Sobre a segunda temporada de The Leftovers

Seja bem vindo a Jarden, Texas

15 de dezembro de 2015

É com a belíssima canção de Iris DeMent, “Let The Mystery Be“, que somos transportados novamente o universo de The Leftovers, que em seu segundo ano ganhou uma nova abertura, bem menos assustadora que a primeira (que sinceramente, me causava calafrios). Damon Lindelof isola alguns dos melhores personagens do primeiro e ano e os transporta para um novo ambiente e sem dúvidas melhora demais o ritmo da série.

O primeiro ano de The Leftovers é bem metido, onde cada linha de diálogo precisa ser uma poderosa analogia. Muitas vezes Lindelof parece se preocupar mais com a repercussão pós episódio (todo mundo saindo em busca dos significado do que assistiu) do que com ele em si.

Mas o segundo ano de The Leftovers melhora em muitos aspectos. Como já falei aqui, tecnicamente é uma série quase perfeita, e mesmo que a HBO não seja mais aquele canal que mudou a TV anos atrás, ainda mantém uma qualidade única em suas produções. Da belíssima trilha sonora a uma fotografia poética, Leftovers é um encanto aos olhos e ouvidos. Aliás, é preciso falar mais a respeito de sua música tema que passeia por todos os episódios.

Trilha sonora que manipula o espectador a sentir algo que o diretor quer que ele sinta nunca é bem vinda. Mas é engraçado como em The Leftovers a música nunca nos conduz a um determinado sentimento. Ela é usada em tantas ocasiões diferentes que o baile de sensação é gigante, sem dúvidas uma das grandes músicas originais de séries.

No segundo ano de Leftovers o mistério sobre a partida repentina é ainda menos discutido. Aliás, foi até interessante em determinado momento da série quando um cientista aparece e tenta dar alguma explicação ridícula sobre o que teria causado a partida de 140 milhões de pessoas. É importante pra trama não se apegar a explicações sérias e racionais, e o uso clichê do “cientista maluco” é proposital para mostrar que Leftovers não é sobre isso.

O elenco é incrível, mas subaproveitado. Personagens como Matt, NoraLaurie deveriam ser mais presentes, mas entra o que pra mim é um problema da estrutura de Leftovers: a divisão de episódios. Ao invés de contar tudo em uma única linha, Lindelof prefere seriar cada momento em tela de seus personagens. Então é comum que alguns deles fiquem até seis episódios sem dar as caras (como foi o caso de Meg). Kevin Garvey é uma montanha russa cheio de altos e baixos. O personagem praticamente some pra ter sua trama acelerada nos episódios finais. Uma pena o roteiro seguir assim. Mas é aquela coisa do gancho pro próximo episódio que a gente conhece bem…

Quando Leftovers vai rumo a cidade de Jarden, a única no mundo com mais de 5 mil habitantes onde ninguém partiu, a série fica sob outra perspectiva. Alguém realmente foi poupado dessa dor? Uma pena que a cidade teve poucos personagens explorados, gostaria de saber mais a respeito de John Murphy, por exemplo, que age como uma espécie de vigilante de sua pequena cidade que virou templo de peregrinação.

O universo criado em Leftovers é realmente interessante, é o tipo de série cujos conceitos ali criados te faz pensar por horas após deitar a cabeça no travesseiro. Tudo porque é nítido que as coisas ali contadas por mais absurdas que possam parecer são todas tiradas diretamente do nosso dia dia.

Renovada para uma terceira e última temporada, Leftovers tem mais 10 episódios para encerrar sua história. Pouco importa resoluções e respostas, como um bom drama, o foco sempre é voltado para seus personagens. Espero que o fantasma de LOST não ronde Damon Lindelof como um Remanescente Culpado.

One Punch Man é pra fazer rir qualquer fã do gênero (ou quem já não é mais tão fã assim)

Senhores e senhores, o maior super herói de 2015

14 de dezembro de 2015

Pra quase tudo nessa vida existe uma fórmula pronta a ser seguida na hora de criar algo. Acontece no cinema, nos quadrinhos, nas séries e nos animes. Os poucos que conseguem fugir desse básico acabam se tornando referência. Há filmes que mudam a indústria (Cidadão Kane, Poderoso Chefão, Star Wars), séries tornam a tv um berço de qualidade (Sopranos, Breaking Bad), quadrinhos que revolucionam a linguagem (O Cavaleiro das Trevas, Watchmen).

Mas para cada obra prima que nasce, outras mil são publicadas, então é normal muitas vezes abandonarmos algo pelo cansaço de ver sempre a mesma coisa. Comigo aconteceu com os animes, que praticamente me criaram na década de 90, mas hoje me despertam pouquíssima curiosidade. Mesmo o retorno de clássicos como Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball não me fisgaram até o fim. Dois ou três episódios e lá estava eu, cansaaaado…

Então descobri One Punch Man. E cara… UAHUAHUAHUAHUAHUAH (desculpem).

Web série de 2009 que se tornou anime recentemente, One Punch Man é uma das coisas mais legais vinda do Japão em muito tempo. Mas cuidado: se você não é fã do gênero talvez não ache One Punch Man tão legal assim, já que ele funciona mesmo como uma grande piada a toda essa cultura de super heróis e monstros japoneses que destroem cidades a deus dará.

Existe um cara chamado Saitama que cansado de tentar arrumar emprego resolve realizar o sonho de infância e se tornar um super herói. Simples assim. No universo em que One Punch Man se passa, monstros são tão comuns que se tornam parte do cotidiano e as razões para eles existiram são as melhores. A sátira a toda essa estrutura básica de histórias de super heróis (seja anime ou quadrinhos) e vilões começa daí, com a origem de seus poderes e megalomania típica.

Vilão que é vilão tem sempre um discurso de 20 minutos na ponta da língua

Saitama treina tanto, mas tanto, que acaba perdendo seus cabelos. No primeiro episódio ele enfrenta um monstro siri que ficou daquele jeito depois de comer muito… siri. E está furioso porque um garoto desenhou mamilos em seu peitoral. É tudo assim: uma galhofa proposital. Saitama pode derrotar qualquer inimigo com apenas um soco (aí o nome do anime) e vive uma crise existencial por isso, o dilema do super herói, aquela velha história de grandes poderes e grandes responsabilidades.

Tudo ali é posto para soar como uma grande ironia e mostrar o ridículo da coisa, só o fato do herói principal precisar de apenas UM SOCO pra derrotar seus inimigos já vale tudo (Goku e Seiya choram).

O anime também brinca com essa necessidade japonesa de dramatizar tudo no mais elevado grau possível. A uma cena divertidíssima onde um cyborg pede para que Saitama o treine, lá pelas tantas ele resolve contar sua história de vida. Aquela papaiada de sempre, em que o garoto passa um por um trauma e resolve treinar para se tornar mais forte e blá blá blá. A maneira como o próprio Saitama reage é como eu me sinto vendo essas coisas hoje em dia. PQP, resume isso em 20 palavras!

Outro grande momento do começo do anime é quando um dos monstros fica incomodado com o desprezo de Saitama para o seu discurso vilanesco. É aquela coisa muito conhecida em Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo, em que a cada golpe tínhamos 5 minutos de diálogos como “esse é meu golpe mais poderoso” ou “sinta a fúria do meu golpe“.

One Punch Man é pra tirar gargalhadas dos mais atentos já que muitas referências são jogadas o tempo todo. Quanto mais bagagem você tiver de animes, mais achará graça. Saitama é o grande super herói de 2015 e para nós, filhos dos clássicos da TV Manchete, sem dúvidas umas das melhores estreias do ano, afinal, não é todo dia que um super herói fica careca de tanto treinamento.

O Netflix vai dominar o mundo | BADA BING! Podcast

No S01E05 do BADA BING! é hora de debater a agenda de dominação do mundo do Netflix

14 de dezembro de 2015

Uma produção original estreando a cada 15 dias” essa é a promessa do Netflix para 2016. Se em 2015 com suas 16 estreias o serviço de streaming conseguiu quebrar a internet, imagina quando isso DUPLICAR. O mundo não é o bastante para essa empresa de apenas 18 anos de existência, que começou sua expansão apenas há 4 anos atrás quando foi para o Canadá.

Hoje presente em mais de 60 países e com mais de 65 milhões de assinantes, o Netflix quer ser muito mais que um simples depósito de produções de terceiros. Eles querem tudo. Eles querem o mundo.

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Eu confio em Capitão América: Guerra Civil

Joe e Anthony Russo podem ditar o tom dos próximos filmes da Marvel até a esperada Guerra Infinita

10 de dezembro de 2015

Já são dois filmes com a equipe toda reunida, com os quatro principais integrantes dos Vingadores reinando em dois filmes solos cada um (isso se você considerar o primeiro Hulk, rs). Lá se vão 8 anos desde que a Marvel deu início ao seu universo cinematográfico (que infelizmente se expandiu pra tv, mas isso é outra história) que, mais do que consolidado, é influência para outros estúdios e sinônimo de qualidade. O que ela fez sob o comando da Disney é digno de aplauso: comercialmente uma estratégia brilhante e também um marco na cultura pop.

Porém é fato que após Homem de Ferro 3, Thor 2 e Era de Ultron o espectador sente falta de filmes mais ousados com aquele ar autoral do diretor. Não é por menos que O Soldado Invernal é talvez o grande filme da Fase 2 da Marvel, mesmo Guardiões da Galáxia ainda sendo o meu favorito.

Tudo porque a direção dos irmãos Joe e Anthony Russo mostrou que é possível, mesmo dentro de um estúdio que pertence a Disney, criar histórias que vão além de robôs e alienígenas megalomaníacos. E o bom trabalhado feito em 2014 é que pode trazer aos próximos filmes dessa Fase 3 um novo tom para a grande e derradeira batalha em Guerras Infinitas.

Um dos pontos principais da direção dos Russo em Soldado Invernal foram as excelentes cenas de ação. É até um exercício de percepção descobrir o que é ou não efeitos especiais. Um bom trabalho de câmera e edição transformaram uma luta com facas em uma das melhores de todo universo Marvel.

Essa boa coreografia pode ser vista em um rápido momento do trailer de Guerra Civil quando o Capitão e o Soldado lutam contra o Homem de Ferro. Sim, existe bastante CGI ali, mas na boa, ficou tão bem feita que parece realmente executado pelos três atores. Aliás, todo o trailer realmente tem cara dos Russos.

Quando eles partiram para um lado mais político desse negócio de super seres em Soldado Invernal, ficou claro que queriam se aprofundar mais nas consequências que isso traria para o mundo. É totalmente diferente do tom de Thor 2, por exemplo, com uma invasão alienígena em Londres. Essa “seriedade” quando comparada aos outros filmes é muito bem vinda. Eu sei, eu sei, no final é um filme de super herói, mas não precisa ser sempre a mesma coisa.

A Guerra Civil dos quadrinhos tem seus motivos mais complexos, mas até agora o que parece motivar a dos cinemas é justa e estava na hora de acontecer. O governo voltar os olhos para atividades de super seres é mais do que necessário para seguirmos com esse universo, poxa, não é possível que depois de tanta merda ninguém iria dizer nada.

O Homem de Ferro ser a favor do registro faz sentido. Ele foi o primeiro a ser procurado por Fury, foi ele quem construiu a Torre em Nova York que foi base para ativar o portal de Loki e por fim, foi ele quem deu vida a Ultron. Ele tem sangue nas mãos e precisa baixar a cabeça em algum momento.

O Soldado pensou o óbvio: PORQUE NÃO TIRAR A PORRA DA BATERIA DESSE CARA?

O Capitão veio de uma era mais romântica e lutou a última guerra onde o bem e mal estavam bem claros. Então essa visão que ele pode ter de si mesmo e do que seus amigos fazem é bem interessante para fazer contrate com Tony Stark.

Tenho total confiança dos Russos e acho que eles conseguiram o que nenhum outro diretor conseguiu até hoje dentro da Marvel: ser autoral. Lembre-se o que aconteceu com Edgar Wright em Homem Formiga

Mesmo com Thanos sendo o grande antagonista da Marvel, eu gostaria de ver a Guerra Civil com o fim da Fase 3, o fim de tudo, dando início a um novo levante de super heróis. De qualquer forma, não da pra não sonhar com um futuro promissor depois que o Homem de Ferro e o Capitão América acertarem suas contas.

Mr. Robot e Narcos são indicados a Melhor Série Dramática no Globo de Ouro

Premiação rola dia 10 de janeiro e mostra seu interesse por estreias

10 de dezembro de 2015

Eu bati cabeça de ódio por The Affair seque ter sido indicada a alguma coisa pro Emmy 2015, mas pelo menos no começo do ano ela venceu o Globo de Ouro em Série Dramática e deu para Ruth Wilson o prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática. A verdade é que o Globo de Ouro se interessa bastante por estreias e volta e meia indica algumas que foram badaladas pelo público e crítica.

Esse ano durante o anúncio de indicados a premiação de 2016, a boa surpresa ficou por conta de duas das melhores e mais comentadas estreias do ano: Mr. Robot do canal USA e Narcos do Netflix. Mas se por um lado o Globo de Ouro olha para os novinhos, por outro comete alguns erros, como deixar de fora a última temporada de Mad Men. Se existe justiça no mundo, a série de Matthew Weiner deveria ganhar até no par ou ímpar, é a última série 5 estrelas que tivemos o prazer de acompanhar. Enfim, quem sou eu pra falar de injustiças

São apenas 5 séries indicadas para Melhor Drama então é meio que esperado que muita coisa boa seja deixada de fora. A lista completa de indicações ainda tem Game Of Thrones, EmpireOutlander. De fato não da nem pra chutar quem leva essa. Enquanto temos Game Of Thrones, recém vitoriosa do Emmy, e que fez um quinto ano espetacular (ainda sim inferior a sétima de Mad Men), temos as novidades Mr. Robot e Narcos correndo por fora. Não ficaria surpreso caso uma delas leve.

A lista de Melhores Séries de 2015 do Amigos do Fórum está próxima, mas já adianto que Mr. Robot é a melhor estréia desse glorioso ano. Ninguém esperava uma série tão ousada vinda do USA e com um cara novinho como o Sam Esmail de showrunner, na boa, não da pra não lembrar do começo do século quando canais sem importância se mostraram grande criadores de dramas (FX, AMC).

Narcos: Wagner Moura pode ganhar por seu Escobar deprimido

Narcos é o maior sucesso do Netflix em 2015, em uma entrevista recente, o diretor de conteúdo Ted Sarantos deixou meio que escapar a informação. Quanto perguntado de como o Netflix se sentia tendo a segunda série mais vista do mundo (Narcos), ele rebateu dizendo que nada garante que ela não seja a primeira…

Além disso, tanto Wagner Moura quanto Rami Malek foram indicados para Melhor Ator em Série Dramática. A lista ainda tem Jon Hamm por Mad Men, Bob Odenkirk por Better Call Saul e Liev Schreiber por Ray Donavam (preciso ver essa série, me cobrem). Repetindo: se existe justiça, Jon Hamm deveria ganhar, mas sei não, sinto cheiro de prêmio pra Wagner Moura.

Bom, enfim, o “que vença o melhor” não se aplica muito a premiações como o Globo de Ouro. Vamos ver no que vai dar.

The Leftovers: o foco é em quem ficou

Apontada por muitos como um dos melhores dramas de 2015, The Leftovers espanta os menos dispostos a ler suas camadas mais internas

9 de dezembro de 2015

O efeito manada nada mais é que seguir um determinado grupo de pessoas que correm pra uma única direção, seja ela de ideias, opiniões ou determinados gostos. Pegando um exemplo em “nosso meio”, antes mesmo de Quarteto Fantástico estrear nos cinemas já tinha gente odiando o filme, isso porque a maioria dos críticos já davam a nota mínima. Eles seguiram a onda e ponto.

Eu segui uma pequena manada que apontava a segunda temporada de The Leftovers como um dos melhores dramas da tv em 2015. Resisti até onde pude e não deu: tive que parar tudo e começar a ver essa série. Quando ela estreou em 2014, a HBO estava toda badalada com o recém sucesso de True Detective e muita gente aproveitou e seguiu o efeito manada. “Opa, mais um drama original HBO com mistérios? Bora ver”. Eu fiquei de boaça.

Tudo porque o showrunner de The Leftovers é ninguém menos que Damon Lindelof, um dos caras por trás de LOST. Como vocês bem notaram, nunca toquei nesse assunto aqui no Amigos do Fórum. LOST foi uma série que passou e eu sofri calado, assisti alguns episódios e logo me desinteressei. Eu detesto essa pegadinha da “escalada do mistério”, que engana o espectador e o faz seguir assistindo a uma obra apenas pela curiosidade, não pela qualidade em si.

Então mesmo lutando contra meus instintos resolvi dar uma chance pra The Leftovers, o que é uma merda, afinal, tô vendo a primeira temporada pensando na segunda, que tá tudo mundo elogiando. Aliás, é quase unânime por parte dos fãs dizerem que vale a pena passar pelos 10 primeiros episódios, já que a série praticamente se transforma nos próximos.

A princípio, o que me deixou bastante aliviado com Leftovers é como a série trata o mistério inicial que leva pra algum lugar 2% da população da Terra. Em momento algum (ao menos até o quinto episódio no qual me encontro) isso é o ponto principal do roteiro. Leftovers é sobre quem ficou e não quem partiu. Outra vantagem é focar em uma cidade pequena ao invés de uma grandes metrópoles, assim, sempre teremos mais do comportamento humano pós “arrebatamento” do que um panorama geral de como o mundo ou sociedade ficou.

Como regra da HBO, Leftovers tem uma produção de dar inveja a qualquer outro canal. A emissora que deu início a uma nova era de ouro na tv não decepciona nunca no aspecto técnico. Aliás, a trilha sonora é uma das coisas essenciais para a imersão nesse universo proposto. É uma sensação que vai do alívio ao desconforto, sem dúvidas um dos pontos alto de Leftovers.

A trama em si não é confusa, não é cheia de mistérios que o próximo episódio precisa resolver (ou não), aquela coisa de sempre. Mas Leftovers é coberta de camadas e mais camadas de entendimentos, que podem variar dependendo do que você está disposto a entender. É nítido a relação entre fé, culto, cristianismo, céu e inferno. Em muitos momentos só mesmo recorrendo a comunidade chamada internet para refletir melhor sobre o que aconteceu.

Porém o problema de Leftovers é muitas vezes entregar apenas isso, deixar tudo meio simbólico, tipo “corre atrás pra entender isso aqui“. Às vezes é uma analogia meio óbvia, mas enfim, ainda falta algo. O elenco foi bem selecionado e a série desenvolve um cardápio de diferentes impactados pelo evento que levou mais de 140 milhões seres humanos pra algum lugar. Cada um carrega sua própria chagas e precisa lidar com esse mundo que ficou pra trás.

Ainda tá pra nascer uma série onde os filhos não sejam personagens insuportáveis…

É interessante notar como a falta de padrão nesse arrebatamento deixa tudo mais interessante e cria bons personagens, como um padre obcecado em mostrar que aquilo foi um teste de Deus para os que ficaram. Ou então os Remanescentes Culpados, uma das coisas mais bizarras em séries, parece coisa de Black Mirror.

Enfim, The Leftovers felizmente não pesa muito em misteriozinho, mas também está longe de ser um drama que surpreenda. Que venha o segundo ano.

É nosso dever se levantar contra o caso do Pânico na CCXP

A comunidade fãs de cultura pop tem o DEVER de ser a que mais pratica empatia

8 de dezembro de 2015

Jovens bilionários criadores de aplicativos e redes sociais, super heróis arrecadando bilhões nos cinemas, The Walking Dead batendo em audiência tv aberta no Brasil. O “nerd” não é mais visto com a mesma maneira pejorativa de 20 anos atrás. Pelo contrário, suas paixões agora estão populares, muita gente sabe quem é o Jon Snow e tem um Batman favorito nos cinemas. Gostar de filme, série, quadrinhos não é mais uma coisa restrita a um determinado grupo, é pra todo mundo.

Então cabe a esse “nerd“, “geek” ou seja lá o nome que você prefira usar, acolher bem a todos que estão chegando e compartilham de seus gostos. Cabe a ele que antes era visto como o estranho, o chato e o digno de pena sentir empatia pelo próximo. Se levantar perante uma injustiça, sentir apreço pela diversidade, entender a dor do próximo.

O que aconteceu na Comic Con Experience foi algo que ao mesmo tempo causa indignação, mas também um certo alívio de ver essa comunidade que me sinto parte completamente solidária a garota assediada. O que os “repórteres” do Pânico fizeram não é algo que deva ser deixado pra lá, que mereça panos quentes. É algo que merece toda nossa atenção e reflexão, afinal, não é a primeira vez que isso acontece.

A Comic Con Experience é o evento onde mais me sinto a vontade e incluído. Babar perante um action figure e saber que ninguém ali irá te julgar é um sentimento bom. Ver pessoas fazendo fila pra tirar uma foto com o cosplay de Dath Vader e achar aquilo completamente normal. Olhar um marmanjo de 40 anos chorando ao ver Frank Miller e também ficar com os olhos cheios de lágrimas. Ali, naquele ambiente, nós somos um só, pessoas que tem ídolos que só existem em quadrinhos ou cinema. Ali todo mundo tem ciência que NÃO, não é “só um filme” ou “só um anime”. É muito, muito mais do que isso.

E é esse entendimento que deveria nos fazer respeitar ao máximo quando uma pessoa resolve se vestir igual ao seu personagem favorito. É entender que aquilo não é um convite, se a garota usa um cosplay de Morrigan os motivos só cabem a ela. Isso não significa que você tem o direito de tocá-la, de assediá-la, de lambe-la.

Leia também: Nota de repúdio ao programa Pânico na Band

O que aconteceu na CCXP não foi um “momento de calor”. O pensamento de que se a garota estava usando aquela roupa e “pintada de verde”, é porque queria ser lambida, tocada e ouvir coisas como “não tinha louça pra lavar não?” é modo operandis pra alguns. Se dentro do próprio eventos muitos ainda insistem nessa linha de raciocínio, imagina para quem não tem conhecimento algum do que está acontecendo ali? Poxa, se a garota está usando um cosplay de Poderosa é porque é puta, não deve ter outra explicação né? Ela tipo é proibida de simplesmente QUERER fazer aquilo.

Mas isso é uma guerra minha, sua, de todo mundo. Nós devemos ser os primeiros a nos levantar contra esse tipo de coisa, nós devemos nos colocar no lugar do amigo ao lado e tentar entender o que ele sente.

Não, o mundo não está ficando chato porque nem todos riem mais de suas piadas. O mundo está cada vez melhor, mais livre, e se você tem o direito de fazer uma piada merda envolvendo mulher e louça suja, as pessoas tem o mesmo direito de se ofenderem. O humor não pode ser usado como desculpa para disseminar preconceito e ideias erradas. Você consegue imaginar George Carlin usando essas muletas pra fazer humor?

Não foi engraçado, não é engraçado e nunca será engraçado.
Essa guerra é nossa.

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