A maior arma de Negan é a obediência baseada no medo

Service (S07E04) finalmente da sequência a história principal da série

Luide
Luide
15 de novembro de 2016

Repetição de tema é um problema em The Walking Dead. Você estabelece algo, deixa tudo muito claro e logo em seguida, volta pra dizer o mesmo. É o que aconteceu com Negan nos três episódios que ele deu as caras nessa sétima temporada. Sabemos que ele é perverso. Sabemos que ele provoca um jogo de terror em suas vítimas. Sabemos que ele tem o domínio da situação com uma tranquilidade demoníaca. Porém, a série insiste em nos dizer isso o tempo todo, e em Service (S07E04) é exatamente o que acontece.

Jeffrey Dean Morgan já mostrou o potencial violento do personagem lá atrás, na season finale do sexto ano. Já está mais do que claro até onde Negan pode chegar, e o pânico do primeiro episódio acabou com qualquer dúvida a respeito da sanidade do vilão. Acontece que desde então estamos vendo um mesmo nível de personalidade. É Negan que é muito cartunesco ou é Jeffrey Dean Morgan que não sai da mesma linha de atuação? Para fãs dos quadrinhos, acostumados com o personagem, pode estar tudo ok, mas vendo com os olhos de quem só conhece a série, estamos diante da mesma repetição de ações e situações.

Service é um episódio sobre o conflito que Rick está passando. Ele que sempre viveu com o peso de ser um líder e prover aos seus próximos, agora não consegue achar uma saída melhor para a situação senão a obediência. O maior ato de maldade que Negan proporcionou desde a morte de Abraham e Glenn foi ter feito Rick segurar Lucille. Um gesto simples e que passa um recado poderoso para todos de Alexandria. A submissão não vem apenas da força bruta, da agressão física, mas sim da tortura da mente. E Service é todo baseado nisso.

 Service (S07E04)

Desde Dwight tomando coisas de Rosita apenas por provocação, até as camas queimadas. Tudo isso é para desestabilizar os moradores da comunidade, e o mesmo está sendo feito com Daryl, mas em nível individual. Em algum momento ele pode se quebrar, se ajoelhar. É quando o limite chega.

O de Rick já chegou, porém Negan tem planos diferentes para ambos. No caso do protagonista, é puramente controle. Como gado. Você ensina que ele não pode sair do pasto, coloca cerca, se ela não funciona, adiciona eletricidade. Uma hora ele aprende que não deve lutar contra as ordens de seu dono. E se ele for bom, no final do dia terá um teto pra dormir. Daryl é um experimento.

The Walking Dead tem uma boa história para explorar, mas é uma pena que não consiga seguir uma linha única de eventos. Seria interessante acompanhar pequenas células rebeldes (Carl, Rosita, Michonne) dentro de Alexandria se organizando, mas é bem provável que nos próximos episódios isso nem deva aparecer. De todo modo, Negan já é um personagem mais do que estabelecido. É hora de explorar mais seu potencial, ir além da repetição.

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