Rogue One: o lugar dos esquecidos pela guerra

Nós nos lembraremos...

Luide
Luide
16 de dezembro de 2016

A maior riqueza de Star Wars está no universo de possibilidades deixados por George Lucas. Uma herança de luxo. É algo tão gigantesco que as duas primeiras trilogias não deram conta de preencher o imaginário dos fãs. Coube a eles beberem de outras fontes, como a literatura, games, televisão e etc. Teorizar o que teria acontecido com determinado personagem, discutir algumas decisões de Lucas, ou apenas sonhar com aquela situação citada em certo episódio: assim foi a vida do fã de Star Wars nas últimas décadas.

Nas mãos da Disney esse “universo de possibilidades” se torna realidade, e Rogue One é o primeiro dessa nova onda de filmes que irão finalmente dar vida ao “e se…“. É praticamente uma fanfic ganhando forma de cinema. Nesse caso, as linhas do texto que abre Uma Nova Esperança se tornam uma história de duas horas. “E se a gente contasse como foi o roubo dos planos da Estrela da Morte…“.

Gareth Edwards, conhecido por fazer um filme do Godzilla sem o Godzilla, é esse fã que ganhou alguns milhões do Mickey para brincar com seu brinquedo favorito. O mais interessante é que tudo isso ainda só é possível graças a mente criativa de George Lucas, e mesmo que alguns fãs tenham essa facilidade em falar mal do cara que criou aquilo que eles amam, é preciso dar o braço a torcer e agradecer por essas pequenas pontas soltas, que hoje se tornam longa-metragem.

Sendo assim, Rogue One é mais do que um simples filme de ação no espaço, é mais do parte de Star Wars, é um presente pro fã que fechava os olhos e imaginava o “e se…“. Prato cheio para aqueles que gostam de caçar easter-eggs e referências, um deleite aos olhos dos mais apaixonados. E tem mais. Apesar da obsessão recente por filmes mais “adultos” e “sombrios” estar destruindo algumas  boas histórias, Rogue One não cai nessa armadilha. Star Wars é uma fantasia aventuresca, que de Guerra, até em então, tinha apenas o nome e algumas batalhas entre naves. Aqui eles realmente constroem essa narrativa, um pouco mais urgente que os outros filmes? Sim. Mas é só.

Rogue One é sobre os heróis que ficam no rodapé da história. Aqueles que desembarcaram na Normandia e morreram antes de pisar na areia, dos mutilados, esquecidos. A guerra não é simplesmente uma batalha romântica entre o bem e mal, e como bem lembrado por Cassian Andor, alguns de seus homens fizeram coisas terríveis em nome da Rebelião.

Sem sabre de luz e a Força, restam as armas de fogo, a estratégia, os infiltrados e principalmente o sacrifício. Alguém precisa sujar as mãos e ficar pra trás. É o sacrifício que da origem a esperança, palavra que percorre o filme, sendo dita de maneira repetitiva. Esperança, esperança e esperança.

Já memorável graças a uma cena que transforma um imaginário em realidade (finalmente aquele personagem em ação mais agressiva), Rogue One é realmente uma “história” sobre Star Wars. É uma batalha entre tantas que compõe uma guerra. O lugar reconhecido nessa aventura que começou a tanto tempo, em uma galáxia muito distante.

Aos esquecidos, o seu lugar na história.

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