Amigos do Fórum - Página 5 de 340 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Caça-Fantasmas e nossa mentalidade sobre o que consumimos

Uma pequena reflexão sobre tudo o que consumimos

11 de julho de 2016

Exterminador do Futuro, A Hora do Pesadelo, Karate Kid, Gremlins, A História Sem Fim, Indiana Jones, Loucademia de Polícia, Conan e claro Os Caça-Fantasmas. Um dos anos mais marcantes do cinema, 1984 trouxe uma montanha de filmes que marcaram uma geração e a indústria, e até hoje são reverenciados, seja pela qualidade, seja pelo sentimento. É um ano que deveria servir de exemplo para o cinema.

Criatividade, novidade e pra todo mundo. Sabe essa história de cultura POPULAR? É isso. Filmes que sobrevivem através das décadas e se tornam ícones. Muita gente fora desse círculozinho de nerd/geek conhece o Daniel San, Indiana Jones e a tem a música dos Caça-Fantasmas fresca na memória. Não é por menos que até hoje existem os nostálgicos não superam a década de 80.

Era um mundo fervilhando e novas ideias e isso refletia na arte. E agora, o que temos? Cite cinco personagens populares originais do cinema dos últimos 16 anos? Shrek? Jack Sparrow? Não consigo contar em uma mão. É claro que existe bom cinema sendo feito aos montes, mas e bom cinema pra todo mundo? Algo que daqui há 20 anos você irá se lembrar e contar aos seus filhos?

Um reflexo da nossa época. Somos sedentários de corpo e mentalidade. Ídolos e gostos são trocados a cada estação. Tudo é fast. Nossa comida, as redes sociais, nossas relações. Não nos importamos com nada além de nós mesmos. E ficamos cada vez mais exigentes, mas uma exigência que morre na próxima semana. Queremos mais e mais. Queremos ser enganados.

E por isso as coisas vem, são consumidas, e quando menos percebemos, nos esquecemos delas. Há muito o que ver e não temos tempo pra mastigar tudo. Mesmo assim queremos mais. É por isso que nada do que nos é apresentado tem como objetivo ser duradouro ou marcante.

Caça-Fantasmas já nasceu vítima dessa mentalidade. Primeiro por mexer em um vespeiro chamado nostalgia. Um sentimento que ao contrário da saudade, nos mantem presos no passado. E quem disse que Caça-Fantasmas precisava de um reboot/remake/continuação? Bom, é aí que nós percebemos onde fomos depositar nossos sentimentos. “Caça-Fantasmas” é uma marca e é assim que o mundo funciona. Vão refazer quantas vezes for necessário e ponto final.

Some nessa equação o quanto a cultura pop vem se transformando em um ambiente tóxico de opiniões acaloradas. A ansiedade por um filme receber crítica negativa, a torcida pelo fracasso nas bilheterias. É tudo tão pronto, tão mastigado, que você já tem quem decida por você. Não importa se você assistiu, mas sim o que aquele determinado site ou crítico disse. E tudo isso se reflete no que consumimos.

Ok. Mas e o novo Caça-Fantasmas?

É divertido e cheio de energia, com quatro ótimas protagonistas. Seu apelo visual funciona em muitos aspectos, e seu 3D é usado de uma maneira bastante interessante. Apesar de detestar o formato, vale a pena da uma conferida se o preço do ingresso for acessível. Funcionou, deu certo, nem de longe é essa tragédia que pintaram ou queriam que fosse.

Apanhou da internet antes de estrear, é bem provável que a surra acabe por aí. O espectador médio mesmo não liga. Esse irá se divertir. Sabe porque? Porque é engraçado, e comédia precisa ser engraçada. Mas é isso. Não vai marcar nenhuma geração. Até porque não precisa, o Caça-Fantasmas de 1984 já fez isso, há 30 anos. Sorte de quem pode viver tudo isso ao vivo, a novidade, a criatividade.

E nós? Bom, seguimos assim. Amanhã estreia um novo filme. Você vai adorar ou odiar, mas certamente irá se esquecer. Porque depois de amanhã estreia mais um. E você vai adorar ou odiar, mas certamente irá se esquecer. E assim consecutivamente. Dia após dia. Ano após ano.

A única maneira de você matar sua saudade de Game Of Thrones é lendo os livros

As Crônicas de Gelo & Fogo é o único remédio

10 de julho de 2016

Game Of Thrones é um fenômeno único. Como é uma série baseada em livros, existe todo um universo vasto além dos 10 episódios costumeiros por temporada. Sendo assim durante esses dois meses que somos presenteados anualmente com a série da HBO, a curiosidade em conhecer mais e mais daquele universo bate forte. Ao menos em mim.

É sempre assim. Começo procurando alguns nomes citados nas Wikis dos livros, depois me pego vendo alguns vídeos de fãs mais hardcores e por fim, tenho a certeza absoluta: sou completamente viciado em Game Of Thrones. Porém ano após ano seguia relutante em ler os livros, tenho dois em casa, presente da namorada em 2012 quando apresentei a ela a série.

Depois dessa sexta temporada cheguei no limite. Simplesmente encantado e querendo saber mais e mais. Acredito que o fato da série se encaminhar para sua conclusão fez despertar esse sentimento já de saudades. Lembro que quando Breaking Bad acabou foi o primeiro vazio que senti em relação a séries, mas ainda existiam obras como Mad Men, Homeland e Sons Of Anarchy para serem encerradas.

Mas e Game Of Thrones? Como matar a saudade? Aí meu amigo, não tem jeito: você precisa ler os livros.

A Batalha do Tridente

Primeiro porque não existe nada parecido com Game Of Thrones na televisão. Nada tão épico, tão grandioso e que misture na receita um bom drama. Até tem Vikings, mas por mais que a série do History tenha seus méritos, compará-la com Game Of Thrones é covardia. Foi então que finalmente resolvi fazer o que já deveria ter feito lá em 2012 quando ganhei o presente: ler os livros.

E cara, que fantástico. Nesse exato momento me encontro no Torneio da Mão que Robert resolveu fazer em homenagem a Ned. Ainda falta a metade de A Game Of Thrones para ser lida, mas estou simplesmente ansioso por falar de minhas primeiras impressões.

O tamanho dos livros espanta, mas George R.R. Martin compensa tudo com uma leitura gostosa e riquíssima de detalhes. Por conhecer a série, fica difícil desvincular a imagem que já tenho dos personagens. Mas gradualmente elas vão sendo substituídas pelas que o autor desenha em minha mente. Curiosamente, minhas partes favoritas do livro é quando R.R. Martin descreve com paciência detalhes que não podemos sentir na série. Como por exemplo o frescor da chuva no rosto de Catelyn enquanto viaja pela Estrada do Rei, ou as torres de Winterfell e as correntes de água quente, ou o calor sufocante de Porto Real. Até um copo de leite gelado com mel cria sabor na boca depois da leitura.

É fascinante entrar nesse universo em maiores detalhes. E também imaginar o trabalho da HBO em adaptar tudo isso. George R.R. Martin também não pouca o leitor de referências, que aos poucos vão se revelando. O autor muitas vezes cita algum personagem ou evento marcante para só mais adiante explicar em mais detalhes. É incrível. Você fica com aquilo em mente e querendo mais e mais histórias.

É difícil separar um bom tempo para ler. Quando estou em casa fico com minha filha e ela é chegada no colo do pai. Segurar um livro tão pesado enquanto nana a filha é difícil, mas aos poucos estou reservando parte da minha rotina para As Crônicas de Gelo & Fogo. E simplesmente estou adorando. Estou até deixando de ver algumas séries pra isso. Mas vale a pena.

Essa minha dica é a dica óbvia de todo fã mala dos livros. Leia os livros. Mas leia devagar… porque se a saudade da série já é forte, imagine de ambos…

Procurando Dory mais parece um filme Disney que Pixar

Filme é fofinho, mas eu quero mais do estúdio de Divertida Mente

8 de julho de 2016

Outro dia vi alguém comentando que o cinema anda tão sem criatividade que a gente espera que a Pixar salve o ano com alguma de suas animações. O tom era meio pessimista ou mais parecia uma piada, mas o fato é que a Pixar fez por merecer em sua curta jornada essa ansiedade por seus filmes. Nos últimos 20 anos o estúdio entregou alguns jovens clássicos ao cinema.

É claro que ela não é o único estúdio a fazer boas animações, basta olharmos para o Studio Ghibli, praticamente a principal fonte de inspiração da Pixar, e vermos que temos um mercado bastante rico do “gênero” (ok, animação não é gênero, mas você entendeu). Acontece que a Pixar faz o tipo de filme que me encanta, e que humildemente acredito ser o ideal.

São filmes que além de originais e criativos, com uma belíssima história de background, ainda é pop. Todo mundo vê os filmes da Pixar, de crianças a adultos, pessoas comuns, não apenas os mais cinéfilos ou nerds/geeks. É cinema pra todo mundo. Toy Story e Procurando Nemo estão aí pra provar o poder de uma boa história misturado ao blockbuster.

Porém a Pixar não é a prova de balas e obviamente erra uma vez aqui, outra ali. Porém seus “erros” nem de longe são catastróficos, mas quando comparados a obras como Wall-E e Divertida Mente, filmes como O Bom Dinossauro e Procurando Dory deixando a desejar. E sinceramente, esses últimos dois longas da Pixar mais parecem animações Disney do que do próprio estúdio.

Uma pequena obra prima da Pixar

O Bom Dinossauro é um filme simples que está preocupado em jogar na nossa cara o nível técnico que o estúdio alcançou. Já Procurando Dory é pensado como continuação não porque Procurando Nemo precisasse, mas sim pelo peso que o nome traria na bilheteria. É um filme ruim? Longe disso. É leve, engraçado e ainda consegue instigar o espectador a respeito de algumas ideias.

Mas seria Procurando Dory um filme necessário? Não acredito. Depois de Divertida Mente sempre vou esperar mais da Pixar, desculpa. Não que a Pixar não tenha feito nada de melhor antes, mas Divertida Mente é de uma inteligência e delicadeza única. É obra de arte que mistura ótimas ideias com um filme acessível para CRIANÇAS. É incrível pensar que uma garotinha de 10 anos que viu o filme em 2015 irá revê-lo quando estiver mais velha e ver sua cabeça explodindo com entendimentos que ela não tinha idade pra discernir.

Procurando Dory é simples. É um típico filme onde o protagonista é tirado de sua zona de conforto e embarca em uma aventura. Dory é uma personagem apaixonante, mas ainda assim, parece mais um filme vindo do estúdio de Frozen do que o estúdio do magistral Wall-E (o melhor filme do estúdio).

É bom, é fofinho e depois de Divertida Mente a Pixar merece umas férias… mas por favor volte logo.

Game Of Thrones: a sexta temporada | Podcast BADA BING!

Você descuidou e o BADA BING! está de volta!

8 de julho de 2016

Olá queridos amigos do fórum. Depois de um bom tempo de folga por motivos de ALICE, o BADA BING! está de volta para comentar, debater, tentar entender o que aconteceu nesses 10 episódios da sexta temporada de Game Of Thrones.

Como a série da HBO se transformou no maior evento da televisão em sua história e o que vem com isso. Spoilers, teorias, livros, magia e dragões. Game Of Thrones fez sua melhor temporada? Bom, vem com Luide e Castrezana debater isso.

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O maior legado de Jax Teller em Sons Of Anarchy

O sacrifício final para salvar seus filhos do mesmo destino em que ele e seu pai caminharam

6 de julho de 2016

Sons Of Anarchy é uma dessas séries que deixam saudades e são insubstituíveis. Por trás de todas aquelas motos e pancadaria, havia uma história sobre amizade, honra, união e principalmente família. Acompanhar a jornada de Jax Teller é acompanhar a busca de um homem, de um amigo e de um pai pelo melhor para aqueles que o cercam.

Acredito que ao lado de Breaking Bad, Sons Of Anarchy é a série perfeita para iniciantes em dramas. Ao contrário de Mad Men que usa da publicidade como plano de fundo (tema lá não muito atrativo), SoA tem algo que muita gente gosta ou sente curiosidade em saber mais. Afinal, como funciona um moto clube? É claro que muitos membros de moto clubes reais tanto lá fora quanto aqui não gostam da série, mas mesmo fantasioso, é um tema atraente.

Além disso existe todo um ensaio sobre amizade e o valor que damos a ela. Não devemos cultivar amigos, mas sim irmãos. Aqueles que estão dispostos a abrir mão de suas próprias vontades para te ajudar. É família de verdade, não de sangue, mas de gasolina. Sem contar que Kurt Sutter é um verdadeiro maluco, completamente insano, criando vários dos melhores-piores momentos da televisão. Ah meu amigo, como esquecer certas mortes? Nem Game Of Thrones choca tanto.

No centro de tudo está um sujeito chamado Jax Teller. Mesmo que Charlie Hunnam não seja lá um primor de ator, o personagem passou por uma jornada interessante de declínio e aceitação. O homem que não queria seguir os passos do próprio pai e viver uma vida de arrependimentos. O amigo que não queria um futuro sombrio para o Clube. O pai que não queria que os filhos herdassem uma vida de crimes.

Jax sempre buscou uma saída e cometeu muitos erros ao longo do caminho. Errou como amigo, com o clube e como pai. Estava fadado a errar em todos os âmbitos possíveis, assim como seu falecido pai. Foi então que ele decidiu partir para o sacrifício, e mesmo que Kurt Sutter tenha pesado a mão na reta final, existe um diálogo entre Jax e Nero no episódio Papa’s Goods (S07E13) que é a maior herança de Jax Teller, seu maior legado em Sons Of Anarchy.

Tendo consciência de sua natureza criminosa, e sabendo que não existe volta no caminho que ele escolheu seguir, Jax pede a Nero que no momento certo explique aos seus filhos quem realmente foi o pai deles. Sem romantismo e sem mentiras. Apenas a verdade. A verdade que Jax Teller foi um bandido, um assassino e traficante de armas. Não é um espelho para ninguém. Jax Teller é tudo que há de mal e seus filhos deveriam odiá-lo, sentir nojo. Os pequenos deveriam crescer com a imagem negativa do pai, sendo Jax um alerta do pior caminho a ser seguido.

Jax não se sacrificou pelo Clube, ele fez isso pela sua família. Ele viu o amor da sua vida partir, foi obrigado a matar a própria mãe. Como um ato de desespero, resolveu poupar seus filhos de toda a dor que sua presença poderia causar.

Jax Teller, o vilão, o homem mal.
É isso que seus filhos precisam saber e esse foi seu maior legado.

 

O Quarto de Jack está em todos os lugares

Graciane Dias apareceu como uma maluca fazendo fotos estranhas. Mas era algo maior que isso

5 de julho de 2016

Existe um pequeno engano a respeito de O Quarto de Jack. Apesar do título nacional levar o nome do garotinho, o filme é sobre sua mãe. É sobre uma mãe que transforma o cativeiro em um mundo mágico para o filho de apenas 5 anos. É sobre uma mãe. É sobre amor. O maior e mais puro sentimento que existe nesse planeta.

Não tem como não se encantar com a inocência do pequeno Jack. Ele simboliza a pureza imaginativa das crianças, a visão fantástica sobre as coisas que infelizmente vamos perdendo ao avançar da idade. A maneira como ele absorve experiências e processa tudo aquilo. É lindo, é mágico, mas ao mesmo tempo triste. Afinal, estamos falando de uma criança presa em um cubículo, mantida por um monstro.

É aí que entra em campo o poder indescritível desse negócio chamado amor. Ma, personagem vivida pela excelente atriz Brie Larson, precisa não apenas carregar o mundo sobre as costas, mas transformá-lo. Transformar sua dor eM alegria, sua escuridão em luz para o filho. É isso que nossos pais fazem durante toda a vida. Pegar aquele cansaço e transformar em uma brincadeira no final do dia. Pegar uma boa noite de sono e transformar em uma divertida manhã assistindo Galinha Pintadinha. Transformar o amor próprio em mais amor para os filhos.

O Quarto de Jack acontece o tempo todo, em muitas casas. Você conhece muitas Ma’s e muitos Jack’s. E nessas últimas semanas passamos a conhecer uma dessas milhões de Ma’s espelhadas pelo Brasil. Graciane Dias, a potiguar que teve seu momento de fama na internet graças as suas fotos tiradas em lugares inusitados. Mas a razão por trás disso é algo tão poderoso que botão de like ou joinha algum no mundo seriam suficientes para medir.

Mãe de quatro filhos, sendo dois deles portadores de necessidades especiais, Graciane encontrou uma maneira de aliviar toda a escuridão do mundo externo. Através do bom humor e muito, mas muito amor, ela passou a tirar fotos estranhas, em cima de fogão ou dentro da geladeira. Tudo para tirar do rosto de seus filhos um sorriso, dar a eles um momento de alegria.

Dentro do seu próprio Quarto de Jack, Graciane faz o que pode para transformar a vida dos filhos em algo melhor do que a realidade teimava em ser.

Foi uma forma que descobri para arrancar um sorriso deles” disse Graciane em entrevista a Fátima Bernardes (ASSISTA A ENTREVISTA!). “A primeira foto subi numa pedra bem alta e resolvi pular. Fiquei no ar e quando eles viram deram uma gargalhada. Subi novamente na pedra e pedi para tirarem uma foto. Eles começaram a rir de novo“.

Graciane é uma exceção em uma época onde o entretenimento é uma mentira sendo contada dia e noite. Nossas verdadeiras motivações são camufladas por filtros, a verdade é uma belíssima mentira disfarçada atrás do foco da câmera de um vlogger. Palavras são escolhidas para gerar mais compartilhamentos. É como se tudo que está diante de nós é algo forjado. Mas Graciane não. Uma mulher, uma mãe, disposta a tudo para os filhos. Livre da vergonha e sem medo do julgamento desse imenso juri agressivo chamado internet.

A realidade aqui fora é dura Graciane, a gente entende. Mas o que você faz pelos seus filhos é pura magia. Não deixe de fazê-lo. Quem sou eu pra te dizer o óbvio, mas nada nesse mundo tem mais valor para seus filhos que a mãe subindo em uma árvore e tirando uma foto.

Batman V Superman: Edição Definitiva, o filme que foi negado a Zack Snyder

Edição Definitiva veio pra melhorar a experiência de quem havia gostado

5 de julho de 2016

Houve um tempo. Um tempo anterior… Em que as coisas eram perfeitas. Tudo um mar de rosas. Mas as coisas desmoronaram” a frase dita por Bruce Wayne logo no início de Batman V Superman facilmente poderia ser dita por Zack Snyder. Nenhum outro nome na cultura do entretenimento foi mais pisado e chutado quanto o de Snyder, mas houve sim um tempo, um tempo anterior, onde as coisas eram perfeitas.

Um tempo onde a gente esperava por um novo trailer, uma nova imagem ou um boato mesmo desse tão aguardado filme. Tudo era hype. Mas as coisas desmoronaram. Batman V Superman foi o auge de uma cultura pop do excesso, onde críticos e fãs andam de mãos dadas com opiniões calorosas. O que era pra ser a Origem da Justiça quase foi o Fim. Bilheteria abaixo do esperado, diretores pedindo dispensa, mudança na chefia, agenda comprometida. Parecia um pesadelo.

Mas eis que chega a Edição Definitiva, com nada menos que 30 minutos a mais de filme, totalizando 3 horas de duração. É bom deixar algo claro: se você odiou Batman V Superman nem assista essa versão. Vai continuar odiando. Mas se você faz parte daqueles que gostaram/amaram sua experiência será melhor, vai por mim. A sensação que fica ao subir dos créditos é de um filme que foi negado a Zack Snyder.

A Edição Definitiva é de extrema importância para a primeira hora do filme. Tão importante que chega a ser inacreditável que editaram certas cenas da versão do cinema. Primeiro que um filme de super herói jamais deveria ter três horas de duração, mas já que era tarde demais, que diferença faria incluir algumas cenas na versão de 2:30hrs? Ao menos até o momento da explosão do Capitólio, nada deveria ter sido deixado de fora. Nada.

Aqui você entende melhor as tramas de Lex Luthor e como ele jogou o Superman contra o mundo. Até mesmo o arco da Lois que parecia cuspido se torna essencial. Mas sinceramente, não é isso que torna a Edição Definitiva melhor que a do cinema, mas sim como praticamente tiram um cara chamado Clark Kent dessa primeira hora na versão que você assistiu meses atrás.

Batman V Superman do cinema é um filme sobre a redenção do Batman. O homem que perdeu as esperanças redescobrindo que ainda há muito o que lutar. Do início ao fim somos apresentados a essa jornada pessoal do Homem Morcego. A morte dos pais, os diálogos com Alfred mostrando o amargor das lutas em Gotham, o ódio ao Ser que veio dos céus para colocar a raça humana aos seus pés. Mas no fim, Batman é lembrado de sua humanidade. Ele ouve o único nome que remete a bondade e pureza. Martha é o elo entre ele e Superman.

Porém na Edição Definitiva vemos Superman despido de seu traje. Clark Kent buscando respostas, lutando para entender o que é ser um deus em um mundo de papel. Vemos o garoto caipira ligando para a mãe, investigando crimes, se colocando no papel de civil. Ao contrário da primeira impressão, Batman V Superman é sim um filme do Superman. É dele que estamos falando, ele é a chave.

Batman V Superman: A Origem da Justiça (2016, Edição Definitiva)

Inclusive o papel de Jena Malone é essencial para uma das maiores perguntas sobre o roteiro: porque o Superman não ouviu a bomba? Ele é esse ser desprezível mesmo ou Chris Terrio e David S. Goyer tomaram chá de pêssego da vovó com vodka? Simplesmente bizarro a exclusão da atriz e consequentemente da cena. É impressionante como tudo isso foi negado a Clark. Foi negado a Zack Snyder.

Há outras cenas pontuais aqui e ali, mas como já dito, depois da explosão do Capitólio, são praticamente os mesmos filmes. Talvez o único momento revelador é saber que Luthor foi mandado para Arkham Asylum. A pergunta que fica agora é até onde vai essa tal liberdade criativa que supostamente os diretores teriam dentro da Warner.

A impressão é que soltaram as rédeas para Zack Snyder, que foi lá, meteu o loco e filmou três horas de filme, mas depois sentiram o possível cheiro da desaprovação. Mas ao invés de ajudar pioraram. De todo modo o susto foi grande e é preciso entender que ninguém é de aço. Em algum momento filmes eventos, grandiosos, irão cansar o público e até mesmo Snyder precisa entender isso.

De qualquer forma, sigo achando Batman V Superman o melhor filme com super heróis de 2016. É algo que queria ver nos cinema e vi. Ou melhor, queria mesmo era ter visto essa versão de três horas… mas ela foi negada.

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