Seja o Capitão Fantástico dos seus filhos

E cuidado com a "bolha da criação"

Luide
Luide
10 de janeiro de 2017

Nai, Zaja, Bodevan, Rellian, Kielyr e Vespyr.

A imagem de uma galinha protegendo seus pintinhos embaixo das asas é bastante usada lá no meu interior para ilustrar pais que protegem e criam filhos dentro de uma bolha. Quando criança e adolescente sempre tratei isso como exagero, excesso de proteção, e que a função dos pais era educar o máximo possível, e deixar que eles tomem suas próprias decisões. Besteira, logo que me tornei pai percebi o quanto é difícil não seguir por esse caminho.

A Alice tem apenas 8 meses, mas volta e meia me pego pensando em como será cada ano de sua vida, até mesmo sua fase adulta. O que ela irá gostar, o que ela irá vestir, o que irá comer e com quem vai se relacionar. É preciso calma para e me lembrar sempre que minha filha é um indivíduo e minha função é mostrar os caminhos, e tentar o máximo possível fazer com que ela escolha os melhores. Pra ela.

Capitão Fantástico é um filme que me toca de uma forma bastante pessoal. Ver os esforços de um pai para criar seus filhos da maneira que ele acredita ser correta, e se dedicando de corpo e alma para ser alguém presente, uma fonte de inspiração, a figura paterna forte, sábia, e que os filhos sabem que podem contar, me inspira e muito. É claro que os caminhos apresentados no filme servem para mostrar que até mesmo as melhores intenções tem seus equívocos, e Capitão Fantástico sabe brincar com esses absurdos.

De caçar a própria comida a trocar o Natal pelo “Dia de Noam Chomsky“, o pai Ben (Viggo Mortensen), instituiu sua própria “bolha” para os filhos Bodevan, Kielyr, Vespyr, Rellian, Zaja e Nai. Estranhou os nomes? Eles são únicos, uma forma de ilustrar que essas crianças também são. E todo esse círculo criado por Ben será questionado quando as crianças se confrontarem com algo que questiona tudo que os pais irão ensinar aos filhos: o mundo lá fora.

O pai tem a absoluta certeza que sabe o que é melhor para os filhos, e que suas vidas estão na mais completa sintonia com o corpo, alma e natureza. Nada pode ser melhor que ter um excelente físico e poder explanar sobre a Constituição dos Estados Unidos. Mas isso é o que Ben acredita ser o ideal. Assim que um evento tira a família de sua zona de conforto, ela passa a encarar como as coisas aqui fora funcionam. O choque cultural é imenso.

É então que ela passa a se questionar. Nada é pior do que se imaginar como um mal pai/mãe. E é nesse espaço que a grande lição de Capitão Fantástico acontece. Nada de ideologias sobre isso ou aquilo, mas sim em quanto ser responsável pela criação de alguém é uma das missões mais complexas dadas ao ser humano.

Um delicioso fardo, é verdade.

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