E se a prisão de Orange Is The New Black não for o que você imagina?

Uma nova forma de olhar para essa série.

Luide
Luide
16 de junho de 2017

Dia desses li um ótimo artigo chamado “Como ‘Orange Is the New Black’ deturpa os presídios femininos e por que isso importa“, mostrando que a série da Netflix está longe de representar a realidade dos presídios femininos americanos. É uma crítica válida, mas em hipótese alguma deve ser usada para inferiorizar a obra. Afinal, estamos diante de uma ficção, e mesmo que toda (boa) ficção seja um reflexo da sociedade, Orange Is The New Black está mais interessada em refletir uma outra realidade: a humana.

Há algum tempo olho de forma diferente para OITNB. A prisão exerce mais um papel simbólico, e suas personagens vivem cada uma sua própria redenção. Basta olhar como ao longo de cinco temporadas, a série trata de forma paralela o antes e o agora das prisioneiras, colocando cada uma delas em situações diferentes de opressão para que transcendam a si mesmas, e enxerguem onde, quando e porque erraram, ou do porque estarem ali.

A verdade é que todas, em maior ou menor gravidade, erraram e estão pagando pelos seus erros (aliás, esse “erro” nem sempre é o crime em si). Esse fato as colocam no mesmo patamar, e faz com que elas pratiquem o dom da empatia, e portanto, se ajudem umas as outras. Não é raro ver uma prisioneira abrindo mão do seu próprio prazer para ajudar uma companheira que precisa.

Agora, é interessante notar que, ao usar flashbacks, OITNB estabelece que essas mulheres não são simplesmente “prisioneiras”, fugindo assim de estigmatizá-las como criminosas sem alma. O passado é importante para entender as ações no presente.

Sendo assim, a prisão de OITNB não precisa refletir uma realidade, não é (ou ao menos não me parece que seja) o papel da série em servir como uma denúncia contra o sistema. A prisão poderia ser substituída por uma ilha, por exemplo, que tudo poderia ser explorado com a mesma carga dramática. O que é preciso ser levado em conta é que todas estão isoladas no mesmo lugar.

E por ser uma série tão inclusiva e diversa, OITNB tem o privilégio de explorar diversas histórias de diferentes mulheres. Aliás, é possível dizer que poucas obras conseguiram colocar em tela tantas cores, formas, etnias e gêneros como OITNB. Muito se fala de Sense8, mas não podemos deixar de lembrar depois da Casa Branca, a prisão de Litchfield foi a segunda parada da Netflix na investida com séries originais.

O quinto ano começou de uma maneira interessante: a rebelião é uma outra forma de seguir investigando essas mulheres. A inversão de papel pode render ótimos momentos: há quatro temporadas sendo oprimidas, agora elas tem o poder. Ao menos, um poder temporário e controverso. Mas tem.

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