Twin Peaks e as 18 horas mais bem gastas de 2017

18 horas para não se esquecer. E bom, é mesmo impossível de se esquecer...

Luide
Luide
12 de setembro de 2017

…e então Carrie Page (ou Laura Palmer) olha para a casa que um dia foi de seus pais e grita. As luzes se apagam. Sobem os créditos. A terceira temporada de Twin Peaks chega ao fim. Foram 18 episódios ou 18 horas? David Lynch e Mark Frost pouco se importaram para qualquer tipo de regra disso ou daquilo, e realizaram a obra audiovisual mais importante de 2017. A melhor. A maior. A mais genial. Aquela que irá, sem a menor sombra de dúvidas, influenciar uma geração de diretores, roteiristas e artistas pelos próximos anos. Ou até mesmo décadas. Assim como a série de 1990, toda simplória, mas ao mesmo tempo grandiosa.

Assim que Parte 18 acabou foi natural correr para as redes sociais e tentar entender o que estava acontecendo. Sério que acabou assim? Bom, não dava pra esperar outra coisa de Twin Peaks. O David Bowie “voltou” como uma chaleria falante…. De qualquer forma, apesar de toda aparente maluquice da mente de Lynch, Twin Peaks possui sua lógica interna e seu universo é sim bastante coeso. O final é um desses momentos que a televisão irá guardar pra sempre.

O que aconteceu com Tony Soprano? Estavam todos mortos em LOST? Dale Cooper está em uma realidade alternativa?

Do meu ponto de vista, os anos 2015 e 2016 terão significado o apogeu criativo da televisão norte-americana. Depois que passarmos dessa etapa, notaremos um claro declínioforam as palavras de John Landgraf, CEO do FX, ditas em 2016. Ele não esperava por Twin Peaks. Aliás, ele não esperava por 2017. Em um ano com The Handmaid’s Tale, The Leftovers e Better Call Saul, não daria pra imaginar que algo tão assustadoramente brilhante quanto esse retorno de Twin Peaks ainda poderia surgir. Bom, na verdade, quem acompanha a carreira de David Lynch há algum tempo imaginava. Eu, ignorante, fui descobri-lo enquanto autor de séries somente esse ano, quando o barulho em cima desse retorno ficou insuportável.

Na primeira vez que falei sobre Twin Peaks, minha principal empolgação era a respeito dos personagens e suas relações com aquele mundo: uma cidade interiorana, pequena e cheia de mistérios. Mas esse Retorno coloca tudo sob uma nova perspectiva. É tudo elevado a décima potência: os pequenos momentos e vícios mundanos estão ali, mas Lynch e Frost expandem ainda mais a ideia da série o que ela representa. O bem vs mal aqui ganha contornos místicos e até mesmo de ficção científica. Twin Peaks explica e exemplifica aquilo que é impossível de entender e enxergar.

Foram os 18 episódios (ou 18 horas?) mais importantes da cultura pop em muito tempo, e momentos que serão impossíveis de esquecer. Personagens, histórias, mistérios, uma apresentação musical aqui e ali, pontas soltas, mas a sensação de ter acompanhado uma obra prima. Mais uma pra conta da televisão. Dizer que a tv é o “novo cinema” é bobagem, na TV tem tanta porcaria quanto no cinema. Mas nesse ano, nesse ano de 2017, desculpa sétima arte, mas a tela pequena sai vitoriosa graças à Twin Peaks.

Pra ler: o final de Twin Peaks explicado (sim, estão tentando explicar)
Pra ouvir: o podcast Cinealerta acompanhou a série durante os 18 episódios

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