O Globo de Ouro vale? | Podcast BADA BING!

Na season premiere do BADA BING! é hora de comentar os vencedores do Globo de Ouro e discutir sua importância

15 de janeiro de 2016

Olá queridos amigos do fórum, o BADA BING! está de volta para sua segunda temporada. Pra começar 2016 EMBALADO pelo ritmo frenético de premiações desse início de ano, nada mais justo que comentar os vencedores do Globo de Ouro. E mais: debater se a premiação realmente vale alguma coisa ou se sua relevância é pequena.

Quem venceu mereceu?
Quem perdeu foi injustiçado?

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O Regresso: é agora ou nunca Leonardo DiCaprio!

Apanhou de índio, de urso, caiu no rio, comeu carne podre... como sofreu esse DiCaprio!

15 de janeiro de 2016

Levando como base os últimos anos, da pra notar que o Oscar gosta de premiar atores e atrizes que sofrem em seus papéis quase sempre baseados em personagens reais. É o ator que emagrece, é a atriz que chora, é dor, é mudança, é gemido. E a julgar pela lista de indicados desse ano, ninguém ali sofreu mais que Leonardo DiCaprio em O Regresso, novo filme do diretor Alejandro Iñárritu, que já venceu ano passado como Melhor Diretor e Melhor Filme por Birdman e mais uma vez é tido como o favorito.

A fórmula está perfeita pra DiCaprio deixar se ser um meme e entrar de vez pra galeria dos oscarizados: além do já dito sofrimento ao longo de 2:30hrs, seu personagem Hugh Glass existiu e é uma das maiores lendas de sobrevivência americana. A história do peleiro que foi atacado por uma ursa e abandonado pelos seus companheiros é quase uma fantasia, mas dizem que realmente aconteceu por volta de 1823 nos arredores do que seria o estado de Nebraska.

De fato O Regresso realmente parece uma história que pais contam aos filhos de tão absurda, e Iñárritu consegue dar uma noção do quão impossível é a missão de sobreviver em um ambiente tão hostil. Mas apesar da excelente performance de Leonardo DiCaprio que grunhe e rasteja em busca de sobrevivência e vingança, O Regresso é maior que sua atuação.

A beleza de O Regresso está mais uma vez na deslumbrante fotografia de Emmanuel Lubezki, duas vezes ganhador do Oscar por Gravidade e Birdman. Novamente ele cria belíssimas cenas em plano sequência que se espalham por todo filme, principalmente durante a batalha logo no início. Tensa, ela serve como alerta ao espectador dos perigos dessa exploração de um Estados Unidos ainda virgem das mãos do homem branco.

Há uma contemplação quase poética da natureza, seus perigos, silêncio e mistérios. Pra ajudar ainda mais nessa poesia Iñárritu optou por usar apenas luz natural. É uma sensação que vai do completo isolamento a total tensão, o que torna o a batalha de Hugh Glass ainda melhor de se acompanhar. Assim como Os Oito Odiados, O Regresso diz muito sobre a criação dos EUA.

O Regresso é um filme lindo que merece ser visto dentro de uma sala de cinema.
E se o Leonardo DiCaprio não levar o Oscar dessa vez, sei lá, vai ter que interpretar uma ameba.

O segredo mais bem guardado do Netflix pode ter sido revelado

A tão misteriosa AUDIÊNCIA do serviço de streaming mais uma vez é alvo de especulação

14 de janeiro de 2016

O Netflix é meio humildão e não gosta de divulgar seus números. Sabe-se o básico a respeito de número de assinantes (que já passa de 60 milhões no mundo todo) e sua presença em mais de 190 países agora em 2016. Mas em relação a faturamento e principalmente audiência o serviço de streaming é muito cauteloso.

A impressão que da é que eles só revelam números quando são “provocados”. Ano passado, por exemplo, Ted Sarandos revelou que Beast of No Nation tinha sido assistido 3 milhões de vezes nos 10 primeiros dias, resposta dada a pergunta sobre o boicote que o Netflix sofreu de redes de cinema. Ainda no ano passado ao ser perguntado sobre como o Netflix se sente tendo em seu catálogo a segunda série mais vista do mundo, Sarandos respondeu que não é bem assim… Narcos é a série mais vista no mundo (informação que carece de fontes).

Wagner Moura e Narcos: ganhando o mundo com o Netflix

De qualquer forma não temos nada oficial do Netflix dizendo quais são suas séries mais vistas e principalmente, quais o números de audiência. Então se o Netflix não revela, alguém resolveu fazer o trabalho e mostrar ao mundo uma perspectiva sobre o sucesso de suas séries. E quem diria, essa pesquisa veio das mãos da NBC, emissora de TV americana.

Quem revelou os números foi Alan Wurtze, Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da NBC. A pesquisa encomendada a empresa Symphony pelo canal é uma resposta direta da TV aberta a declarações que o Netflix vem roubando sua audiência: “A noção de que o modelo de transmissão está quebrado ou morrendo não é real… Ele realmente não está” disse Wurtze que fez questão de esfregar os números.

A amostra foi realizada entre setembro e dezembro e contou com 15 mil pessoas. Os números estimados são:

  • Jessica Jones 4,8 milhões
  • Master of None 3,9 milhões
  • Narcos 3,2 milhões
  • Orange Is The New Black 644 mil

O estudo ainda revela que a procura em massa pelas séries do Netflix ocorrem nas primeiras duas semanas seguindo por uma queda brusca nas seguintes. De todo modo, são números expressivos.

É fato que enquanto a tv aberta discute a audiência do Netflix, o serviço investe 5 bilhões em programação original. Assim fica fácil de prever quem irá vencer a guerra pela SUA audiência… Nessa semana o jornalista Ricardo Feltrin publicou em sua coluna que o Netflix faturou 1,1 bilhão no Brasil em 2015, mais que o próprio SBT (850 milhões).

Eu sou Ex-Machina e Mad Max: Estrada da Fúria no Oscar 2016

Lista dos indicados saiu e eu já escolhi pra quem torcer

14 de janeiro de 2016

O que faz de um filme melhor do que outro? Nossos “melhores” são decididos pelo gosto pessoal, e aí leva-se em conta nossa bagagem cinematográfica (a falta de parâmetros atrapalha), nosso humor no dia, nossa visão de arte, enfim, por isso cada lista de Melhores do Ano dificilmente será unânime. Existe um Oscar particular dentro de cada um.

Na teoria, uma premiação como o Oscar serve pra dizer quem realmente fez o melhor trabalho no ano que passou. Seria como “olha, eu entendo que você ache O Despertar da Força o melhor filme de 2015, na verdade o melhor é o XXX por isso, isso, isso e isso“. Mas entra ano e sai ano, cada vez damos menos importância a essas premiações. É legal discutir, falar sobre merecimento, torcer, mas no fim, o que muda?

Quando você sabe que O Poderoso Chefão ganhou Oscar existe um alívio, mas ao mesmo tempo lembrar que Stanley Kubrick nunca ganhou NADA pela sua obra extraordinária bate uma certa desconfiança. Enfim, a maior celebração da sétima arte acontece dentro de uma sala de cinema. Prêmios são prêmios, mas a gente torce.

E os concorrentes do Oscar 2016 foram divulgados. Claro que se dependesse de mim Os Oito Odiados e Divertidamente estariam entre os indicados, mas ainda assim a lista me reservou surpresas.

  • Mad Max: Estrada da Fúria teve DEZ indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor
  • O divertidíssimo Perdido Em Marte foi indicado a Melhor Filme
  • Divertidamente foi indicada a Melhor Roteiro Original e Melhor Animação (óbvio)
  • Ex-Machina foi indicado a Melhor Roteiro Original e Melhores Efeitos Visuais

Mad Max é o filme mais pulsante de 2015, Perdido Em Marte uma declaração de amor a ciência e nossa humanidade. Divertidamente é um filme sobre crescimento e aceitação. Ex-Machina é filosófico até o talo.

Infelizmente a gente sabe que tirando Divertidamente em Animação, ninguém ai vai levar.
Pra levar o Oscar tem que sofrer. Boa sorte a todos.

Com roteiro afiado e sedutor, “Steve Jobs” nos leva para os bastidores de uma vida

Novo longa tira Jobs dos palcos para nos contar trechos de sua vida através dos bastidores de três momentos cruciais de sua carreira

13 de janeiro de 2016

Como funciona uma orquestra? Bom, como uma pessoa totalmente leiga, imagino que trabalhe como um relógio. Vários componentes em total precisão funcionando ao mesmo tempo. Em uma orquestra, cada músico é uma engrenagem, mas quem seria o maestro? Talvez a pilha, aquela que faça com que todos ali se movimentem.

É mais ou menos como essa peça fundamental para o surgimento de algo é que Steve Jobs se portou. O maestro, o homem que soube como poucos compor a música que nós gostaríamos de ouvir. E antes mesmo de compor ele já sabia nós não poderíamos mais viver sem ela. Foi um revolucionário e um dos responsáveis pelo fato de, provavelmente, você estar lendo esse post através de um smartphone, seja ele da marca que for.

Tentar traduzir essa maestria não é uma tarefa fácil. Aliás, cinebiografias não são fáceis. Para um diretor escolher o que deve ou não ser omitido de uma vida inteira não deve ser lá das melhores tarefas, afinal, bastam poucas linhas de diálogo para transformar um homem em um monstro ou em um messias.

Em Steve Jobs, novo filme do diretor Danny Boyle, felizmente isso não acontece. Steve Jobs é do começo ao fim um filme sobre um homem que tentou enxergar um mundo que ninguém enxergava, na verdade, nem ao menos sonhavam existir. Mas a direção aqui é decisiva para empregar o ritmo do excelente roteiro de Aaron Sorkin, nosso velho amigo conhecido por construir diálogos pulsantes, envolventes, que grudam os olhos na tela, seja na tv (The Newsroom, The West Wing) ou no cinema (A Rede Social).

Michael Fassbender pra variar dando um SHOW de atuação

Esse “bate volta” de conversas que Sorkin cria em Steve Jobs é a essência do filme, que basicamente se passa nos bastidores de três dos principais projetos que Jobs esteve envolvido: o lançamento do controverso Macintosh (1984), a criação do arriscado Next (1998) e sua glória quando entregou ao mundo o primeiro iMac (1998). Três momentos importantes para se conhecer o histórico de genialidade e revolução que corria no sangue de Jobs.

O dinamismo do filme é incrível e ajuda a construir em nossa mente um pouco do que foi esse personagem quase mítico para muitos fãs de tecnologia. Qual o motivo de tanta adoração? Por que um lançamento Apple é ainda um evento tão esperado? Existia de fato um ser humano atrás daquela roupa simples e que encantava a platéia com sua oratória?

O elenco está afiado e não há um único personagem fora do tom. Assistir os embates entre eles é sentir no fundo do coração uma saudade de The Newsroom. Sorkin sabe como poucos colocar as palavras certas, ditas no tom certo, no momento ideal. Em um determinado momento, já no final, eu quase chorei. De verdade e isso acontecia MUITO em Newsroom. É sem dúvidas um dos melhores de sua geração (por favor, volte pra TV!).

Biografias de um dos homens que revolucionaram o século XX e XXI é que não irão faltar.
Ainda bem que Steve Jobs consegue bastante autêntico nesse aspecto, certamente um dos poucos acertos que veremos ao longos dos anos. Toda homenagem a Steve Jobs é pouca.

A importância do primeiro Globo de Ouro de Mr. Robot

Não é sobre merecimento, mas sim sobre levar Mr. Robot para novos espectadores

11 de janeiro de 2016

Não são todos que enxergam no Globo de Ouro um prêmio sobre merecimento. Há quem conteste a maneira como os vencedores são decididos, o lobby feito antes do evento, enfim, é no mínimo controverso. Porém mesmo sabendo desses pequenos buracos, é claro que o Globo de Ouro possui uma importância, que muitas vezes, fica até difícil de medir os efeitos.

Digo isso porque em 2015 quem levou o prêmio de Melhor Série Dramática foi The Affair da Showtime, e mesmo após uma segunda temporada impecável, a série ainda sofre com a baixa audiência e caminha pelo underground do mundo da televisão. Aqui no Brasil então é praticamente invisível.

Ou seja, o Globo de Ouro poderia servir para catapultar boas obras que pouco são conhecidas pelo grande público. O que parece não acontecer muito no Emmy Awards, cujo a lista de indicações parece valorizar séries mais bem estabelecidas. De qualquer forma, vale lembrar que premiação nenhuma foi criada para fazer justiça

Hello friend…

De todo modo, a vitória de Mr. Robot soa como o primeiro troféu em uma estante que em breve poderá estar cheia deles. A série do USA foi de longe a melhor estréia de 2015 e fez uma das melhores temporadas do ano que passou. O público mais aficionado por dramas voltou seus olhos, a crítica recebeu de braços abertos. Afinal, pouco se sabia a respeito do seu criador e pouco se espera do canal que lhe serviria de casa. Mr. Robot é uma belíssima surpresa.

Da fotografia às vezes confusa a trilha sonora que remete aos clássicos de ficção científica dos anos 80, Mr. Robot é uma imersão no universo de Elliot, o que vemos ali é sua própria versão do mundo real, junto claro com seus medos e vontades. Sam Esmail presta uma homenagem a cultura pop através de sua obra, seja pelas referências óbvias a Clube da Luta, seja pelos ícones da tecnologia ali citados.

É preciso entender que Mr. Robot não é uma série sobre hackers ou a queda de grandes corporações, mas sim sobre um garoto que carrega consigo traumas frutos desses elementos. É também uma série sobre expectativas, afinal, o roteiro a todo momento brinca com essa nossa necessidade por reviravoltas e revelações bombásticas, quando na verdade, Mr. Robot está nos contando a mesma coisa do início ao fim. Não se engane.

E essa quebra de expectativa é que transforma Elliot em um personagem nada óbvio. Por criar seu mundo, por insistir nessa sua visão de um lugar melhor, livre do capitalismo e da opressão feita pelos conglomerados de empresas, vai aos poucos nos colocando em cheque contra nosso próprio protagonista. Afinal, o que significa tudo isso que ele está fazendo?

Que o Globo de Ouro sirva sim de uma catapulta e que novas pessoas tenham a curiosidade de assistir a Mr. Robot.

Os Oito Odiados é uma obra de arte. Simples assim

É Quentin Tarantino dando um show durante mais de três horas de filme. Simples assim

10 de janeiro de 2016

Engana-se quem enxerga em Quentin Tarantino um diretor de filmes simplórios e sustenta seus argumentos dizendo que “ violência demais“. Primeiro nota-se uma tremenda falta de conhecimento a respeito da obra do diretor, segundo, nem ao menos a boa vontade de buscar entender o que ele tenta nos dizer com o tal excesso de sangue.

Os Oito Odiados é um filme tarantinesco do início ao fim, um desfile daquilo que o diretor sabe fazer de melhor, mas com um adicional: ele está mais afiado do que nunca, e o que pra alguns soa como teimosia (o quase abandono do projeto, as filmagens em 70mm) na verdade é simplesmente Quentin Tarantino dando seu máximo, em um exercício inacreditável de criatividade e controle sobre sua obra. É o tipo de filme que não se muda um copo de lugar, é talvez o melhor desde Pulp Fiction ou o mais “ousado” no mínimo.

Apesar da alta popularidade no século XX, o fato é que o gênero western pode causar certa estranheza em um público cada vez mais acostumado com velocidade, até mesmo clássicos absolutos como a Trilogia dos Dólares de Sérgio Leone espanta os mais histéricos e carentes por um ritmo desenfreado de cinema, que muitas vezes maquia o real conteúdo. Se há que exista algum.

No caso de Tarantino quase TRÊS HORAS E MEIA de diálogos e pouquíssimos cenários deve ser considerado um presente, afinal, em pleno 2016 um diretor tão pop quanto ele nos convidar para passar algumas horas com alguns degenerados é algo que deva ser visto com outros olhos. A aparente facilidade que Tarantino conduz seus personagens e extrai do elenco atuações memoráveis até assusta.

Os Oito Odiados é um filme de essência, nesse caso, da própria América, já que apesar dos personagens (não existe de fato OITO ODIADOS) serem diferentes por profissão, no fundo, há algo que todos compartilham: a violência pela sobrevivência. E não há como negar que os EUA é por essência um país que surgiu através do sangue, seja de índios, negros ou seus próprios colonizadores.

E o que encanta de verdade é como Os Oito Odiados cria seu pequeno universo para nos contar sua história. Saindo do cinema e indo para o universo das séries, basta lembrar de que alguns dos melhores episódios nesse curto período dourado da televisão são construídos quando dois personagens são confinados em um único ambiente e então, através da interação entre ambos a verdadeira natureza da série é revelada. Um exemplo máximo é Fly de Breaking Bad cuja a falta de ação obviamente espanta o mais ansioso, mas está tudo ali.

Ou seja, não é preciso algo grandioso para passar sua mensagem.

Tarantino basicamente DESOSSA até a alma de seu elenco e entrega interpretações inesquecíveis

E Tarantino sabe como poucos exercer essa profissão de contador de história. Em Cães de Aluguel já havia feito isso com maestria e porque não citar Pulp Fiction com seus diálogos sobre um Quarteirão com Queijo? Claro, levando em consideração seus últimos filmes (Bastardos Inglórios e DjangoOs Oito Odiados pode parecer gerar uma quebra de expectativa. Afinal, desde a primeira cena que mostra Cristo crucificado, a mente do espectador é condicionada a esperar por um final explosivo.

E é uma sensação válida. Seja através da opressora neve ou os terríveis e assustadores sons vindos de fora, a sensação de que Tarantino nos levou para um inferno é constante. Você espera mortes em um campo de batalha, mas em uma espécie de pousada restaurante? O que pode existir de tão cruel em um lugar tão desolado? Tudo isso contribui para que prestemos atenção a cada linha de diálogo. O inesperado é esperado.

Falar sobre a excelente trilha sonora é chover no molhado, exaltar a fotografia hipnótica é chutar cachorro morto, dizer que Quentin Tarantino é um gênio já virou conversa de padaria.

Mas é tudo isso.
Vá ao cinema. Saba-se Deus quando teremos algo assim novamente. Bom, até sabemos: quando o nono filme de Tarantino estrear.

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