Demolidor precisava mesmo do Justiceiro e Elektra na mesma temporada?

Episódios finais aceleram o ritmo pra amarrar todas as tramas que foram contatadas na segunda temporada

29 de março de 2016

A HBO tem uma fórmula maravilhosa de se fazer séries que deveria ser copiada por todas as emissoras. Dez episódios fechadinhos por temporada e pronto, sem muito tempo pra encher barriga. Sempre contesto se 13 episódios é um número que deveria ser seguido, nitidamente a maioria das séries que partem por esse caminho não conseguem entregar 13 horas de bons conteúdos.

O que me faz pensar que Demolidor seria mais dinâmico e focado se tivesse o número de episódios reduzidos. A segunda temporada sofre com o excesso de tramas e aspirantes a antagonista do nosso herói, e alguns episódios ficam completamente sufocados pelo vai e vem de acontecimentos.

Dividida entre o plot envolvendo o Justiceiro no início da temporada, e o surgimento da Elektra no meio, Demolidor agora avança rapidamente para seu final, tentando amarrar várias histórias ao mesmo tempo. Me incomoda em alguns momentos essa mudança drástica de gênero que acontece.

De uma série policial, cheia de elementos de rua, máfia e assassinos, a uma totalmente fantástica envolvendo ninjas e crianças com sangue drenado. Gosto da proposta de ambas, mas preferia vê-las em temporadas diferentes. Essa segunda temporada estava perfeita pra construção do Justiceiro, já que em seu primeiro ano, Demolidor focou em muito nos trauma de seus personagens para criar seus alicerces.

Traumas que levaram Matt Murdock a vestir uma roupa preta e dividir sua vida, traumas que tornaram um empresário no futuro Rei do Crime e nesse ano, traumas que destruíram todos os limites morais de um homem que agora atua como um justiceiro sem freio.

A prova de como Demolidor chega a seu ápice quando busca colocar um dos pés no realismo, é o encontro tão poderoso entre Matt e Fisk, que sinceramente, é o melhor momento em toda série. Vincent D’Onofrio da o tom perfeito para esse vilão: um homem perturbado que declara guerra a todos que não se encaixam no que ele toma por certo.

Porém quando Elektra entra no meio disso tudo, Demolidor se transforma. É difícil segurar tantas coisas acontecendo, mas ao menos a série conseguiu estabelecer uma evolução para o personagem central. Agora Matthew Murdock percebe que não lhe cabe uma vida dupla, e personagens como Justiceiro, Fisk, Foggy e até mesmo Elektra serviram para aflorar em Matthew essa sua nova visão de si mesmo.

Mesmo que com problemas para amarrar esses episódios finais, Demolidor segue sendo de longe a melhor série de quadrinhos da atualidade. O que me enche de esperanças é saber que a terceira temporada se encaminha para o coroamento do verdadeiro Rei de Nova York. Aguardemos.

Você já pode jogar o Science Kombat, aquele de lutinha com cientistas

Albert Einstein ou Charles Darwin?

29 de março de 2016

Lembra do Science Kombat? O game que prometia colocar no ringue os maiores nomes da ciência? Pois bem, não era um sonho, ele aconteceu. O projeto da Superinteressante foi divulgado por Diego Sanches, principal designer, na sua fase inicial e viralizou na internet.

Muita gente pensou que se tratava apenas de um conceito, mas não é que lançaram mesmo o joguinho? Cara, sensacional. Testei aqui e dei umas boas porradas com o Tesla, baita apelão. O bacana são os golpes especiais e as frases de cada um dos cientistas, incrível.

Se você quiser experimentar, é só CLICAR AQUI e jogar. Boa porradaria.

“Oi, eu sou Negan!”

Comercial de TV holandês confirma aparição do vilão Negan

25 de março de 2016

Há alguns episódios é possível ouvir o som de Lucille se aproximando. Essa sexta temporada flertou o tempo todo com um inimigo maior, se ocultando por trás de uma fantasiosa noção de segurança. Alexandria sobreviveu ao ataque dos Wolfs, uma horda de zumbis e momentos em que seus moradores questionaram a presença de Rick e seu grupo.

A violência então passou a fazer parte do dia-dia da pequena comunidade, e ela também descobriu que não está sozinha. Foi Jesus quem apareceu trazendo as boas novas de um mundo que começa a se reconstruir, e com outros grupos estabelecendo até mesmo comércio, a vida que foi perdida anos atrás parece querer renascer.

Mas ainda assim algo incomodava… The Walking Dead nunca deixou o espectador respirar por muito tempo e não seria diferente nessa sexta temporada, que mesmo com episódios terríveis, ainda é a melhor desde a primeira. Em Twice as Far (S06E14) o terreno ficou preparado para a tão esperada aparição de Negan.

Quem é Negan?
Bom, é ele:

Lucille, muito prazer em conhecê-la!
Agora resta saber quem será a vítima nessa season finale. E não, isso não é spoiler, a gente sabe que sempre morre alguém, é a fórmula básica.

Fui pego pelo hype? Revi Batman V Superman e gostei ainda mais

É sério: eu gostei ainda mais do que já tinha gostado, e passei a gostar de coisas que me incomodaram

24 de março de 2016

Confesso que me deu uma certa tristeza quando as primeiras críticas de Batman V Superman começaram a sair. Não porque a maior parte dos críticos não tinham gostado, mas porque estavam destruindo o filme antes dele chegar ao cinema. Nessas horas, meu medo era de que isso influenciasse negativamente milhares de fãs que, assim como eu, estavam esperando três anos por esse momento. Que esses fãs deixassem de pagar o ingresso (que não é barato) por medo de ver uma bomba.

É nessas horas que penso muito a respeito da influência que não apenas a crítica, mas sites, blogs e canais de cultura pop tem, e como às vezes isso é usado de maneira negativa. Tudo bem quando um filme é ruim a culpa não é de nenhuma linha escrita sobre ele, mas é uma questão de como muitas vezes isso acaba tirando do espectador a capacidade de tomar decisões por si só.

Muita gente, por exemplo, até hoje não viu Quarteto Fantástico. Mas por outro lado, muita gente foi ver Deadpool porque era quase um consenso que o filme era bom. Enfim, só um desabafo.

Então comecei a me questionar se realmente Batman V Superman era um bom filme e fui novamente ao cinema. Confesso que senti medo de tudo aquilo que eu tinha vivido fosse uma mentira, que o Snyder errou e estávamos diante de uma bomba. Medo que o hype tivesse me deixado morto por dentro. Mas foi o contrário: sai da minha segunda sessão ainda mais certo que era esse o filme que eu esperava.

O que eu já havia gostado passei a gostar ainda mais, e outras coisas que me incomodavam passaram a fazer mais sentido. Porém, percebi de vez que o clímax do filme foi mal conduzido, e embora o Apocalypse seja um ponto importante na construção do Superman, o CGI pesou e o show de luzes atrapalhou na nitidez das cenas.

Sobre o que eu já tinha gostado e passei a gostar ainda mais: tive a certeza que Ben Affleck é meu Batman favorito nos cinemas. Essa versão mais adulta e castigada pelo tempo de Bruce Wayne é a que sempre quis ver. Enquanto o Batman de Christian Bale ainda é jovem e trata o Morcego como um símbolo não só de justiça, mas principalmente de esperança, o de Ben Affleck se cansou disso tudo.

Quantas pessoas boas sobraram?

É possível até dizer que o Bat-Affleck é a versão mais velha do mesmo Bat-Bale. Em algum momento de sua jornada, Bruce Wayne percebe que tudo que ele faz é inútil, e como o próprio diz no filme “bandidos são como ervas daninhas“. Sem contar os corpos que ele contou ao longo dessa jornada, pessoas próximas foram mortas, viu muita gente se corromper e isso o tornou frio. A esperança de tornar o Batman como algo que inspira pessoas acabou, agora o Batman é aquele que sai a noite pra punir.

O Batman é pra bandido sentir medo, não pra adolescente querer ser igual.

Porém o senso de realidade do Batman é quebrado com a chegada do Superman. O homem desacreditado na humanidade passa a enxergar que ela pode se reerguer, mas não enquanto um deus caminhar entre nós. É como se a mensagem fosse “nós nos resolvemos, fora daqui“.

Bom, enquanto o Batman possui seu próprio senso do que é justo, o Superman é, como já dito, um deus caminhando em um mundo de papelão. É muito poder para uma pessoa e isso atormenta Clark. Ele realmente precisa ser esse salvador que alguns enxergam? Ou ele é o responsável direto pela morte de milhares de pessoas? Se ele pode transformar uma cidade em cinzas, quais serão suas escolhas daqui pra frente?

Por isso gosto muito do primeiro ato. Não acho lento e muito menos sem foco, são momentos importantes na construção da filosofia de ambos personagens e como isso, de alguma maneira, pode levá-los a se confrontar. É então que entra a participação de Lex Luthor: ele sabe como derrotar o Superman, mas quem o fará? A maneira como ele manipula o Batman é interessante, porém, alguns não gostaram de como ele obriga o Superman a entrar na briga. A explicação pode ser simples: se quisesse, o Superman obliterava o Batman em segundos. É um fato, não uma opção.

Fique no chão. Se eu quisesse, você já estaria morto

Então era necessária uma dose emocional nisso tudo: enquanto o Batman (homem de carne osso) quer destruir seu inimigo, o Superman (o deus onipotente) quer dialogar. Com o Superman contido, o Batman tem a chance e tempo para jogar sujo. O mesmo acontece na batalha de O Cavaleiro das Trevas: o Superman poderia derrotar o Batman no ato, mas não o faz.

Lex Luthor é um personagem que de fato mais parece um vilão do Batman. Mas seu lado atormentado que flerta com a religiosidade combina com esse mundo onde habita o Superman. Deus e diabo são constantemente citados por ele, a noção entre poder e bondade também, e confesso que a frase “se Deus é todo poderoso ele não pode ser inteiro bom, e se é inteiro bom não pode ser todo poderoso” me fascina ainda mais.

Batman V Superman é um filme corajoso desde os temas abordados até a maneira que escolheu para fragmentar e contar sua história. E por mais que você não goste, precisa admitir que há uma dose cavalar de originalidade, algo que sejamos franco, está em falta no mercado.

A elogiada Marvel tem um longo catálogo de filmes, mas tirando Vingadores 1, Guardiões da Galáxia e Soldado Invernal, todos os outros são idênticos em seu tom e estrutura. Consigo muito bem viver em um mundo onde exista uma Árvore falante com Guaxinim, um anti-herói desbocado +18 e um filme mais sério e sisudo como Batman V Superman. Não só consigo como QUERO esse mundo.

Eu quero ver filmes variados, temas diferentes sendo abordados. Não é a toa que O Soldado Invernal pegou todo mundo de surpresa depois que Homem de Ferro 3 e Thor 2 não mostrarem nada e vieram só pra cumprir tabela. Deadpool não está sendo aclamado até agora por fazer igual aos outros. E Batman V Superman é apenas o primeiro passo, a Warner/DC estão começando ainda seu universo.

O importante aqui é perceber que se o Snyder teve liberdade pra fazer um filme dessa magnitude a sua maneira, é provável que outros diretores darão suas visões para Mulher Maravilha, Flash, Aquaman e Cyborg. É isso que a gente precisa, novas formas de contar histórias.

Batman V Superman é o filme que eu precisava.
E quero outros assim.

Dessa vez Better Call Saul jogou sujo

Bali Ha'i (S02E06) é praticamente uma reunião da Turma de Breaking Bad

23 de março de 2016

A gente sempre soube que alguns elementos de Breaking Bad acabariam aparecendo aqui ou ali em Better Call Saul. Logo quando Jonathan Banks foi confirmado no elenco fixo, fiquei imaginando as infinitas possibilidades que Vince Gilligan e Peter Gould teriam para nos contar como foi o início da parceira entre Mike e Saul.

Na primeira temporada tivemos um pouco dos dois trabalhando juntos em algumas ocasiões, mas aparentemente essa brincadeira acabou. A segunda temporada de Better Call Saul praticamente dividiu as tramas de Jimmy e Mike, dando situações diferentes para ambos. O que é uma pena, já que um dos melhores momentos até aqui foi em Cobbler (S02E02), quando Jimmy surge “moralmente flexível” para ajudar Mike com um problema.

Sinceramente, era isso que esperava de Better Call Saul. Mais do advogado já estabelecido e menos da construção do personagem. É nítido que Gilligan e Gould estão usando a fórmula de Breaking Bad para conduzir Jimmy até sua virada de mesa, a diferença é que não sabíamos até onde Walter White iria, já aqui nós sabemos que tudo termina com Saul Goodman.

Bali Ha’i (S02E06) segue no desenvolvimento de Kim, personagem que até agora não engrenou, aliás, nenhum coadjuvante em Better Call Saul desperta muito interesse. Não que ChuckHoward, Nacho e a própria Kim sejam descartáveis, mas sabe aquele cuidado que víamos em Breaking Bad?

Better Call Saul segue nos lembrando o quanto Jimmy é descolado nesse mundo sério da advogacia e colocando Mike em uma espécie de Breaking Bad Begins. Tuco, Krazy-8 e Tio Salamanca já haviam dado as caras, mas agora conseguiram resgatar até os Irmãos Salamanca, primos do Tuco. Aí já virou apelação.

Minto se eu dissesse que não vibro toda vez que vejo algum personagem clássico aparecendo, mas a pergunta necessária é: precisa disso? O que me leva a pensar que uma aparição de Walter White não seja tão absurda assim. Logo logo Better Call Saul dará um jeito de trazer Hank ou Jesse, personagens que podem facilmente fazer aparições surpresas, já que um é policial e o outro ainda aspirante a traficante.

De qualquer forma, já estou focando na terceira temporada, esperançoso que esses Jimmy finalmente se conforme sobre sua moralidade desvirtuada e parta pra carreira de Saul Goodman. Até lá, vamos ver o que surpresas Better Call Saul nos reserva.

Batman V Superman é o filme que todos nós esperávamos… e merecíamos!

Nessa resenha SEM SPOILERS, é hora de finalmente deixar as primeiras impressões sobre Batman V Superman

22 de março de 2016

Em um determinado momento do filme eu já não me lembrava mais como era o mundo das adaptações de quadrinhos antes Batman V Superman. De repente, fiquei submerso naquele universo pensando em como tudo se encaixava perfeitamente. Não era um sonho ou delírio, lá estavam Batman, Superman, Lex Luthor, Mulher Maravilha… todos juntos em um só filme.

Batman V Superman não é apenas um tudo isso tomando forma, mas também o primeiro e mais importante passo da Warner/DC.  É diferente de tudo que estamos acostumados, seja dos filmes da Marvel, seja da Trilogia Nolan. Não tem nada parecido. É a mão de Zack Snyder conduzindo uma ópera de super heróis durante 2:30hrs, com momentos que leva o espectador a total estado de euforia.

É um filme robusto, como o Batman de Ben Affleck. O ator não apenas cala a boca de uma vez por todas de quem duvidava de sua caracterização, como também se torna o melhor Batman dos cinemas, e razões não faltam pra isso. Seja pela postura sisuda de um homem que carrega as cicatrizes de longas batalhas, seja o Vigilante agressivo que não brinca mais de super herói. Quando o Morcego sai a noite é para que os bandidos sintam medo. Um medo que se não respeitado, trará severas consequências, tanto físicas quanto psicológicas.

É um Batman que tem o espírito de Zack Snyder. As cenas de lutas são inacreditáveis, nunca antes feitas para o personagem nos cinemas. Mesmo com todas suas qualidade enquanto diretor, Nolan jamais filmaria o que Snyder filmou. Até a perseguição envolvendo o Batmóvel se torna umas das coisas mais fantásticas já feitas em um filme do “gênero”. É o momento que o fã esquece qualquer realismo que tentaram empregar ao herói e vibra, aplaude. Chora.

Zack Snyder conduz o melhor Batman que o cinema já viu

Batman V Superman também é um filme sobre aceitação, como o Superman de Henry Cavill. O alien que trouxe a guerra até nós carrega em seu peito o símbolo de uma esperança que ele não pode suportar. Ele erra, tem dúvidas, age compulsivamente e está aos poucos entendendo seu lugar nesse planeta.

Ele não é um deus (ou demônio), mas é o mais próximo de um que a raça humana conheceu. E antes da humanidade aceitar que um homem de capa é a benção que caiu dos céus, é Clark quem precisa se enxergar com tal. Nesse aspecto, Batman V Superman é uma continuação direta de Man Of Steel, que segue na construção do maior super heróis de todos. Mas também é um filme de conexões, que abre uma gama de possibilidades paras seus posteriores.

É a prova que a Warner/DC não precisa seguir uma fórmula de sucesso já estabelecida para iniciar um universo interligado de filmes. Batman V Superman é o total oposto do que a Marvel fez em sua fase 1 anos atrás, que culminou em Os Vingadores.

Ao invés de apresentar seus heróis individualmente, colocá-los em situações onde seu censo de urgência é alterado para finalmente se unirem contra um mal maior, a Batman V Superman cria esse inimigo maior, da uma leve pincelada em quem serão os membros de uma vindoura equipe, e deixa o caminho livre para as histórias da Mulher Maravilha, Flash e Aquaman. Assim é bem possível que cada diretor possa deixar sua marca, evitando uma sequência de filmes iguais e que pouco ousam.

Você viveu pra ver esses três juntos

O Batman é diferente do Superman e por isso precisam de visões diferentes. O mesmo vale para a Mulher Maravilha de Gal Gadot, que sem dúvidas acaba de uma vez por todas com a falta de protagonismo feminino no cinema de heróis (e que agora as portas se abram de vez!).

Ela é elegante, sutil, mas é uma guerreira! E uma guerreira que gosta de briga, e quando ela embarca de vez no terceiro ato do filme, Batman V Superman se torna um épico. Um épico! Sabe aquela cena de Os Vingadores quando a câmera gira em torno dos heróis? É mais ou menos isso que você vai sentir. Pra mais.

Parece mentira que eles estão ali, lado a lado, cada um com suas habilidades, lutando juntos. A Mulher Maravilha se diverte com aquilo, pra ela não é novidade alguma. É sensacional, o mundo não apenas precisa de um filme solo dessa mulher, mas merece.

Merecimento. Talvez seja essa palavra final sobre Batman V Superman: nós merecíamos esse filme. O mundo vai se curvar perante a Trindade e vai se esquecer como ele era antes deles tomarem o cinema. Warner, DC, Superman, Mulher Maravilha, Batman… bem vindos oficialmente. A gente esperou muito por isso, vocês não tem ideia.

A questão da Elektra em Demolidor

Claramente dividida em duas histórias, Demolidor vai da guerra das ruas a ninjas pulando em prédios

22 de março de 2016

Não saber dos acontecimentos dos livros me faz ter um apreço ainda maior por Game Of Thrones. Volta e meia me envolvo em debates sobre determinadas decisões do roteiro, e muitas vezes percebo que a moçada não gosta porque foi “diferente dos livros“. Adaptações precisam manter alguma fidelidade a obra original, mas de resto, ter uma certa liberdade criativa garante uma boa história.

Afinal, a palavra adaptação precisa significar alguma coisa.

Demolidor é um personagem dos quadrinhos, querido pelo público, e cheio de histórias clássicas. Não é uma cria da tv. Sendo assim, enquanto alguns momentos da série soam como uma grande homenagem a obra original, pra outros pode parecer meio estranho. Me encaixo no segundo grupo.

Na primeira temporada já estava claro que Demolidor também teria um pé no fantástico ao misturar uma história mais urbana, cheia de elementos clássicos da guerra das ruas (máfia, tráfico, corrupção), com ninjas e magias do oriente médio. Apesar do passado do personagem estar repleto de momentos assim, pra tv segue sendo um pouco estranho esse caldeirão de temas, uma quebra constante no tom escolhido (se é que tem um) pra série.

Enquanto os primeiros episódios focados no Justiceiro mostram uma cidade a beira do caos, fruto da queda de um líder que controlava todos os outros menores, ao entrar no arco da Elektra, Demolidor passa a falar sobre ninjas em Nova York e um grande plano maléfico. É essa mudança que causa pequenos incômodos nos episódios 5, 6, 7 e 8.

Matthew Murdock é um personagem interessante por ter um lado católico e seguir alguns dogmas básicos do cristianismo. Ele vive em constante conflito com seu demônio interior, colocado pra fora visualmente através do uniforme. Assim como o homem busca respostas em sua fé, Matthew parece usar a noite e sua jornada pessoal contra o crime como um caminho de redenção.

É por isso que personagens com o Wilson Fisk e o próprio Justiceiro adicionam muito a própria identidade e necessidade do Demolidor.

O mesmo pode se dizer de Elektra, que chega para equilibrar bem essa jornada de Matthew, já que ela é apresentada como a própria tentação para o Demolidor. Isso fica evidente em algumas batalhas quando o personagem parece sentir um certo prazer no que faz de melhor: soltar o braço na bandidagem.

Porém, a vida dupla em algum momento certamente iria se colidir. O Demônio de Hell’s Kitchen também é advogado e precisa ver a luz do dia. Então, mesmo que confuso e destoante do plot do Justiceiro, a presença de Elektra foi uma boa adição justamente por adicionar mais nuances a personalidade do Demolidor.

É uma pena, porém, que a série parta pra esse rumo, com uma divisão tão clara entre as histórias. O encontro do Justiceiro e de Wilson Fisk promete ser o ponto alto da série, trazendo de volta um pouco do “realismo” que lhe foi conferido nos primeiros episódios. Sem ninjinhas, apenas com criminosos do mundo real.

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