Stranger Things: a cereja do bolo do discurso “no meu tempo era melhor”

Série retorna para sua segunda temporada lidando com os traumas de seus personagens.

Luide
Luide
27 de outubro de 2017

Gritos e aplausos marcam a exibição do primeiro episódio de Stranger Things em um evento organizado pela Netflix. Ao acender das luzes do cinema (ver série em tela grande é sempre uma experiência estranha), comentários e discussões tentavam enumerar as referências jogadas na tela pelos Irmãos Duffer. Está mais do que claro: Stranger Things se tornou o maior fenômeno cultural da Netflix e apesar de cedo pra esse tipo de comparação, é provável que já em sua segunda temporada a série rivalize em popularidade com Game Of Thrones.

Depois de uma primeira temporada impecável e 15 meses de espera, Stranger Things retorna precisando se manter no topo das conversas. A paixão dos fãs por cada item do vestuário mostra o peso desproporcional que ela ganhou. Com o nostalgismo cada vez mais em alta, a ideia do “no meu tempo era melhor” encontra fôlego em todo canto, de discursos políticos pregando à volta de uma dita moralidade, a cultura pop se referenciando o tempo todo em filmes, séries e o uso manipulatório de músicas pops. Stranger Things é a cereja desse bolo.

Chapter One: MADMAX (S02E01) é basicamente isso. O letreiro do cinema que anuncia Exterminador do Futuro, o apelido da nova personagem, os arcades, a música alta no carro. Tudo pra você não esquecer que estamos nos anos 80. Mas Stranger Things ainda tem assuntos sérios para tratar e o trauma é o tema que percorre todo esse episódio de estreia. Joyce, Will e os pais de Barb são aqueles que ficaram com as cicatrizes mais profundas dos acontecimentos da primeira temporada.

O simples tocar de telefone catapulta Joyce direto as lembranças do sumiço de Will e seu desespero. Talvez o ponto alto da temporada passada, Winona Ryder dá um peso dramático a personagem e uma inquietação constante. Não é tão simples assim reorganizar a vida depois que seu filho literalmente voltou do inferno. Ao mesmo tempo, Will nem de longe está recuperado da experiência que passou e precisa conviver com o monstro que insiste em bater à sua porta. Uma experiência traumática pode levar anos para ser superada.

Porém ambos precisam se reintegrar a sociedade, e enquanto Joyce concilia trabalho, casa e sua relação amorosa, Will volta à escola e se torna o centro de olhares e provocações. A grande dificuldade é normalizar a vida depois do que não apenas ambos presenciaram, mas todos ao seu redor. Will precisa digerir sozinho o que passou, e a grande dúvida de sua mãe (eterna protetora) é qual seu papel nesse processo.

Stranger Things sabe muito bem o que sua audiência espera ver nesse segundo ano, mas se recusa a abrir mão de momentos poderosos e bem construídos. São nove novos episódios e agora fica a questão: Stranger Things seguirá se portando como uma homenagem aos anos 80 ou se tornará uma paródia de si mesma?

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