Amigos do Fórum - Página 7 de 335 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Alex Atala: “Por trás de cada prato existe a morte”

Chef brasileiro é um dos protagonistas da segunda temporada de Chef's Table

28 de maio de 2016

Há alguns dias o chef Henrique Fogaça, um dos jurados do Master Chef, postou em seu perfil no facebook a cabeça de um porco. Sua intenção era provocar. E provocou. Em poucas horas a imagem correu a internet, houve revolta, notas de repúdio, milhares de compartilhamentos. Tanta indignação é apenas um retrato do nosso distanciamento do alimento, que nos últimos anos, se tornou algo imaginário: nós comemos e adoramos bacon, mas Deus nos livre de saber da onde ele vem.

As consequências desse distanciamento vão desde as simplórias como se chocar com uma cabeça do porco, até as mais graves e problemáticas, como a ingestão desenfreada de alimentos processados e industrializados, obesidade, sedentarismo e principalmente o consumo sem regras, que vai da produção predatória que destrói ecossistemas até o desperdício.

Resgatar nosso relacionamento com a comida é algo que vem sendo tratado como filosofia de vida, e o chef brasileiro Alex Atala é um dos militantes desse processo. Atala é um dos protagonistas da segunda temporada de Chef’s Table, e durante os 50 minutos dedicados a ele, passamos a conhecer melhor o que acontece dentro e fora da cozinha do D.O.M., seu aclamado restaurante.

Um chef é o que ele cozinha, e a maneira como ele seleciona os produtos que irão se tornar caríssimos pratos diz muito sobre nosso comportamento com a comida. Estamos mais preocupados com a beleza da foto do prato do que a origem dos ingredientes. Mais preocupados com o glamour do restaurante do que em saber se os alimentos são frescos e saudáveis.

Alex Atala é hoje um popstar gastronômico, uma verdadeira celebridade. Mas sua fama tanto aqui quanto lá fora veio de algumas decisões nada convencionais. O Brasil é um país de terceiro mundo, com ricos de primeiro mundo. Nossa elite gosta de comer bem, mas antes disso, é preciso negar a tradição nacional. Arroz com feijão? Isso é coisa de pobre, de restaurante xexelento. A elite quer a cozinha francesa, italiana. Não quer peixe de rio.

Foi então que Alex Atala começou a se destacar no cenário gastronômico ao resgatar alimentos e temperos tipicamente brasileiros, fazendo releituras de pratos tradicionais usando suas experiências com a culinária européia. Mas o que da a Atala um diferencial é sua relação com o meio ambiente, afinal, com tanto destaque na mídia, era necessário ter uma posição bem definida a respeito do que se consome em seu restaurante.

Com ingredientes saindo de vilas da Amazônia e de pequenos produtores rurais, Alex Atala não apenas incentiva um comércio mais familiar, mas também influencia todos aos seu redor. Ser celebridade é ser influente e quando outros restaurantes buscam aperfeiçoar a qualidade do serviço, saber que o tomate D.O.M. é, por exemplo, colhido por uma família no interior de São Paulo, isso gera uma cadeia de novos produtores.

Quando todo essa ode a natureza e sua preservação partem do instinto mais primordial do homem (que é se alimentar), uma nova mentalidade começa a surgir. Não existe mal algum em abater um porco para servir de alimento. Mas quando você joga aquele resto de verduras podres da geladeira no lixo, está praticamente cuspindo em tudo que foi feito para que elas pudessem chegar na gôndula do supermercado.

Se aproximar da comida é comer melhor. É consumir menos agrotóxicos, menos sódio, menos açúcar. Cozinhar é um ritual que uni famílias, casais, recupera uma proximidade que a todo momento é pressionada a acabar. A rapidez das redes sociais, do entretenimento, do trabalho, se complementa com a rapidez de se alimentar.

Não adianta ficar com pena do porco se por trás da sua soja existe uma indústria desmatando florestas. Não seja um cínico procurando satisfação em likes. Coma melhor, sinta melhor. Procure saber a origem daquilo que você coloca na boca.

E viva Chef’s Table.

Mulher Maravilha é o segundo filme com orçamento superior a US$ 100 milhões dirigido por uma mulher

Patty Jenkins fazendo história com a Princesa Diana

28 de maio de 2016

Graças a Era de Ouro das Séries, a televisão foi berço de ótimos roteiristas, diretores, atores, profissionais do ramo e etc. Foi de Breaking Bad por exemplo que saiu Rian Johnson, futuro diretor do Episódio 8 de Star Wars, que comandou dois dos melhores e mais antológicos episódios da série, Fly e Ozymandias.

O cinema, que é uma indústria infinitamente maior que as séries de tv, aproveita essa pequenas jóias que vão se destacando e levando-os pra um teste definitivo na tela grande, com um orçamento milionário em mãos. É só questão de tempo para esse processo se tornar comum. Um desses nomes é Patty Jenkins, a diretora no comando de Mulher Maravilha.

Patty Jenkins não tem um currículo extenso, mas é uma mulher competente no que faz. Foi responsável pelo ótimo piloto de The Killing, e outros trabalhos em Arrested Development e obras, em geral, pra televisão. Sua saída da tela pequena pra tela grande já começou fazendo história: Patty Jenkings é a segunda mulher a dirigir um filme com o orçamento acima de 100 milhões de dólares.

O filme que estréia em 2017 é um marco pra história da cultura pop. A Mulher Maravilha não é apenas a heroína mais importante dos quadrinhos, independente do gênero, ela é uma das figuras mais conhecidas do mundo pop. Seu filme é um acontecimento em uma época que questionamos a representatividade nesse universo dominado por personagens masculinos.

Agora Patty Jenkins figura no incrível hall onde apenas duas mulheres tiveram tanta confiança de um estúdio. A outra diretora é a vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura, Guerra ao Terror), que em 2002 recebeu a mesma quantia pra dirigir K-19 (que ainda por cima foi um fracasso de bilheteria).

Mulher Maravilha nem estreou, mas já está fazendo história.
Toda coroação que a Princesa Diana merece.

Você sabe quem são os dois lutadores da abertura de Street Fighter 2?

Dois coadjuvantes de um dos maiores arcades da história finalmente ganham nome

27 de maio de 2016

Minha relação com videogames se resume a fliperamas. Cresci no interior e no início da década de 90, a tecnologia não era tão acessível quanto hoje. Você tinha lá um ou dois primos ricos com videogame em casa, mas a maioria de nós cresceu jogando emprestado ou em arcades de shoppings ou botecos, que é o meu caso.

Curiosamente os únicos fliperamas da cidade ficavam no PIOR bar possível, onde a gente se espremia entre bêbados e viciados em baralho pra poder jogar clássicos como Mortal Kombat e Street Fighter II. Joguei tanto e vi tantos outros jogarem que tenho em minha memória cada pixel dessa obra de arte da Capcom.

Logo quando você colocava a ficha, dois homens lutando no meio da cidade apareciam, até que um deles acerta o outro com um soco. A câmera sobe, STREET FIFHTER II aparece e você está pronto para selecionar seu lutador favorito. Mas mesmo sendo figuras tão icônicas, nada sabíamos desses dois guerreiros. Até agora. 25 anos depois a Capcom finalmente revelou um pouco de informação sobre os dois.

O cara da esquerda levando um murro é Max:

O cara socando o Max é o Scott:

A Capcom não tem planos para os dois lutadores, mas ficamos felizes em saber seus nomes. Eternos demais e pqp, que saudades do fliperama…

X-Men: Primeira Classe é um filme que não damos o devido valor

Matthew Vaughn deu vida a um dos melhores filmes de super heróis

27 de maio de 2016

Nos cinemas X-Men é uma franquia que desperta amor e ódio há anos. Quando chegou pela primeira vez em 2000, a adaptação de Bryan Singer foi magia acontecendo, e os estúdios percebendo que daria sim pra levar super heróis pra tela grande sem galhofada, como nos últimos filmes do Batman. Dava pra fazer alguma coisa diferente e bacana.

Seis filmes de equipe e dois solos do Wolverine depois, a franquia ainda pena pra conseguir solidez enquanto universo compartilhado. Você assiste um ou outro e gosta, mas no geral, em uma linha do tempo, vira uma bagunça. Bagunça essa que começou lá em 2006 com X-Men: O Confronto Final e piorou com X-Men Origins: Wolverine. Durante um bom tempo os X-Men pareciam enterrados no cinema, até que em 2011 um sujeito chamado Matthew Vaughn chegou com os dois pés na porta e fez o melhor filme da equipe.

Vaughn resolveu voltar no tempo, mais precisamente na década de 60 e mostrar um Xavier e Magneto ainda jovens. Praticamente tudo em X-Men: Primeira Classe funciona, desde o elenco que faz jus aos nomes de peso da primeira trilogia (Ian McKellen e Patrick Stewart) a história dos mutantes se misturando com a nossa, como a Crise dos Mísseis em Cuba, espionagem, tensão entre EUA e Rússia, bombas nucleares, etc.

Totalmente focado nas duas mentes por trás de todos os acontecimentos envolvendo os X-Men, Primeira Classe cria o relacionamento ideal entre Charles XavierErik Magnus. Em duas horas de filme somos apresentados a filosofia de ambos e principalmente, o choque frontal delas com a realidade. No fim, quem estaria mais correto sobre a visão que a humanidade teria a respeito dos mutantes?

Matthew Vaughn consegue criar momentos assim ao longo de todo filme. O rancor de Erik caçando os assassinos de sua família, Xavier lecionando e vivendo uma vida mais regrada, os debates e a deliciosa cena final na ilha. Primeira Classe deveria ser um filme divisor de águas, o início de uma nova era. E até certo ponto foi, o problema é que mesmo Dias de Um Futuro Esquecido e Apocalipse sendo bons filmes, Singer parece não ter compreendido a mensagem de Vaughn.

Uma das melhores cenas do cinema com super heróis

A descoberta dos poderes, o treinamento, o trabalho em equipe. Foi tudo tão bem conduzido sem a necessidade de criar grandes momentos. Por exemplo, a cena final entre MagnetoSebastin Shaw carrega uma carga emocional maior que qualquer outro vilão seguinte (os Sentinelas e o próprio Apocalipse).

Aliás, Shaw não é só um dos melhores vilões dos X-Men (ficando atrás apenas de Magneto), mas também das adaptações dos super heróis no cinema.

Bem vestido, charmoso, com a fala mansa e quase intocável. É o mal muito bem representado, praticamente o demônio. Mas Kevin Bacon é apenas um dos ingredientes dessa ótima mistura. Em Primeira Classe Jennifer Lawrence ainda não incomodava, a maquiagem de Nicholas Hoult não era estilizada pro rosto do ator aparecer mais, os uniformes eram uma belíssima homenagem aos quadrinhos. Até o uso do nome mutante foi bem sacado.

Falando por mim, X-Men: Primeira Classe é o melhor filme dos X-Men no cinema e um dos melhores já feito com super heróis. Vou além: desde Os Vingadores em 2012 não tivemos nenhum outro filme do gênero melhor que Primeira Classe.

Reveja esse filme e saiba dar o devido valor que ele merece.

Terceira temporada de True Detective cada vez mais distante

Nic Pizzolatto, criador e roteirista, já partiu pra outra

26 de maio de 2016

As ascensão e queda de True Detective é um caso raro que será contado daqui alguns anos em livros sobre a história da televisão. As opiniões extremas a respeito do primeiro e segundo ano mostram como um autor pode ir do céu ao inferno em dois anos.

Nic Pizzolatto é um sujeito talentoso. Começou sua jornada no universo das séries em 2011 quando escreveu dois episódios da ótima The Killing. Ele sairia da AMC direto pra HBO pra junto com o diretor Cary Fukunaga dar vida a True Detective. Em 2014 ele teve o mundo aos seus pés com a história de detetives Rust Cohle e Marty Hart.

Pizzolatto levou muito do espírito de The Killing para True Detective, basta assistir as primeiras temporadas de ambas que você irá perceber a inspiração. Não é algo gritante, mas aquele clima que você sabe da onde conhece. Mesmo assim True Detective não deixa de ser uma obra com personalidade, porém quando partiu pro segundo ano, novo elenco, um novo assassinato, a mão pesou.

Mesmo tão profunda quanto o primeiro, o segundo ano de True Detective não agradou crítica e público, com a audiência da HBO caindo episódio pós episódio. Ficou aquela sensação de sorte de principiante ou que a falta de Cary Fukunaga fez toda a diferença.

Veio 2016 e a HBO apresentou sua programação oficial para o ano. Estavam ali suas comédias, Vinyl, Game Of Thrones e etc. Menos True Detective. Com isso, estava claro que uma provável terceira temporada só ocorreria em 2017. O canal chegou a confirmar que Pizzolatto continuaria trabalhando para a HBO, mas hoje o Hollywood Reporter informou que o roteirista estaria tocando outro projeto.

Pizzolatto pode realmente ter desistido de True Detective e resolveu começar do zero. A crítica foi pesada demais, e é aquilo que Don Draper dizia: “Se você não gosta do que está sendo dito, mude a conversa“.

Descanse em paz, True Detective.

Que Preacher seja tão boa na tv quanto dizem que é nos quadrinhos

AMC volta apostar em adaptações de quadrinhos adultos. Vamos ver se funciona novamente

26 de maio de 2016

Antes de Matthew Weiner chegar com o piloto de Mad Men embaixo dos braços, a AMC era um canal a cabo destinado unicamente a exibir filmes antigos. Na época a HBO parecia intocável com suas produções originais, e obras como The Wire, Sopranos, Six Feet Under, Roma etc reinavam soberanas na televisão. Veio então a série do Don Draper, levou 4 Emmys Awards consecutivos e a AMC surgiu como um canal de qualidade.

Logo em seguida foi a vez Breaking Bad estrear, e logo se tornaria o primeiro sucesso de público do canal, porém muito de sucesso foi graças ao Netflix (quem diria). Blockbuster mesmo a AMC só teve com The Walking Dead, que junto com Game Of Thrones, formam hoje os dois grandes eventos da tv paga. A emissora acertou ao adaptar um quadrinho mais adulto pra televisão, e com a estreia de Preacher, tenta quem sabe, emplacar mais um sucesso.

Séries de quadrinhos já nascem com um público fiel, que muitas vezes cegos pela paixão, dificilmente a abandonam. Estão mais preocupados em encontrar diferenças entre a obra original do que com a qualidade, de todo modo, muitas vezes é quase um tiro certo. Flash e Supergirl são exemplos de como levar esses heróis para um novo público e seguir fidelizando os antigos.

Mas Preacher não tem essa pegada mais teen e isso fica claro no piloto. Cheia de violência e com debates teológicos um tanto cafonas, um novo sucesso pode surgir. E em seus primeiros 60 minutos Preacher deixa claro que tem potencial pra isso. A fórmula está ali (só faltou a nudez que é proibida na AMC).

É um universo que me parece amplo, com a mistura de religiosidade e sobrenatural, tudo centrado em uma pequena cidade do Texas, o que torna as coisas mais interessantes. Comunidades pequenas tendem a ser mais conservadoras, e a religião tem um peso muito forte na vida de seus habitantes.

Pilot (S01E01)

Há sempre um senso de união e preservação dos bons costumes, e o Dominic Cooper na pele de Jesse Custer parece ser a blasfêmia no meio de tantos fiéis. Os personagens são bastante cartunescos, como o garoto chamado Cara de Cu ou Cassidy, que engole uma vaca mesmo estraçalhado no chão. Bateu a curiosidade sobre como todo isso funciona.

Série de tv tem que funcionar como série de tv, não como live action de quadrinhos. Como não sou consumidor de gibis, preciso de alguma coisa além de fan service. E Preacher apesar de apressar em mostrar muita coisa, consegue entreter com boa diversão. Um ponto extra para a cena dentro do carro no milharal e no avião. Porradaria bem dirigida, coisa que só se via em Banshee.

A emissora que deu vida a Mad Men e Breaking Bad sempre terá a minha atenção. Que Preacher seja tão boa na tv quando vocês dizem que é boa nos quadrinhos.

Warcraft é a nova vítima da crítica. Por que isso está acontecendo?

E lá vamos nós...

25 de maio de 2016

Existe uma espécie de contrato social entre a imprensa e as distribuidoras. O jornalista (e agora graças a internet, o blogueiro, o vlogger etc) assiste a uma exibição privada do filme antes dele chegar em cartaz. O estúdio não obriga ninguém a elogiar o filme, é simplesmente algo que faz parte da indústria. O jornalista assiste antes para poder orientar o espectador no que merece ou não sua atenção.

O papel do crítico é vital nesse processo do entretenimento. Talvez não caiba a ele ser a voz final e definitiva, mas sim ser uma espécie de guia para os fãs do cinema. O crítico ajuda você a entender melhor as tecnicalidades, mergulhar nas intenções do diretor, conhecer as ideias e as propostas. Ou então apontar onde a mão pesou, o que deu errado, e porque você está com aquela sensação de desconforto.

Assim como o jornalismo, a crítica está entendendo o hype e jogando a favor

Na era do hype a crítica parece que entendeu como as coisas funcionam e está jogando a favor. Opiniões acaloradas passaram a tomar conta, não é raro ler coisas como “Batman V Superman vai afundar o cinema de super heróis” pra emendar com um “Guerra Civil é o melhor filme da Marvel“. O leitor que passa o dia lendo notícias sobre seu herói favorito se enfurece, corre pro site xingar o autor da crítica, espalha o post por aí. É a internet fazendo mais uma vítima.

O problema é quando esse tipo de opinião passa a influenciar o espectador de tal modo que ele esquece de pensar por si. De fato, ninguém esperava que Batman V Superman iria ficar na casa dos 800 milhões, e um dos motivos pra isso foi a má recepção. O sujeito tem medo de gostar de algo que é odiado, tem medo de conferir com seus próprios olhos. No meio desse processo, a cultura pop vai deixando de ser um lugar de troca de ideias pra virar um juri de certo ou errado. Ruim ou bom. Sucesso ou fracasso.

A nova vítima é Warcraft. Massacrado pela crítica especializada, o filme só estréia daqui a duas semanas e pode não parecer, mas isso acaba sendo um balde de água fria para os fãs que sempre sonharam em ver seu game favorito nos cinemas. Não deveria, mas desencoraja o espectador de viver sua própria experiência.

É a supervalorização de algo que deveria servir mais como norte, não como carrasco.
Pro bem ou pro mal, é necessário em um primeiro momento você pensar por si só. Depois, seja através de crítica ou um site feito por um fã como o Amigos do Fórum, você pode se aprofundar melhor no que viu. Antes disso, não deixe de ir no cinema.

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