Amigos do Fórum - Página 6 de 340 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Steak Revolution é um documentário essencial para quem come carne

Você adora um bom bife mal passado? Então é hora de ver esse documentário

30 de junho de 2016

Em um mundo onde cada vez mais pessoas sentem uma necessidade de se impor como ponderadas e preocupadas com o meio em que vive, o ato de comer carne passou a ser visto como uma barbárie. “O ser humano não precisa mais de carne” é uma das frases favoritas. Cria-se a ideia que o vegetarianismo é a solução para a indústria da carne. Mas a verdade difícil de aceitar é que nós adoramos um bom bife e não vamos deixar de comê-lo.

Primeiro é preciso deixar algo bastante claro: ninguém que coma carne acha incrível a morte de um animal. É preciso ter a alma bastante podre pra achar que a vida de um boi, porco ou galinha não tem valor algum, que é tudo para o seu prazer de comer um bom churrasco. É então que Steak Revolution entra na história, documentário francês que, em um primeiro momento, parece ser apenas uma caça ao melhor bife do mundo. Mas é muito mais do que isso.

Steak Revolution é uma ode a cultura de criação animais em condições decentes. Desde o lugar onde nascem, crescem e até a preparação para o abate. Salada alguma atingirá mais a indústria da carne que sua própria consciência. Ao longo do documentário dois chefs franceses viajam o mundo enumerando as melhores carnes que provaram, porém, por trás de toda essa peregrinação mal passada, existe uma mensagem bastante clara.

Assim como Cooked que busca uma reaproximação com os alimentos, Steak Revolution quer que você conheça a carne que come. É interessante notar como a relação sabor e qualidade de vida é exaltada o tempo todo. Denunciando a maneira como animais são condicionados a uma vida curta e fechada para produzir mais e mais, Steak Revolution volta seus olhos para o produtor rural, pequeno ou médio, que através de técnicas que pouco ou nada agridem o meio ambiente, estão criando uma verdadeira revolução de mentalidade nos amentes de carne.

É claro que essa revolução ainda está longe de chegar a mesa do brasileiro. Mas é preciso começar de algum modo. São chefs ao redor do mundo tomando consciência de sua posição como influentes no ramo, e motivando a criação de animais cada vez mais livres e com uma vida mais ativa e comum. Do Canadá a Argentina, Steak Revolution mostra o que é bom e o que é ruim não apenas em relação ao prato final servido na mesa, mas em todo processo de criação.

Steak Revolution (2014)

Mas o que vem de novo com essa mentalidade? Muitas coisas. A começar pelo fim do desperdício, um dos grandes problemas em relação a alimentos no mundo. Quanto mais você sabe da origem do que você coloca na boca, quanto mais você dedica seu tempo para prepará-lo, mais valor você da a um pedaço de carne ou um copo de arroz cru.

Também o incentivo a pequenos agricultores ou negócios familiares, distanciando assim grande indústrias que como qualquer outra do ramo, sempre trás severas consequências ao meio ambiente em que se encontra instalado.

Steak Revolution é inteligentíssimo em sua proposta. É essencial para os amantes de carne lembrarem que além da picanha existe um animal e que esse animal não é simplesmente uma picanha.

Assista. Tem no Netflix.

Existe espaço para Walter White em Better Call Saul?

Bryan Cranston manifestou interesse em fazer uma participação na série

30 de junho de 2016

É difícil largar o osso, eu sei. Imagine que você é uma rede de televisão e de repente uma série que está no ar há quatro anos explode em todo mundo. Vira fenômeno de audiência, de fama, está em todos os sites e revistas. Os prêmios começam a então surgir e todo mundo só fala dela. Foi o que aconteceu com Breaking Bad e a AMC.

Por mais genial que a série seja, muitos aqui provavelmente só começaram a assistir depois que ela estava quase acabando, e só assistiu graças ao Netflix. E a própria AMC admite que o serviço de streaming foi um dos responsáveis pelo boom da série. E digo mais: antes de House Of Cards e Orange Is The New Black, ao menos no Brasil, o Netflix era basicamente conhecido pelo lugar onde se podia ver Breaking Bad.

Tudo isso pra dizer que quando Breaking Bad explodiu na AMC a série já estava na sua reta final, então digamos que não deu pra colher tantos os frutos assim do sucesso. Mas logo em seguida veio Better Call Saul, em uma tentativa de prender o fã na emissora. O Netflix mais uma vez entrou na jogada, mas desse vez com distribuidor oficial. E assim chegamos agora em 2016 e sua segunda temporada que abusou das referências a série mãe.

Sempre ficou a pergunta: quando Walter White e Jesse Pinkman irão aparecer? Pergunta essa que ganha força a cada nova aparição. Mike é elenco fixo, Tuco, Hector e os gêmeos fizeram aparições rápidas e na season finale, ficou o flerte com Gus Fring dando as caras já no terceiro ano. Mas e a dupla principal?

Analisando os rumos da série, da pra se dizer que Jesse e até mesmo Hank seriam bem encaixados na trama. Jimmy é um advogado e está perto desse meio de traficantes e policiais. Mas Walter… não faz o menor sentido ele aparecer em Better Call Saul.

Gilligan já manifestou seu desejo e diz que é impossível terminar Better Call Saul sem a aparição de Mr. White. Bryan Cranston disse recentemente que ama Gilligan e fará qualquer coisa que ele mandar. Mas precisa desse fan service todo? Porque convenhamos, não é nada mais do que isso.

Sempre desenhei em minha mente que Better Call Saul seria a série do Saul Goodman, um excelente personagem tendo seu próprio espaço pra brilhar. Podia ser curtinha, duas temporadas estava de bom tamanho. Mas parece que visualizei a imagem errada. Better Call Saul está interessada em dividir sua trama entre a construção da personalidade de Saul e um prequel direto de Breaking Bad, afinal, todo esse lance envolvendo Mike e Gus irá impactar diretamente os rumos da série mãe.

Sinceramente, não duvido da capacidade de Vince Gilligan em criar roteiros amarrados. O cara é assustador. Mas mesmo assim, enquanto fã de série, quero menos fan service e mais foco no que realmente interessa em Better Call Saul: Jimmy.

Game Of Thrones decreta o fim da Era dos Spoilers

Spoiler não é mais uma questão de achismo. É uma questão de realidade

29 de junho de 2016

A audiência média de um episódio de Game Of Thrones nesse sexto ano foi de 8 milhões de pessoas, isso apenas na tv a cabo. Adicionando nessa conta aqueles que assistem através do serviço de streaming HBO Go a soma chega a casa dos 21 milhões. Agora me diz o que essas 21 milhões de pessoas tem com a questão dos spoilers? Um simples aviso: ou você assiste, ou você toma.

Não é mais uma questão de achismo. O que você acha, imagina ou sonha como mundo ideal não é mais levado em conta. Sua visão romântica onde milhões de pessoas vão se calar depois de um episódio como Batalha dos Bastardo nunca irá se concretizar. Game Of Thrones atingiu níveis nunca antes antigos na televisão, até mesmo LOST perde em popularidade. A razão é uma só: séries de tv, assim como cinema, não são produtos de nicho, de nerds ou geeks. São obras populares que a cada nova temporada, chega a mais e mais pessoas.

Pessoas essas que não participam da sua rodinha de debate a respeito da “moralidade do debate“. São pessoas comuns que assistem a uma das maiores obras da história da tv. E quando nós falamos de uma quantia absurda de mais de 20 milhões (fora a pirataria) o que você acha simplesmente se torna inútil. Spoiler não é mais uma questão de achismo. Insisto: é preciso abandonar essa mentalidade do fã de série de 10 anos atrás. Hoje não são apenas seus amigos descolados que assistem Game Of Thrones e Mr. Robot.

Mas essa negação faz parte dessa cultura que você insiste em fazer parte. É aquele sentimento de posse. É a ideia que a série lhe pertence. Assim ano após anos, vemos os mesmos argumentos sendo usados sobre essa questão do spoiler. Mas antes de tudo é preciso entender o spoiler e como e quando ele é usado.

Existe o spoiler direto, aquele que o cidadão faz questão de ir até você revelar algum plot da série. Isso é condenável não pelo fato dele estragar sua experiência, mas sim pela má fé. É má fé e isso é indiscutível. Com isso em mente, ao dizermos que não existe spoiler de evento ao vivo, a mensagem aqui é clara: não da pra frear uma multidão de pessoas de comentarem o que estão assistindo.

Jon Snow MORTO no poster OFICIAL da sexta temporada. Quer “spoiler” maior que isso? Pois é

É claro que sempre usam a carta do egoísmo. Mas deixa eu te explicar uma coisa (vai doer e você pode espernear, me xingar, ofender, enfim): se você não assina HBO você não tem direito a absolutamente nada. Você baixa ilegalmente uma série e ainda quer debater sobre moralidade? Francamente, se contenha.

Game Of Thrones decreta o fim da era dos spoilers por um simples motivo: você conhece alguém que reclama de spoiler de novela? Porque alguém contou como acabou Avenida Brasil? Claro que você não conhece, mas conhece a razão disso acontecer. Novelas são produtos populares que todo mundo assiste e amanhã estarão comentado. A triste notícia pra você, fã de série de 10 anos atrás, é que Game Of Thrones é tão popular quanto essas novelas.

Cersei já dizia que no Jogo dos Tronos, ou você vence ou você morre. Dar bandeira em pleno 2016, auge da comunicação em redes sociais, é pedir pra levar. Eu entendo, é revoltante ter a experiência estragada porque alguém compartilhou um gif do Jon Snow abrindo os olhos. Mas a grande verdade é que ninguém se importa com sua dor. Aceite, ninguém além de você vai se importar com isso.

Ou você se prepara para o inverno, ou ele te mata congelado. A sétima temporada vem aí.

Um brinde a melhor temporada de Game Of Thrones

The Winds of Winter (S06E10) finalmente afunila a série, encerra arcos e aponta para o fim

29 de junho de 2016

O silêncio impera nos primeiro segundos de The Winds Of Winter. Existe algo no ar, uma tensão que você não sabe explicar e nem de onde vem. É o silêncio sempre cumprindo seu papel, sempre assustador. Ninguém o suporta. Porém aos poucos, uma música leve, um toque de piano sutil, começa a dominar o ambiente. Nesse momento sua mente entende: algo irá acontecer.

Quando Game Of Thrones estreou lá em 2011 minhas noções sobre séries de tv ficaram abaladas. Não parecia, até aquele final de primeira temporada, que se tratava de uma história sobre bem vs mal, sobre superações ou mensagens positivas. Era algo mais dedicado a contar uma história do que encher o coração do espectador de esperanças. É por isso, que seis temporadas mais tarde, Game Of Thrones fez seu melhor ano.

Depois de tantos anos, tantos vai e vem, as coisas finalmente se afunilaram. O leitor do livro pode ter se sentido traído, mas enquanto série de tv, estava na hora das coisas começarem a caminhar para o fim. Em algum momento seria necessário pontuar algumas coisas.  Cersei Lannister mostrou do que é capaz e ao se sentar no Trono de Ferro. Aquela sensação que tínhamos lá no início dela ser a pessoa mais terrível de Westeros ganhou respaldo.

Também era hora de elevar Jon Snow a status de herói e salvador. Deu de flerte. Digamos que seu passado não foi uma revelação, está mais para confirmação. Targaryen e Stark. Gelo e Fogo. Como todos já sabiam. E não esquecer de Daenerys que depois de quebrar correntes e incendiar pessoas, finalmente partiu rumo a Westeros. Game Of Thrones pontuou bem o final para esses três protagonistas, está mais do que claro que tudo que vier até o grandioso final em 2018, será pautado através de suas ações.

Além disso, além de mirar para as conclusões, Game Of Thrones fez sua melhor temporada até aqui por se provar enquanto série. Seria difícil tomar qualquer decisão enquanto existissem livros para comparação. Mesmo que George R.R. Martin seja consultor, a decisão do roteiro sempre ficou nas mãos de David Benioff, D.B. Weiss. E deu pra sentir essa liberdade durante os 10 episódios.

Tirando o primeiro episódio The Red Woman (que mais parecia cena pós créditos do S05E10), toda a sexta temporada foi pensada como um grande finalmente. É engraçado que depois de seis anos conseguimos ao menos imaginar prováveis confrontos nas próximas temporadas.

Game Of Thrones se tornou grande demais. É um evento. E como todo evento precisa terminar no auge, o topo foi atingido. Sabendo disso, essa temporada usou e abusou de momentos inesquecíveis, mostrando que além de um bom drama, quando quer, Game Of Thrones é um turbilhão de emoções.

De Hodor a Batalha dos Bastardos, da morte de Rickon ao retorno espetacular de Arya. Tudo feito para provocar o espectador. Tirá-lo do conforto. É pra chorar? Chore. É pra vibrar de felicidade? Vibre. É pra ficar tenso? Fique.

The Winds of Winter (S06E10)

Magistral foi seu fim. Jon Snow é o Lobo Branco, o Rei do Norte. Cersei Lannister é a Leoa Coroada. E Daenerys is coming. Os ventos do inverno trouxeram um nostalgismo a série, lembrar de como tudo começou. Da inocente Mãe dos Dragões sendo vendida, da jovem Sansa sendo pisada por todos, do bastardo Jon procurando família em uma Muralha.

Nostalgia também de saber que em 2011 ainda teríamos muitas temporadas de Game Of Thrones pela frente, mas agora nos restam duas. E com menos episódios do que o de costume. Quando Sansa diz que o corvo branco anuncia a chegada do inverno, era possível sentir a presença de Ned Stark, aquele que sempre desconfiou de Cersei. Tudo ligado, tudo faz sentido.

Winter is coming? Não. Ele chegou. E que venha o fim.
Um brinde a melhor temporada de Game Of Thrones.

Os Oito Odiados, Sons Of Anarchy e mais de 40 novos títulos em julho no Netflix

Mês de férias será recheado de novas séries e filmes

28 de junho de 2016

Depois do catálogo do Netflix receber mais de 100 novas adições no mês de junho, sejam elas de filmes, documentários ou temporadas de séries, agora é a vez de julho receber mais uma pancada de novidades. E se prepara porque dessa vez vem MUITA coisa boa por aí.

Já no dia 01/07 temos o retorno de Marco Polo para seu segundo ano, a ótima quarta temporada de Homeland e finalmente, a sétima e última de Sons Of Anarchy, tão esperada pelos fãs. Tudo bem que é um desastre esse sétimo ano, mas tudo bem. Vida que segue.

Além disso no dia 09/07 o melhor filme de 2016, mas que foi lançado em 2015, chega ao Netflix. Os Oito Odiados, obra de arte de Quentin Tarantino, estará pertinho de você. Obviamente irei rever. E no dia 15/07 a esperada estréia de Stranger Things, nova série original do serviço de streaming.

Ao todo serão 46 novos títulos, entre filmes, séries e documentários. Então se liga na lista:

01/07

  • Marco Polo (segunda temporada)
  • Gilmore Girls (temporadas 1 a 7)
  • Between (segunda temporada)
  • Marcella (primeira temporada)
  • American Horror Story: Freak Show 
  • Modern Family (sexta temporada)
  • Sons of Anarchy (sétima e última temporada)
  • Homeland (quarta temporada)
  • Crô: O Filme
  • Colegas
  • Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas
  • Jim Jefferies: Freedumb
  • Olhos Bem Abertos
  • A Family Affair
  • Detona Ralph
  • Girl Meets World (segunda temporada)
  • A Casa do Mickey Mouse (quinta temporada)
  • Julius Jr. (segunda temporada)

04/07

  • Kuromukuro (primeira temporada)

05/07

  • Muita Calma Nessa Hora
  • Olga
  • O Diário de Tati

06/07

  • Brahman Naman

08/07

  • The Blacklist (terceira temporada)
  • Festa de Palavras (primeira temporada)

09/07

  • Os Oito Odiados (melhor filme de 2016)

14/07

  • Magi: The Adventures of Sinbad (primeira temporada)

15/07

  • Stranger Things (estréia)
  • Orphan Black (quarta temporada)
  • Rebirth
  • Um Amor a Cada Esquina
  • Tony Robbins: I Am Not Your Guru
  • Ghostheads
  • As Aventuras do Gato de Botas (terceira temporada)

22/07

  • Degrassi: Next Class (segunda temporada)
  • Bojack Horseman (terceira temporada)

23/07

  • Gente Grande 2

24/07

  • Popples (terceira temporada)

26/07

  • Motoqueiro fantasma: Espírito de Vingança

29/07

  • Tallulah
  • In a World…
  • Drinking Buddies
  • Last Chance U
  • Nossa Casa: As Aventuras de Tip e Oh (primeira temporada)
  • LEGO Bionicle: Jornada Épica (primeira temporada)

31/07

  • White House Down

Bom divertimento nas férias (pra quem ainda tem).

O quanto de você é possível saber através da internet?

Em Mr. Robot, Elliot usa suas informações expostas na internet pra descobrir quem é você

28 de junho de 2016

MR. ROBOT S01E03: quando Elliot acordou e enxergou o Sistema, ele passou a se considerar o meio para a solução do problema. O cinismo de enxergar como “as coisas realmente funcionam” transformou Elliot em uma pessoa tão sedada quanto aqueles que ele julga estarem assim. E é justamente isso que torna Mr. Robot uma obra tão fascinante.

Afinal de contas Elliot não é um herói, um salvador. É apenas um cara perturbado distorcendo a realidade a seu favor. Ele pode realmente entender que a vida do homem comum é dominada por corporações, dívidas, publicidade e consumo. Porém essa convicção o leva a criar seu próprio sistema, onde ele impera, abrindo os códigos fontes de todos ao seu redor.

Logo no início Sam Esmail faz questão de expor ela fragilidade de Elliot. Tanto que a série começa com ele entregando para a polícia um pedófilo, mas antes, fez questão de jogar na cara do criminoso o quanto ele sabia sobre ele. Elliot acreditar ter um poder quase divino em suas mãos. Ao conseguir hackear redes sociais e e-mails, Elliot cria em sua mente sua própria versão das pessoas.

Porém isso também é problematizado durante a série, mais precisamente no terceiro episódio quando ele entra em uma discussão com Shayla. Elliot fica espantando ao saber que ela faz artesanato. O diálogo é simples e direto:

– (na mente de Elliot) É bonito. Eu nunca tinha visto antes. Ela deve…
– Nunca postei online

Veja, por Shayla nunca ter publicado na internet um simples prazer pessoal, Elliot jamais imaginou que seria possível ela gostar de artesanato. Agora pense a respeito sobre isso. O quanto é possível saber de você através da internet? A pessoa por trás de avatares e quilos de filtros no instagram é a mesma quando a tela do celular está bloqueada?

Mr. Robot é certeira ao apontar esse assunto em poucas palavras. Isso obviamente não é gratuito, é para entendermos Elliot. Quanto mais ele se afasta das pessoas e usa da internet para defini-las, menos ele sabe sobre elas. E isso não é papo de série, é algo que acontece o tempo todo. Inclusive comigo. Inclusive com você.

A todo tempo nos portamos como carrascos nas redes sociais, perseguindo pessoas e ofendendo, sem ao menos saber quem ela é de verdade. Pegamos frases soltas, posts antigos no twitter e esprememos aquilo até o suco se tornar bagaço. Mas quem realmente é essa pessoa? Porém o contrário também acontece. Criamos ídolos e transformamos atos de bondade em produtos. Até mesmo o fato de você mudar um pensamento preconceituoso é usado como desculpa para ter seu ego massageado. Mas será que é isso mesmo?

Elliot se entorpeceu com a ideia de que realmente conhece o mundo. Tanto que se distanciou de qualquer ideia de realidade. Para ele tudo está em linhas de códigos, em posts no facebook, em mentiras contatas por e-mails. Se Mr. Robot invadisse suas redes, o que ele pensaria sobre você?

Bom. Problemas do século XXI. Temos uma imagem a zelar, agora, virtualmente.

A diferença entre o formato Netflix e Game Of Thrones

HBO ensina como manter uma série no foco da internet durante 10 semanas consecutivas

27 de junho de 2016

O formato seriado desde sempre foi o grande trunfo da televisão, que transforma o espectador em uma espécie de “escravo” daquele show, e dependendo da quantidade de episódios por temporada, o prende durante meses. Meses e meses de audiência garantida. Mesmo assim, foi graças a popularização dos box de dvd’s que séries como Sopranos e The Wire tiveram a expansão de público que tiveram. Mesmo antes do Netflix a maratona já era um hábito comum do fã de série.

No início do século XXI, época onde a televisão passou pela sua maior transformação em questão de qualidade, os dramas estabeleciam uma nova maneira de se fazer série. Ao invés de episódios semanais fechados, os chamados procedurais, a nova proposta era transformar toda uma temporada em um arco maior, onde cada episódio funcionasse como uma Boneca Russa.

Assim a tv instituía hora e lugar marcado para consumir a série. Você precisava estar na frente da televisão quando um novo episódio estreasse, precisava fazer parte das conversas no outro dia. Não era simplesmente um “cheguei cansado e vou ver qualquer porcaria na televisão“. Essa mentalidade foi sendo amadurecida, e pouco tempo depois, LOST e Breaking Bad levariam essa necessidade de estar na frente da televisão no horário certo a novos patamares. Mas obviamente, nada se comparado a que Game Of Thrones vem fazendo.

Somente o episódio Battle of the Bastards teve uma audiência de 22 milhões de pessoas, contando a tv e o serviço HBO Now. Além disso a série quebra recordes de pirataria ano após ano, se tornando um blockbuster único na televisão. É algo fora dos nichos clássicos. É cultura POP no máximo da palavra. E ser pop significa ser assunto, coisa que Game Of Thrones é desde o dia 24 de abril desse ano, quando The Red Woman fez a estréia da sexta temporada.

Foram dois meses sendo o assunto mais comentado na noite de domingo. 10 semanas sendo trending topic, alvo de especulações, de debates inflamados sobre spoiler. E por trás disso existe uma marca chamada HBO, que ganhou todo tipo de publicidade gratuita, afinal, mesmo que você pague pra ver HBO não é obrigado a falar dela em suas redes sociais. Tudo isso com uma única série.

Agora corta pro Netflix. Na semana que tivemos a Batalha dos Bastardos estreou Orange Is The New Black. Veja, mesmo que a série esteja consolidada e fazendo uma ótima quarta temporada, Orange Is The New Black nem de longe atingiu o alcance de Game Of Thrones.

Quando Ted Sarandos afirmou ano passado que Narcos era a série mais vista do mundo, ele não revelou quais fontes usou para chegar a essa conclusão. Porém mesmo que nós não tenhamos em mãos ferramentas necessárias para medir tal audiência, é fácil fazer um julgamento mais superficial. Basta notar durante quanto tempo você fica falando de uma série do Netflix e quanto tempo de uma da HBO.

A ascensão do conteúdo original: a briga é por relevância

Mas isso é uma conclusão que o próprio Netflix sabe. Sendo assim o serviço de streaming está investindo como ninguém em produção original, com a promessa de a cada 15 dias estrear uma nova temporada de série, filme ou documentário. A corrida do Netflix pra se manter na sua vista é lhe oferecer o maior número de conteúdo possível. Já a HBO rouba a internet pra si com “apenasGame Of Thrones.

Game Of Thrones deixa claro as diferenças entre ver uma série semanalmente e das maratonas. A primeira te fornece a oportunidade de analisar e refletir sobre tudo que lhe foi mostrado. A segunda é algo que você assiste consigo mesmo. Nunca da pra comentar sobre determinado episódio antes de um bom período de tempo, o problema nem são os spoilers, mas sim descobrir que você está sozinho nessa.

O mais fascinante disso tudo é saber que tanto o formato HBO como o Netflix tem lugares garantidos para o fã de série. E quem ganha essa guerra somos nós.

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