Amigos do Fórum - Página 6 de 334 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Em típico episódio de meio de temporada, Game Of Thrones instala o clima de tensão

"Blood of My Blood" (S06E06) da o pontapé inicial para o climax da sexta temporada

31 de maio de 2016

O formato de 10 episódios por temporada é o melhor possível. Sem espaço pra enrolação, a série se torna mais dinâmica, indo direto ao ponto e valorizando cada episódio. A linha de raciocínio é básica: os primeiros estabelecem a ligação com a temporada passada, apresentam os eventos que irão se desenrolar, o quinto e sexto encerram essa primeira parte deixando o terreno pronto para o climax.

Game Of Thrones sempre seguiu por esse caminho de sucesso. É difícil puxar da memória um episódio ruim ou tedioso, no máximo temos momentos onde a calmaria reina, como no caso de The Red Woman e o mais recente Blood of My Blood. Depois de The Door era necessário que Game Of Thrones tivesse esse momento para se resolver, finalizar alguns arcos e dar inícios aos novos. O que ficou claro é o clima de tensão instalado. Da Muralha a King’s Landing, de Westeros a Essos, todos os principais núcleos tiveram seus momentos.

São eventos que parecem não ter importância em um primeiro momento, mas conhecendo Game Of Thrones como nós conhecemos, está claro que os próximos episódios serão frenéticos. A começar por Bran Stark e suas visões que mexem com a cabeça de qualquer um. É surreal imaginar o que a mente de George R.R. Martin planejou lá no início. Se Oathbreaker flertava com o protagonismo de Jon Snow, fica difícil imaginar em que posição Bran estaria nessa hierarquia.

Game Of Thrones bagunça nossa noção de importância, afinal, quem salvará Westeros? O renascido guerreiro Jon Snow, o garoto Bran Stark ou… Daenerys? Nossa Khaleesi voltou novamente das cinzas e agora está mais armada do que nunca. É tanto poder em mãos que a impressão de que tudo isso irá ruir é forte. Não é a primeira vez que Daenerys surge como essa líder eloquente, com discursos inflamados, demonstrando todo seu poder. Porém há seis temporadas estamos nessa.

Blood of My Blood (S06E06)

É difícil imaginar o lugar de Daenerys na Guerra dos Tronos. É muito poder. É dragão, exército, khalasar… de qualquer forma, mesmo com esse discurso de conquistadora batido, a cena com Drogon é daquelas que enchem os olhos. Game Of Thrones é uma pequena obra de arte mesmo.

Já em King’s Landing o arco envolvendo o Alto Pardal parece que será mais longo do que nós pensávamos. Não houve enfrentamento e agora até o Rei se curvou diante da fé. A união entre igreja e estado não parece a melhor saída pra Westeros. O que me incomoda é notar como ótimos personagens seguem apagados.

Cersei só aparece pra falar frases de efeito, Jaime Lannister que há três temporadas dava a impressão de viver uma jornada de redenção, está em banho maria desde então. Os Lannisters que foram os personagens mais ardilosos e interessantes se tornaram reféns do roteiro.

Outra refém de um arco infinito é Arya. Há duas temporadas em Braavos a garota não conseguiu abandonar o legado de sua família. O teatro que ridiculariza os acontecimentos envolvendo King’s Landing fez com que ela se lembrasse de onde veio e sua tão esperada vingança.

Blood of My Blood pontou cada um de seus personagens, agora é a hora de partir pra reta final e esperar o de costume: muitas cabeças explodindo.

Cooked: quando foi que passamos a odiar a comida?

Série documental do Netflix é um resgate da nossa relação com os alimentos

30 de maio de 2016

Um reality show que tenta descobrir o mais novo chef do Brasil, ou aquele que busca o melhor confeiteiro. O melhor churrasqueiro? Tem também. Existem programas para os mais variados tipos de culinária na televisão e você tem tempo de sobra para assisti-los. Mas e cozinhar? Quantas vezes durante a semana você vai pro fogão cozinhar seu próprio alimento? Descascar cebola, alho, preparar um purê, grelhar uma carne…

Não é a toa que cozinhar virou espetáculo. Nos distanciamos tanto dos alimentos que ficamos de olhos arregalados vendo aqueles deliciosos pratos sendo preparados. É como se fosse algo distante, que só existe na televisão feito apenas por pessoas de gabarito. Odiamos fazer supermercado, odiamos fatiar, odiamos pia suja, odiamos fogão sujo, odiamos esperar. Nós odiamos comida.

O aumento do número de programas do gênero e a veneração pelo gourmet e comer fora, tornou o ato de cozinhar incômodo. Na correria do dia-a-dia você risca de sua agenda afazeres que consomem tempo demais, e passar alguns minutos preparando um arroz com feijão é carta fora do baralho. Um dos atos mais básicos e ancestrais do homem foi se perdendo com tempo, graças a industrialização do alimento (basta ver quem são os principais patrocinadores desses programas) e a procrastinação.

Fogo: cozinhar não é apenas comer melhor, é entender melhor o que nos torna humanos

E é buscando esse resgate entre nós seres humanos e a comida que a série documental Cooked chegou ao Netlfix. Enquanto Chef’s Table é pura poesia ao mostrar o que existe por trás da cozinha de grandes chefs, Cooked é mais didática em sua proposta. Dividida em quatro episódios, cada um representado um elemento da natureza, Cooked passeia ao redor do mundo buscando entender melhor como nosso relacionamento com a comida nos trouxe de primatas até o homem moderno.

Longe de ser uma série metida a ativista, Cooked se propõe a mostrar o outro lado de uma vida onde comer virou obrigação, não prazer. E para representar o espectador temos o escritor Michael Pollan, que episódio após episódio, vai redescobrindo pequenas tarefas que melhoram o relacionamento homem/alimento.

Fogo, Água, Ar e Terra são os elementos que dão nome aos episódios. Com esses quatro componentes básicos da vida, Cooked nos leva para conhecer tribos aborigenadas na Austrália, famílias na Índia, pequenos produtores, ou simplesmente pessoas que estão vivendo uma espécie de renascença da maneira como lida com a comida.

Tão importante quanto celebrar esse reencontro, Cooked também denuncia como somos expostos a esse estilo de vida que nos obriga a romper tal relação. A industrialização de alimentos, a publicidade pesada, um estilo de vida vendido junto com refrigerantes e fast food. A mensagem “olha, você não precisa cozinhar, nós fazemos isso por você” vai te corrompendo de tal modo que sem perceber, acaba achando que cozinhar é coisa de mãe, de vó, e você não nasceu pra fazer isso.

Comida é parte importante das tradições de uma nação, e quando isso começa a se perder, toda uma cultura vai sendo deixada pra trás . Durante o episódio Água vamos até a Índia ver como o país está sendo bombardeado de todos os lados pelos produtos industrializados. Um dos países onde a comida caseira é patrimônio nacional, os indianos estão vendo seus pratos e especiarias sendo transformados em química pura.

Ar: cozinhar não é apenas comer melhor, é se conectar com quem amamos

Aliás, nesse episódio existe uma cena bastante reveladora sobre a tediosa família do século XXI: uma mãe mexe no celular enquanto a filha assiste TV. Eles tem uma tartaruga no aquário. O pai e o filho chegam. A mãe diz que não teve tempo de cozinhar. Eles pedem delivery de hamburguer, frango e batatas fritas. Todos sentados no sofá vendo televisão. É assustador que tal prática hoje em dia seja algo normal.

Veja, a mãe não tem tempo pra cozinhar (cozinhar não deve ser papel de mãe, mas vamos em frente), mas está grudada no celular. A filha focada na televisão. Não existe diálogo. Ambas poderiam estar na cozinha, preparando alguma coisa quente e deliciosa, buscando uma relação de mãe e filha, mas não, estão ali. O marido e o filho (ambos gordos, diga-se de passagem) chegam na casa e pedem comida. Todos sentados, sem conversar, fixados na televisão, comendo sódio, açúcar e gordura. Deixar de cozinhar e se reunir na cozinha para uma refeição deu a eles tempo de sobra para não se relacionarem.

Portanto Cooked não quer apenas mostrar o quanto comidas pré-prontas são horríveis, mas sim te lembrar do relacionamento humano. Cozinhar não é uma tarefa individual e reuniões de famílias nos lembram disso. Mesmo que apenas uma pessoa cozinhe, sempre existe a discussão de quem fica com a louça suja, quem tira a mesa etc. A comida é apenas a cereja do bolo do relacionamento humano.

Eu sei que parece irresistível você ficar no twitter contando piadas enquanto assiste a um reality show de culinária, mas te garanto que botar a mão na massa pra você mesmo ou sua família é mais recompensador. Pode não ser uma comida como da tv, mas é a sua comida. Bom apetite.

Todos os frames da visão de Bran Stark em “Blood of My Blood”

Tudo passou muito rápido, então vamos frame a frame

30 de maio de 2016

Blood of My Blood foi um típico episódio de meio de temporada. Sua tarefa é basicamente selar os acontecimentos da primeira metade e conduzi-los para a reta final. Momentos assim costumam ser mornos, e de fato foi. Porém já em seu início Blood of My Blood trouxe novamente para a série as visões de Bran Stark.

Foi uma rápida montagem de cenas que deixa todo mundo intrigado, principalmente quem acompanha a série sem ler os livros. Porém mesmo sem um profundo conhecimento da obra de George R.R. Martin, foi possível identificar alguns eventos.

Fogo vivo

O conjunto de cenas mostra os chamados piromantes manipulando Fogo Vivo, aquele usado por Tyrion na batalha de Batalha de Água Negra (S02E09). Nós já ouvimos a história de como o Rei Louco planejou explodir King’s Landing caso os Rebeldes tomassem a cidade. Porém os Lannisters impediram isso de acontecer, e como a cena mostra uma explosão no subsolo, fica a dúvida se isso é apenas um sonho ou alguma visão do futuro.







A morte do Rei Louco

Aerys II Targaryen conhecido como o Rei Louco, foi morto por Jaime Lannister durante a Rebelião de Robert Baratheon. Nesse conjunto de cenas, é possível montar o momento em que o golpe de traição de Jaime acontece. Golpe esse que mancharia sua vida pra sempre, transformando-o no Regicida. Agora sério, o cara salvou a cidade e a turma ainda fica tirando onda? Vsf.








A cama de sangue de Lyanna Stark

Lembra daquela teoria da Lyanna ter dado a luz quando o Ned Stark a encontrou na Torre da Alegria? Pra fomentar ainda mais o debate, uma pequena cena mostrando o tal sangue. Resta saber se foi do parto mesmo ou de algumas singelas furadas de espada.


White Walkers Vs Dragões

Agora são vários frames que funcionam como um grande quebra cabeça. É possível encontrar diversas cenas chaves de toda a série, como a queda de Bran, a morte de Ned, o Casamento Vermelho, o nascimento dos dragões de Daenerys, a origem dos White Walkers, a batalha em Hardhome. É como se fosse um resumo do que realmente importa.





Visão do futuro

Essa cena acontece assim que Bran acorda. Ou seja, foi uma visão do futuro e isso acontece graças ao seu novo poder de Corvo de Três Olhos.

Drogon em King’s Landing

Por fim essa cena magnífica do Drogon sobrevoando a capital King’s Landing. Ela já foi vista no episódio “The Lion and the Rose” (S04E02) que foi escrito por ninguém menos que George R.R. Martin. Seria mais uma visão do futuro? Vish.


Com muita, muita informação do site Game Of Thrones Brasil

Alex Atala: “Por trás de cada prato existe a morte”

Chef brasileiro é um dos protagonistas da segunda temporada de Chef's Table

28 de maio de 2016

Há alguns dias o chef Henrique Fogaça, um dos jurados do Master Chef, postou em seu perfil no facebook a cabeça de um porco. Sua intenção era provocar. E provocou. Em poucas horas a imagem correu a internet, houve revolta, notas de repúdio, milhares de compartilhamentos. Tanta indignação é apenas um retrato do nosso distanciamento do alimento, que nos últimos anos, se tornou algo imaginário: nós comemos e adoramos bacon, mas Deus nos livre de saber da onde ele vem.

As consequências desse distanciamento vão desde as simplórias como se chocar com uma cabeça do porco, até as mais graves e problemáticas, como a ingestão desenfreada de alimentos processados e industrializados, obesidade, sedentarismo e principalmente o consumo sem regras, que vai da produção predatória que destrói ecossistemas até o desperdício.

Resgatar nosso relacionamento com a comida é algo que vem sendo tratado como filosofia de vida, e o chef brasileiro Alex Atala é um dos militantes desse processo. Atala é um dos protagonistas da segunda temporada de Chef’s Table, e durante os 50 minutos dedicados a ele, passamos a conhecer melhor o que acontece dentro e fora da cozinha do D.O.M., seu aclamado restaurante.

Um chef é o que ele cozinha, e a maneira como ele seleciona os produtos que irão se tornar caríssimos pratos diz muito sobre nosso comportamento com a comida. Estamos mais preocupados com a beleza da foto do prato do que a origem dos ingredientes. Mais preocupados com o glamour do restaurante do que em saber se os alimentos são frescos e saudáveis.

Alex Atala é hoje um popstar gastronômico, uma verdadeira celebridade. Mas sua fama tanto aqui quanto lá fora veio de algumas decisões nada convencionais. O Brasil é um país de terceiro mundo, com ricos de primeiro mundo. Nossa elite gosta de comer bem, mas antes disso, é preciso negar a tradição nacional. Arroz com feijão? Isso é coisa de pobre, de restaurante xexelento. A elite quer a cozinha francesa, italiana. Não quer peixe de rio.

Foi então que Alex Atala começou a se destacar no cenário gastronômico ao resgatar alimentos e temperos tipicamente brasileiros, fazendo releituras de pratos tradicionais usando suas experiências com a culinária européia. Mas o que da a Atala um diferencial é sua relação com o meio ambiente, afinal, com tanto destaque na mídia, era necessário ter uma posição bem definida a respeito do que se consome em seu restaurante.

Com ingredientes saindo de vilas da Amazônia e de pequenos produtores rurais, Alex Atala não apenas incentiva um comércio mais familiar, mas também influencia todos aos seu redor. Ser celebridade é ser influente e quando outros restaurantes buscam aperfeiçoar a qualidade do serviço, saber que o tomate D.O.M. é, por exemplo, colhido por uma família no interior de São Paulo, isso gera uma cadeia de novos produtores.

Quando todo essa ode a natureza e sua preservação partem do instinto mais primordial do homem (que é se alimentar), uma nova mentalidade começa a surgir. Não existe mal algum em abater um porco para servir de alimento. Mas quando você joga aquele resto de verduras podres da geladeira no lixo, está praticamente cuspindo em tudo que foi feito para que elas pudessem chegar na gôndula do supermercado.

Se aproximar da comida é comer melhor. É consumir menos agrotóxicos, menos sódio, menos açúcar. Cozinhar é um ritual que uni famílias, casais, recupera uma proximidade que a todo momento é pressionada a acabar. A rapidez das redes sociais, do entretenimento, do trabalho, se complementa com a rapidez de se alimentar.

Não adianta ficar com pena do porco se por trás da sua soja existe uma indústria desmatando florestas. Não seja um cínico procurando satisfação em likes. Coma melhor, sinta melhor. Procure saber a origem daquilo que você coloca na boca.

E viva Chef’s Table.

Mulher Maravilha é o segundo filme com orçamento superior a US$ 100 milhões dirigido por uma mulher

Patty Jenkins fazendo história com a Princesa Diana

28 de maio de 2016

Graças a Era de Ouro das Séries, a televisão foi berço de ótimos roteiristas, diretores, atores, profissionais do ramo e etc. Foi de Breaking Bad por exemplo que saiu Rian Johnson, futuro diretor do Episódio 8 de Star Wars, que comandou dois dos melhores e mais antológicos episódios da série, Fly e Ozymandias.

O cinema, que é uma indústria infinitamente maior que as séries de tv, aproveita essa pequenas jóias que vão se destacando e levando-os pra um teste definitivo na tela grande, com um orçamento milionário em mãos. É só questão de tempo para esse processo se tornar comum. Um desses nomes é Patty Jenkins, a diretora no comando de Mulher Maravilha.

Patty Jenkins não tem um currículo extenso, mas é uma mulher competente no que faz. Foi responsável pelo ótimo piloto de The Killing, e outros trabalhos em Arrested Development e obras, em geral, pra televisão. Sua saída da tela pequena pra tela grande já começou fazendo história: Patty Jenkings é a segunda mulher a dirigir um filme com o orçamento acima de 100 milhões de dólares.

O filme que estréia em 2017 é um marco pra história da cultura pop. A Mulher Maravilha não é apenas a heroína mais importante dos quadrinhos, independente do gênero, ela é uma das figuras mais conhecidas do mundo pop. Seu filme é um acontecimento em uma época que questionamos a representatividade nesse universo dominado por personagens masculinos.

Agora Patty Jenkins figura no incrível hall onde apenas duas mulheres tiveram tanta confiança de um estúdio. A outra diretora é a vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura, Guerra ao Terror), que em 2002 recebeu a mesma quantia pra dirigir K-19 (que ainda por cima foi um fracasso de bilheteria).

Mulher Maravilha nem estreou, mas já está fazendo história.
Toda coroação que a Princesa Diana merece.

Você sabe quem são os dois lutadores da abertura de Street Fighter 2?

Dois coadjuvantes de um dos maiores arcades da história finalmente ganham nome

27 de maio de 2016

Minha relação com videogames se resume a fliperamas. Cresci no interior e no início da década de 90, a tecnologia não era tão acessível quanto hoje. Você tinha lá um ou dois primos ricos com videogame em casa, mas a maioria de nós cresceu jogando emprestado ou em arcades de shoppings ou botecos, que é o meu caso.

Curiosamente os únicos fliperamas da cidade ficavam no PIOR bar possível, onde a gente se espremia entre bêbados e viciados em baralho pra poder jogar clássicos como Mortal Kombat e Street Fighter II. Joguei tanto e vi tantos outros jogarem que tenho em minha memória cada pixel dessa obra de arte da Capcom.

Logo quando você colocava a ficha, dois homens lutando no meio da cidade apareciam, até que um deles acerta o outro com um soco. A câmera sobe, STREET FIFHTER II aparece e você está pronto para selecionar seu lutador favorito. Mas mesmo sendo figuras tão icônicas, nada sabíamos desses dois guerreiros. Até agora. 25 anos depois a Capcom finalmente revelou um pouco de informação sobre os dois.

O cara da esquerda levando um murro é Max:

O cara socando o Max é o Scott:

A Capcom não tem planos para os dois lutadores, mas ficamos felizes em saber seus nomes. Eternos demais e pqp, que saudades do fliperama…

X-Men: Primeira Classe é um filme que não damos o devido valor

Matthew Vaughn deu vida a um dos melhores filmes de super heróis

27 de maio de 2016

Nos cinemas X-Men é uma franquia que desperta amor e ódio há anos. Quando chegou pela primeira vez em 2000, a adaptação de Bryan Singer foi magia acontecendo, e os estúdios percebendo que daria sim pra levar super heróis pra tela grande sem galhofada, como nos últimos filmes do Batman. Dava pra fazer alguma coisa diferente e bacana.

Seis filmes de equipe e dois solos do Wolverine depois, a franquia ainda pena pra conseguir solidez enquanto universo compartilhado. Você assiste um ou outro e gosta, mas no geral, em uma linha do tempo, vira uma bagunça. Bagunça essa que começou lá em 2006 com X-Men: O Confronto Final e piorou com X-Men Origins: Wolverine. Durante um bom tempo os X-Men pareciam enterrados no cinema, até que em 2011 um sujeito chamado Matthew Vaughn chegou com os dois pés na porta e fez o melhor filme da equipe.

Vaughn resolveu voltar no tempo, mais precisamente na década de 60 e mostrar um Xavier e Magneto ainda jovens. Praticamente tudo em X-Men: Primeira Classe funciona, desde o elenco que faz jus aos nomes de peso da primeira trilogia (Ian McKellen e Patrick Stewart) a história dos mutantes se misturando com a nossa, como a Crise dos Mísseis em Cuba, espionagem, tensão entre EUA e Rússia, bombas nucleares, etc.

Totalmente focado nas duas mentes por trás de todos os acontecimentos envolvendo os X-Men, Primeira Classe cria o relacionamento ideal entre Charles XavierErik Magnus. Em duas horas de filme somos apresentados a filosofia de ambos e principalmente, o choque frontal delas com a realidade. No fim, quem estaria mais correto sobre a visão que a humanidade teria a respeito dos mutantes?

Matthew Vaughn consegue criar momentos assim ao longo de todo filme. O rancor de Erik caçando os assassinos de sua família, Xavier lecionando e vivendo uma vida mais regrada, os debates e a deliciosa cena final na ilha. Primeira Classe deveria ser um filme divisor de águas, o início de uma nova era. E até certo ponto foi, o problema é que mesmo Dias de Um Futuro Esquecido e Apocalipse sendo bons filmes, Singer parece não ter compreendido a mensagem de Vaughn.

Uma das melhores cenas do cinema com super heróis

A descoberta dos poderes, o treinamento, o trabalho em equipe. Foi tudo tão bem conduzido sem a necessidade de criar grandes momentos. Por exemplo, a cena final entre MagnetoSebastin Shaw carrega uma carga emocional maior que qualquer outro vilão seguinte (os Sentinelas e o próprio Apocalipse).

Aliás, Shaw não é só um dos melhores vilões dos X-Men (ficando atrás apenas de Magneto), mas também das adaptações dos super heróis no cinema.

Bem vestido, charmoso, com a fala mansa e quase intocável. É o mal muito bem representado, praticamente o demônio. Mas Kevin Bacon é apenas um dos ingredientes dessa ótima mistura. Em Primeira Classe Jennifer Lawrence ainda não incomodava, a maquiagem de Nicholas Hoult não era estilizada pro rosto do ator aparecer mais, os uniformes eram uma belíssima homenagem aos quadrinhos. Até o uso do nome mutante foi bem sacado.

Falando por mim, X-Men: Primeira Classe é o melhor filme dos X-Men no cinema e um dos melhores já feito com super heróis. Vou além: desde Os Vingadores em 2012 não tivemos nenhum outro filme do gênero melhor que Primeira Classe.

Reveja esse filme e saiba dar o devido valor que ele merece.

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