cliffhangers da história da TV: o que teria acontecido com o Cooper? 26 anos se passaram desde então, e com o retorno da série muito se especulou quando esse personagem tão querido iria nos presentear novamente com suas obsessões por café e torta de cereja. Veio o primeiro episódio… o segundo.. então o terceiro. E o décimo quinto. E nada.

Nessa altura Dale Cooper já era Dougie Jones, e de uma forma bastante subversiva, Lynch e Frost tiraram da série seu principal personagem. E o mais notável: nos apaixonamos por aquele cara que só repetia as últimas palavras ditas em uma conversa. Twin Peaks fez com que o fã que esperou e teorizou nesses 26 anos fosse conquistado novamente, mas sem apelar única e exclusivamente para a nostalgia, mas sim por uma história ainda mais expansiva, explorando elementos que em temporadas passadas eram apenas citados ou pouco desenvolvidos.

É justamente isso que torna Twin Peaks a maior obra audiovisual de 2017.

Lynch e Frost criaram seu próprio universo e Twin Peaks sempre foi o centro disso tudo. Mas nesse retorno, eles simplesmente deixam a cidade a margem da história, e seus moradores transitam por entre os episódios como que uma lembrança que vem e vai. E é por isso que temos uma série que não se encaixa em nenhum formato, sua grandiosidade está acima do que temos hoje sendo feito em televisão. Mas isso nem de longe significa esquecê-los por completo: o episódio de despedida de Margaret Lanterman é de uma delicadeza e respeito a memória não apenas da atriz, que se foi antes da estréia desse retorno, mas também da própria personagem.

Twin Peaks fez da luta do bem contra o mal uma grande história, recheada de elementos fantásticos e humanos. Cópias e demônios se misturam a rotina de um casal e desavenças entre mãe e filha. É uma mistura quase improvável, mas tão bem executada que assusta. David Lynch e Mark Frost tem o total controle daquilo que é posto em tela, e essa segurança do que quer contar, permite que Twin Peaks tenha seu próprio tempo, e no fim das contas, dê aos fãs o que eles tanto querem, mas não quando eles querem.

O retorno de Cooper é uma cena tão simples, mas que embalada pela trilha de Angelo Badalamenti, arremessou o fã nostálgico de volta para 1991 e entregou uma cena já histórica. Mas apesar de ser exatamente isso o que todos esperavam, ficou aquele clima de despedida ao ver que Dougie era quem estava indo embora.

No próximo domingo, em um episódio duplo, Twin Peaks se despede depois de 18 impecáveis episódios. Não foi um blockbuster, muito menos fez com que milhões de pessoas se descabelassem por uma teoria, mas é sem a menor sombra de dúvidas, a grande obra de 2017.

Como começar a assistir Twin Peaks?

A temporada disponível na Netflix não é a primeira da série. Nesse post explico exatamente o que você precisa ver antes de dar o play nesse retorno.

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