Amigos do Fórum - Página 8 de 333 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Robin Wright está mais do que certa em exigir igualdade salarial em House Of Cards

Atriz exigiu salário igual ao de Kevin Spacey. É o básico do básico

19 de maio de 2016

O protagonismo masculino é um reflexo óbvio da nossa sociedade, mas na televisão vai um pouco além disso. Quando David Chase criou Sopranos, que iria influenciar pra sempre o modo de fazer série, grande parte da personalidade e traumas de Tony Soprano foram baseados nas próprias experiências de vida de Chase.

Depois que a fórmula do homem difícil e problemático foi estabelecida, as coisas apenas seguiram seus rumos e pra variar, o protagonismo para mulheres também foi esquecido, agora, na televisão. Mas basta um olhar atento nas produções dos últimos anos para notar como a mulher deixou de ser a dona de casa entediada que aguardava a chegada do marido.

Robin Wright dirige episódios de House Of Cards desde 2014. Em 2016 se tornou produtora executiva

Homeland, Orphan Black, ScandalHow to Get Away with Murder são exemplos de séries protagonizadas por mulheres poderosas. O fato é que o padrão criado em Sopranos independe do gênero e a televisão começa a entender isso. House Of Cards do Netflix aprendeu ao longo de suas temporadas, e hoje Claire Underwood tem o mesmo peso e importância na história que Frank.

É até compreensível Kevin Spacey receber mais que Robin Wright no início da série. Além do papel de Frank, Spacey é produtor executivo e esteve presente no desenvolvimento do projeto desde sempre. Porém a coisa muda de figura com o passar dos episódios. Robin Wright não apenas se tornou diretora –aliás, os melhores episódios da quarta temporada vieram de suas mãos–  mas também produtora executiva.

Sem mencionar o fato de Claire Underwood ser uma personagem que passou por uma evolução incrível. Da sombra do marido para se tornar sua maior ameaça, Claire é hoje tão importante pra série quanto Frank Underwood. Exigir igualdade salarial é o básico do básico nessa situação.

Sabemos que longe do mundo perfeito onde homens e mulheres tenham oportunidades iguais, o fato é que pela televisão presentear mais homens que mulheres para papéis de destaque, a diferença nos salários é até, digamos, “natural”. O protagonista acaba se tornando o foco central, é o rosto do ator que circula pra todo lado, é ele quem chama audiência. São negócios.

Mas em House Of Cards o rosto de Kevin Spacey acabou sendo ultrapassado por de Robin Wright. Em entrevista a atriz revelou que, estudando estatísticas da série, descobriu que Claire e Frank tinham o mesmo índice de popularidade, com Claire muitas vezes ficando a frente.

Eu disse que eu queria receber o mesmo pagamento que o Kevin. Foi o paradigma perfeito: existem poucos filmes ou séries de TV em que o protagonista masculino, patriarcal, e a matriarcal são tratados como iguais. E ‘House of Cards’ é uma dessas séries. Eu olhei as estatísticas e a personagem Claire Underwood foi mais popular que Frank por um período de tempo. Então eu falei: ‘é melhor vocês me pagarem ou eu vou a público’. E eles me pagaram

House Of Cards sem Claire é tão inimaginável quanto uma House Of Cards sem Frank.

O trailer da segunda temporada de Mr. Robot tinha uma mensagem secreta…

Fãs seguem pistas e desvendam mistério escondido no trailer de Mr. Robot

18 de maio de 2016

A melhor estréia de 2015, uma das séries que irão encabeçar uma nova revolução na televisão, um espetáculo de forma e conteúdo, Mr. Robot nem voltou pra sua segunda temporada e já está causando alvoroço. Um número de telefone no meio do trailer da segunda temporada levou os fãs a uma caçada que resultou em uma recompensava para os mais curiosos.

Tudo começa aos 41 segundos quando uma caixa de evidências aparece. Nela está um número de telefone:

Ao ligar para o número, uma voz do outro lado dizia:

Obrigada por telefonar para a linha de ajuda da E-Corp. Devido aos recentes eventos estamos com um volume acima da média de ligações. Para evitar espera e para mais informações visite a nossa página no www…. *SOM DE INTERFERÊNCIA* Para a luz brilhar mais forte a escuridão precisa estar presente *SÉRIE DE BIPS*“.

A série de bips foram traduzidas em As e Bs, e como a mensagem era atribuída a Francis Bacon, criador do código bacon, bastou interpretá-la usando o código para formar a palavra FSOCDOTSH que na verdade era a URL que sofreu intereferência na gravação: fsoc.sh

No site que aparentava ser da E-CORP sofre uma invasão e se transforma em um grande olho no centro de algumas letras e números. Esse olho fazia a seguinte sequência: 4C4F4F4B205550. Convertido do hexadecimal para ASCII a mensagem transmitida era LOOK UP (olhe pra cima).

Ao deixar o cursor no topo da página (olhando pra cima), ele começava a piscar em código morse, mais uma vez revelando outra frase: LEAVE ME HERE (deixe me aqui). No rodapé da mesma página existia um formulário, que quando preenchido com essa frase (que na verdade era uma senha), o usuário era redirecionados para o site whoismrrobot, que premiou os primeiros 509 curiosos com agasalhos da Fsociety.

Um espetáculo pra aquecer os ânimos para seu retorno tão aguardado.

Via Spoilers

Hannibal Lecter e a elegância do Demônio

Senhoras e senhores, a verdadeira personificação do mal

17 de maio de 2016

A maldade quase sempre é retratada como caricatura na cultura pop e vilões servem apenas para exaltar as boas qualidades do mocinho. A tragédia bíblica do bem contra o mal é a base da maioria das histórias, porém muitas obras se propuseram a debater em níveis mais reais o que difere um homem bom de um homem mau.

Os dramas da televisão foram pavimentados assim, com protagonistas longe de ser um bom exemplo pra sociedade, praticando atos criminosos, mas com aquelas justificativas como “é para o bem da família” ou “ele é vítima do ambiente onde vive“. E por mais que Walter White e Tony Soprano serem personagens condenados a perversidade, existia algo de bom neles. Veja, Tony Soprano era um assassino, mas amava sua família. O amor pode ser mal?

Santo Agostinho acreditava que o mal físico ou espiritual não existe, o que de fato acontece é um distanciamento do bem. Partindo desse ponto, pode-se dizer que tanto Walter quanto Tony se afastavam ocasionalmente do bem maior para praticar seus atos, justificados por uma moral distorcida. No geral, ambos não eram seres maus por essência.

Dito isso, Hannibal Lecter seria o mal em sua forma mais clara e simples. Um ser tão abominável que sua presença mais parece a descrição bíblica do próprio diabo. Apresentado muitas vezes como vaidoso e sedutor, o Demônio inspirou grandes vilões ao longo dos séculos, sempre dotado de uma finesa e elegância.

Ao invés de vermelho e chifres, a imagem sempre bela e seduzente do Demônio era comum no início do cristianismo, imagem essa que ainda ocupa parte do imaginário popular. A relação feita entre seres maus dedicados a sua maldade, donos de uma segurança e frieza única, não é gratuita.

Hannibal Lecter bebe dessa fonte. Mais do que simplesmente um devorador de carne humana, Hannibal tem em seu cardápio de vítimas aquelas que permanecem vivas, mas são destroçadas mentalmente. Sua adoração pela destruição de Will Graham remete ao próprio diabo tentando Jesus no deserto ao longo de 40 dias.

Você não quer Hannibal em sua cabeça” alerta Jack Crawford para Clarice em O Silêncio dos Inocentes. O psiquiatra canibal não pode ser rotulado apenas como um assassino, ele é a própria encarnação do medo, da dor, do mal. Sua maior brutalidade está nas palavras, nos olhares que parecem perfurar a alma daqueles que o encaram.

Sua preocupação com o terno bem cortado, o bom gosto para música e sua vasta sabedoria, é apenas um capa que torna o demônio vermelho que exala enxofre em um belo anjo de luz. A maneira como Hannibal consuma seus assassinatos ao preparar belíssimos pratos pode dar a impressão que existe uma razão, algo maior por trás de tanta carnificina.

Não se engane, o diabo é ardiloso, “a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito” (Gênesis 3:1). “Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44).

Hannibal Lecter, o Demônio.

Tem cenas que só Game Of Thrones faz por você

Book of the Stranger (S06E04) é mais um p*ta episódio de uma p*ta temporada

17 de maio de 2016

Breaking Bad foi uma série histórica por vários motivos (tipo isso ou isso), mas uma das coisas que transformaram a obra de Vince Gilligan em doce na boca do espectador era a mistura entre um drama de qualidade e momentos em que a única coisa a se dizer é PUTA QUE PARIU!

Lembre-se do fantástico episódio Fly, aquele da mosca, que se passa dentro do laboratório. Toda uma relação entre os dos principais personagens sendo explorada, indo a fundo nas emoções de Walter, falando sobre arrependimento, vida, morte. Uma momento inesquecível. Mas lembre-se também de quando Walter invade o cafofo de Tuco e explode tudo depois de dizer “this is not meth“.

Game Of Thrones também é cheia de momentos assim, de conflitos entre personagens, jogos de interesse e poder, e claro, Daenerys saindo intacta de um incêndio. São cenas que tornam a série um verdadeiro banquete aos olhos e coração.

Book of the Stranger (S06E04) é um episódio inteligente. Necessário para pontuar as principais tramas da temporada, ele corria sérios riscos de ser morno como The Red Woman, já que sua missão é justamente deixar o terreno plano para os próximos. Então temos três momentos importantes: Mindinho convencendo o pequeno Robin Arryn a marchar para o Norte, Cersei conseguindo finalmente uma aliança para atacar o Alto PardalRamsay Bolton declarando guerra a Jon Snow, em uma carta que descreve exatamente sua perversão e loucura.

E Book of the Stranger também é um episódio que fala com o coração por proporcionar um reencontro que estava sendo cozido há algumas temporadas. Sansa e Jon Snow juntos em um momento em que o abraço falou mais que palavras, já que o roteiro resolveu tratar anos de separação e uma relação turbulenta entra a filha legítima e o bastardo de maneira mais leve, com ambos sorrindo.

De qualquer forma são cenas que enchem os olhos por entregar aquilo que nós esperamos e nunca acontece. Game Of Thrones tem disso e talvez a maioria dos nossos desejos nunca se realizem, como por exemplo ver Daenerys cavalgando a oeste e tomando o trono que é seu por direito.

A verdade é que essa peregrinação de Daenerys pela Baía dos Escravos foi uma experiência catastrófica. Não existe vácuo de poder, e a Khaleesi achou que conseguiria despertar o senso de liberdade naqueles que nunca foram livres. Ela agiu como George W. Bush atacando o Iraque, tirando um ditador do poder e deixando o país depois de alguns anos turbulentos. O resultado é a Al Qaeda iraquiana se tornando o ISIS, e na ficção tudo voltando a ser ainda pior, agora com a ameaça dos Filhos da Harpia sendo constante.

Daenerys agiu com a espada, por isso Tyrion é tão importante nessa sua conquista que mais parece uma espécie de vestibular para Westeros. O anão é quem dialoga, cria situações, explora outras fraquezas além das físicas. Ainda assim vale o aviso de Missandei sobre quem controla quem.

Book of the Stranger (S06E04)

Eis que há algumas temporadas Daenerys se encontra nesse jogo de libertação e traições, faltava a nossa Mãe dos Dragões momentos tão épicos que façam valer a quantidade quase infinita de atribuições (A Não-Queimada, Nascida da Tormenta etc). E claro que Game Of Thrones separou um momento tão grandioso quanto ela merecia. Ao atear fogo nos Khal Daenerys não apenas toma posse de um poder gigantesco, mas também ilustra bem as mulheres fortes da série.

Saindo nua em meio a chamas, Daenerys é a resposta para quem duvida de sua capacidade de colocar homens poderosos aos seus pés, e a resposta pra quem acha que Game Of Thrones não é uma série-espetáculo.

X-Men: Apocalipse é o alvorecer de uma nova equipe que precisa ser explorada alem das batalhas

Grandioso como o título pede, X-Men: Apocalipse mostra o potencial de sua nova equipe

16 de maio de 2016

X-Men: Apocalipse começa onde Dias de Um Futuro Esquecido acaba: uma cena no Egito antigo, mostrando um pouco da origem de seu vilão. É importante mostrar que o relacionamento entre deus e homem nunca foi lá muito harmonioso, e sempre que alguém se revela com essa noção de ser um ser superior aos demais, algo ruim está prestes acontecer. Um início poderoso deixando claro que quando se trata de um dos maiores vilões dos quadrinhos, a grandiosidade será uma regra.

Grandiosidade aliás foi o que não faltou em 2016 em relação ao cinema de super heróis. Os maiores heróis do mundo saíram na porrada, a Guerra Civil explodiu na Marvel e agora os jovens X-Men precisam lidar com uma ameça global novamente. É tudo elevado até as últimas consequências, com aquele sabor mentiroso de final. Mas nós sabemos que não é. A franquia ainda tem muito o que contar.

X-Men: Apocalipse tem um problema: como apresentar os novos membros do Instituto Xavier Para Jovens Super-Dotados no meio de uma batalha tão urgente quanto o renascimento de um semi-deus? Ao contrário de Primeira Classe (que segue o melhor filme da franquia e um dos melhores já feito com personagens de quadrinhos) que foca toda sua trama no relacionamento de seus personagens, aqui Bryan Singer cria um filme acelerado, repleto de ótimas cenas de ação, grandes batalhas, mas quase sem nenhum desenvolvimento dos novatos. Apenas, claro, o mínimo pra você se situar.

Mas talvez o problema não seja seu vilão-evento (assim como um Thanos e Darkseid), mas sim dois dos que, por incrível que pareça, são os personagens que não deveriam estar nesse filme: Magneto e Mística. O primeiro é até um absurdo dizer algo do tipo, afinal, tanto Sir. Ian McKellen quanto Michael Fassbender honraram o manto do personagem. Mas é evidente que nos últimos dois filmes o Magneto parece até meio deslocado, sendo quase forçado a estar ali.

Magneto é um ótimo vilão e deveria ser usado com sabedoria

Em X-Men: Apocalipse novamente ele sofre um trauma, novamente questiona seu lugar ao mundo, novamente coloca em cheque sua confiança nos seres humanso. Ora, isso não havia ficado claro e muito bem trabalhado em Primeira Classe?

Particularmente considero Magneto um dos melhores e mais interessantes vilões nos cinemas, mas deveria ser usado como um coringa. Já a Mística, bem… Jennifer Lawrence. Ela precisa estar ali, precisa ter uma boa desculpa pra não assumir sua verdadeira identidade e deixar a atriz sem a pesada maquiagem. Ela precisa ser o centro de tudo, a chave, a motivação etc.

Porém a impressão que se dá é que Bryan Singer sabe exatamente disso tudo e faz de caso pensado. Obviamente ninguém deixaria Jennifer LawrenceMichael Fassbender fora de filme algum, então é preciso criar situações em que ambos são importantes. Como nada conheço de quadrinhos, aceito o fato de Mística liderar os novos aspirantes a X-Men e não, sei lá, o Fera. Mas é preciso definir urgente o lado de ambos na franquia.

Mística e Magneto são ou não vilões? Ou ainda existem traumas a serem considerados antes de declararem guerra a raça humana?

Dito isso, chega a vez de falar da nova equipe dos X-Men. São ótimos, simples assim. CiclopeJean Grey, Tempestade e Noturno é o recomeço e o espírito jovem que a franquia precisava. Funcionam bem em todos os aspectos, desde os poucos momentos em que se relacionam como amigos, até a hora da batalha. São atores carismáticos que certamente ganharão o coração do público.

O que falta pra eles é um filme episódico, contido, sem muita necessidade de fazer ligações com futuras produções. Esqueçam disso por favor, deixem de lado essa megalomania de criar um puta universo cheio de referências, onde até mesmo séries de tv tem que coexistir com produções de cinema (já deixou o entusiasmo de lado e parou pra pensar que isso não tem o menor sentido?). Bryan Singer, você é um cara que sabe o que faz, tem talento pra ótimas cenas, por favor, pega essa molecada e faça um filme divertido e sem grandes ameaças.

Tudo que os X-Men precisam é se relacionarem uns com os outros, conversarem sobre seus medos e diferenças. Acredito que essa equipe é mais do que simplesmente um monte de gente colorida e estranha, é aquela analogia sobre as diferenças que nós seres humanos temos e vivemos todo santo dia. Homens, mulheres, gays, trans, lésbicas, negros, branco, católicos, evangélicos, muçulmanos, ateus. Um monte de gente estranha e diferente dividindo o mesmo planeta. É isso que espero ver dessa molecada.

X-Men: Apocalipse ainda guarda momentos incríveis, daqueles que enchem os olhos. A já dita cena que abre o filme e claro, o esperado momento com Mercúrio, que é uma nova versão daquela já clássica de Dias de Um Futuro Esquecido. Mas não é só isso, a melhor cena envolvendo o bastardo do Magneto acontece perto do fim. É ótima!

É impressionante como X-Men: Apocalipse é um filme divertido, sabe? Aquele que você sai leve do cinema, nada muito pesado (ok, tem uma cena forte) e nada muito impactante (ok, fica claro que só o Snyder não pode destruir cidades) levando em conta o vilão título.

A próxima aventura se passará na década de 90 e espero que o Bryan Singer perceba a molecada boa que tem em mãos e deixe de lado, ao menos por enquanto, a necessidade de grandiosidade.

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Bem vindos ao trailer da segunda temporada de Mr. Robot

16 de maio de 2016

Com o fim de Mad Men a primeira onda da Terceira Era de Ouro da Televisão passou. Dramas que mudaram a maneira de contar histórias encabeçadas por protagonistas de personalidade dúbia. Foi a era do homem comum, perturbado pelo passado, preso no trabalho e com problemas em casa. Don Draper foi o último homem difícil da tv.

Com isso, temos um novo levante de produções que encabeçam a segunda onda da Terceira Era de Ouro, em uma época onde o streaming é a regra e o comportamento humano é o novo foco de discussões. Surfam nessa onda três produções que se destacam das demais: Black Mirror, Fargo e Mr. Robot.

O retorno de Mr. Robot é um evento importante: se a série seguir o excelente padrão de qualidade do primeiro ano, irá se firmar de vez como uma das melhores produções, para em 2017, junto com o retorno de Fargo e Black Mirror, oficializar de vez essa nova fase de qualidade.

A revolução não é apenas no mundo ficcional de Mr. Robot, com direito a discurso de Barack Obama. A revolução está acontecendo diante de seus olhos, e não será apenas televisionada, será transmitida via streaming. Bem vindos ao trailer da segunda temporada de M.r Robot:

“Hush – A Morte Ouve” é um simples e divertido… terror

Filme do Netflix é uma rápida pedida para fãs do gênero

13 de maio de 2016

O cinema de terror parece viver uma nova era, mais focado no psicológico do que no horrendo. Filmes alegorias como The Babadook (depressão) e It’s Follows (stalkers, DST’s) ou o excelente A Bruxa, dão um novo fôlego ao gênero que nos últimos anos foi se tornando quase uma paródia de si mesmo, tamanho a falta de criatividade nos temas. Horror virou sinônimo de susto, não de medo.

Nisso produções pequenas começaram a surgir e graças ao boca a boca foram ganhando espaço. Outro elemento que ajuda em muito a disseminação desse cinema mais underground são serviços de streaming como o Netflix, que adicionou ao seu catálogo Hush (que no Brasil ganhou o subtítulo A Morte Ouve…), filme independente que teve sua estréia no SXSW Film Festival.

E Hush é rápido mesmo: 1h:21m de filme. Mel na chupeta

Hush se torna um bom filme pela sua simplicidade e proposta. Uma escritora surda-muda vai para o meio de uma floresta para terminar seu segundo livro, sozinha e longe da civilização, ela se vê cercada por um serial killer (vivido por John Gallagher Jr. que deixou The Newsroom e entrou de cabeça no gênero. Ele também esteve em Rua Cloverfield 10), que de maneira sádica resolve fazer um jogo de gato e rato.

Hush possui um tema não muito estranho para o fã de horror, afinal, invasão a domicílio é quase uma das regras do gênero. E apesar de falar sobre o drama de uma mulher prestes a ser morta, Hush não deixa de ser um filme divertido. Pois é.

É rápido e energético, não perde tempo com filosofia barata ou superações do passado. São dois personagens, um querendo entrar e o outro tentando permanecer vivo, não há pausas para que a vítima questione suas escolhas de vida ou peça perdão aos pais, amigos ou namorado por algum erro cometido.

O que Hush poderia ter explorado ainda mais é a deficiência de sua protagonista quando posta nessa situação. Kate Siegel convence como Maddie, a escritora que acha uma boa ideia se isolar (aquela mania de sempre). As cenas em que ela precisa contornar a falta desses sentidos são interessantes, ficaria feliz se houvesse ainda mais foco na sua surdez-mudez.

O filme acabou caindo no gosto da crítica lá fora, talvez motivado pelo entusiasmo dessa onda de pequenas produções que entregam um cinema decente e diferente de um típico “blockbuster de terror“. Pouco elenco, locação única, direção bem executada Hush te deixa tenso, mas sem se entregar ao tédio.

Pode não ser tão incrível e assustador quanto A Bruxa, mas é decente mostrando que o cinema de horror busca outras maneiras de explorar nosso medo. Produções assim poderão surgir ainda mais, agora que a procura de gigantes como Netflix, Amazon, Hulu etc por filmes bons e baratos está fervilhando.

Não deixa de ser bastante honesto em sua proposta.

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