Amigos do Fórum - Página 4 de 339 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Procurando Dory mais parece um filme Disney que Pixar

Filme é fofinho, mas eu quero mais do estúdio de Divertida Mente

8 de julho de 2016

Outro dia vi alguém comentando que o cinema anda tão sem criatividade que a gente espera que a Pixar salve o ano com alguma de suas animações. O tom era meio pessimista ou mais parecia uma piada, mas o fato é que a Pixar fez por merecer em sua curta jornada essa ansiedade por seus filmes. Nos últimos 20 anos o estúdio entregou alguns jovens clássicos ao cinema.

É claro que ela não é o único estúdio a fazer boas animações, basta olharmos para o Studio Ghibli, praticamente a principal fonte de inspiração da Pixar, e vermos que temos um mercado bastante rico do “gênero” (ok, animação não é gênero, mas você entendeu). Acontece que a Pixar faz o tipo de filme que me encanta, e que humildemente acredito ser o ideal.

São filmes que além de originais e criativos, com uma belíssima história de background, ainda é pop. Todo mundo vê os filmes da Pixar, de crianças a adultos, pessoas comuns, não apenas os mais cinéfilos ou nerds/geeks. É cinema pra todo mundo. Toy Story e Procurando Nemo estão aí pra provar o poder de uma boa história misturado ao blockbuster.

Porém a Pixar não é a prova de balas e obviamente erra uma vez aqui, outra ali. Porém seus “erros” nem de longe são catastróficos, mas quando comparados a obras como Wall-E e Divertida Mente, filmes como O Bom Dinossauro e Procurando Dory deixando a desejar. E sinceramente, esses últimos dois longas da Pixar mais parecem animações Disney do que do próprio estúdio.

Uma pequena obra prima da Pixar

O Bom Dinossauro é um filme simples que está preocupado em jogar na nossa cara o nível técnico que o estúdio alcançou. Já Procurando Dory é pensado como continuação não porque Procurando Nemo precisasse, mas sim pelo peso que o nome traria na bilheteria. É um filme ruim? Longe disso. É leve, engraçado e ainda consegue instigar o espectador a respeito de algumas ideias.

Mas seria Procurando Dory um filme necessário? Não acredito. Depois de Divertida Mente sempre vou esperar mais da Pixar, desculpa. Não que a Pixar não tenha feito nada de melhor antes, mas Divertida Mente é de uma inteligência e delicadeza única. É obra de arte que mistura ótimas ideias com um filme acessível para CRIANÇAS. É incrível pensar que uma garotinha de 10 anos que viu o filme em 2015 irá revê-lo quando estiver mais velha e ver sua cabeça explodindo com entendimentos que ela não tinha idade pra discernir.

Procurando Dory é simples. É um típico filme onde o protagonista é tirado de sua zona de conforto e embarca em uma aventura. Dory é uma personagem apaixonante, mas ainda assim, parece mais um filme vindo do estúdio de Frozen do que o estúdio do magistral Wall-E (o melhor filme do estúdio).

É bom, é fofinho e depois de Divertida Mente a Pixar merece umas férias… mas por favor volte logo.

Game Of Thrones: a sexta temporada | Podcast BADA BING!

Você descuidou e o BADA BING! está de volta!

8 de julho de 2016

Olá queridos amigos do fórum. Depois de um bom tempo de folga por motivos de ALICE, o BADA BING! está de volta para comentar, debater, tentar entender o que aconteceu nesses 10 episódios da sexta temporada de Game Of Thrones.

Como a série da HBO se transformou no maior evento da televisão em sua história e o que vem com isso. Spoilers, teorias, livros, magia e dragões. Game Of Thrones fez sua melhor temporada? Bom, vem com Luide e Castrezana debater isso.

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O maior legado de Jax Teller em Sons Of Anarchy

O sacrifício final para salvar seus filhos do mesmo destino em que ele e seu pai caminharam

6 de julho de 2016

Sons Of Anarchy é uma dessas séries que deixam saudades e são insubstituíveis. Por trás de todas aquelas motos e pancadaria, havia uma história sobre amizade, honra, união e principalmente família. Acompanhar a jornada de Jax Teller é acompanhar a busca de um homem, de um amigo e de um pai pelo melhor para aqueles que o cercam.

Acredito que ao lado de Breaking Bad, Sons Of Anarchy é a série perfeita para iniciantes em dramas. Ao contrário de Mad Men que usa da publicidade como plano de fundo (tema lá não muito atrativo), SoA tem algo que muita gente gosta ou sente curiosidade em saber mais. Afinal, como funciona um moto clube? É claro que muitos membros de moto clubes reais tanto lá fora quanto aqui não gostam da série, mas mesmo fantasioso, é um tema atraente.

Além disso existe todo um ensaio sobre amizade e o valor que damos a ela. Não devemos cultivar amigos, mas sim irmãos. Aqueles que estão dispostos a abrir mão de suas próprias vontades para te ajudar. É família de verdade, não de sangue, mas de gasolina. Sem contar que Kurt Sutter é um verdadeiro maluco, completamente insano, criando vários dos melhores-piores momentos da televisão. Ah meu amigo, como esquecer certas mortes? Nem Game Of Thrones choca tanto.

No centro de tudo está um sujeito chamado Jax Teller. Mesmo que Charlie Hunnam não seja lá um primor de ator, o personagem passou por uma jornada interessante de declínio e aceitação. O homem que não queria seguir os passos do próprio pai e viver uma vida de arrependimentos. O amigo que não queria um futuro sombrio para o Clube. O pai que não queria que os filhos herdassem uma vida de crimes.

Jax sempre buscou uma saída e cometeu muitos erros ao longo do caminho. Errou como amigo, com o clube e como pai. Estava fadado a errar em todos os âmbitos possíveis, assim como seu falecido pai. Foi então que ele decidiu partir para o sacrifício, e mesmo que Kurt Sutter tenha pesado a mão na reta final, existe um diálogo entre Jax e Nero no episódio Papa’s Goods (S07E13) que é a maior herança de Jax Teller, seu maior legado em Sons Of Anarchy.

Tendo consciência de sua natureza criminosa, e sabendo que não existe volta no caminho que ele escolheu seguir, Jax pede a Nero que no momento certo explique aos seus filhos quem realmente foi o pai deles. Sem romantismo e sem mentiras. Apenas a verdade. A verdade que Jax Teller foi um bandido, um assassino e traficante de armas. Não é um espelho para ninguém. Jax Teller é tudo que há de mal e seus filhos deveriam odiá-lo, sentir nojo. Os pequenos deveriam crescer com a imagem negativa do pai, sendo Jax um alerta do pior caminho a ser seguido.

Jax não se sacrificou pelo Clube, ele fez isso pela sua família. Ele viu o amor da sua vida partir, foi obrigado a matar a própria mãe. Como um ato de desespero, resolveu poupar seus filhos de toda a dor que sua presença poderia causar.

Jax Teller, o vilão, o homem mal.
É isso que seus filhos precisam saber e esse foi seu maior legado.

 

O Quarto de Jack está em todos os lugares

Graciane Dias apareceu como uma maluca fazendo fotos estranhas. Mas era algo maior que isso

5 de julho de 2016

Existe um pequeno engano a respeito de O Quarto de Jack. Apesar do título nacional levar o nome do garotinho, o filme é sobre sua mãe. É sobre uma mãe que transforma o cativeiro em um mundo mágico para o filho de apenas 5 anos. É sobre uma mãe. É sobre amor. O maior e mais puro sentimento que existe nesse planeta.

Não tem como não se encantar com a inocência do pequeno Jack. Ele simboliza a pureza imaginativa das crianças, a visão fantástica sobre as coisas que infelizmente vamos perdendo ao avançar da idade. A maneira como ele absorve experiências e processa tudo aquilo. É lindo, é mágico, mas ao mesmo tempo triste. Afinal, estamos falando de uma criança presa em um cubículo, mantida por um monstro.

É aí que entra em campo o poder indescritível desse negócio chamado amor. Ma, personagem vivida pela excelente atriz Brie Larson, precisa não apenas carregar o mundo sobre as costas, mas transformá-lo. Transformar sua dor eM alegria, sua escuridão em luz para o filho. É isso que nossos pais fazem durante toda a vida. Pegar aquele cansaço e transformar em uma brincadeira no final do dia. Pegar uma boa noite de sono e transformar em uma divertida manhã assistindo Galinha Pintadinha. Transformar o amor próprio em mais amor para os filhos.

O Quarto de Jack acontece o tempo todo, em muitas casas. Você conhece muitas Ma’s e muitos Jack’s. E nessas últimas semanas passamos a conhecer uma dessas milhões de Ma’s espelhadas pelo Brasil. Graciane Dias, a potiguar que teve seu momento de fama na internet graças as suas fotos tiradas em lugares inusitados. Mas a razão por trás disso é algo tão poderoso que botão de like ou joinha algum no mundo seriam suficientes para medir.

Mãe de quatro filhos, sendo dois deles portadores de necessidades especiais, Graciane encontrou uma maneira de aliviar toda a escuridão do mundo externo. Através do bom humor e muito, mas muito amor, ela passou a tirar fotos estranhas, em cima de fogão ou dentro da geladeira. Tudo para tirar do rosto de seus filhos um sorriso, dar a eles um momento de alegria.

Dentro do seu próprio Quarto de Jack, Graciane faz o que pode para transformar a vida dos filhos em algo melhor do que a realidade teimava em ser.

Foi uma forma que descobri para arrancar um sorriso deles” disse Graciane em entrevista a Fátima Bernardes (ASSISTA A ENTREVISTA!). “A primeira foto subi numa pedra bem alta e resolvi pular. Fiquei no ar e quando eles viram deram uma gargalhada. Subi novamente na pedra e pedi para tirarem uma foto. Eles começaram a rir de novo“.

Graciane é uma exceção em uma época onde o entretenimento é uma mentira sendo contada dia e noite. Nossas verdadeiras motivações são camufladas por filtros, a verdade é uma belíssima mentira disfarçada atrás do foco da câmera de um vlogger. Palavras são escolhidas para gerar mais compartilhamentos. É como se tudo que está diante de nós é algo forjado. Mas Graciane não. Uma mulher, uma mãe, disposta a tudo para os filhos. Livre da vergonha e sem medo do julgamento desse imenso juri agressivo chamado internet.

A realidade aqui fora é dura Graciane, a gente entende. Mas o que você faz pelos seus filhos é pura magia. Não deixe de fazê-lo. Quem sou eu pra te dizer o óbvio, mas nada nesse mundo tem mais valor para seus filhos que a mãe subindo em uma árvore e tirando uma foto.

Batman V Superman: Edição Definitiva, o filme que foi negado a Zack Snyder

Edição Definitiva veio pra melhorar a experiência de quem havia gostado

5 de julho de 2016

Houve um tempo. Um tempo anterior… Em que as coisas eram perfeitas. Tudo um mar de rosas. Mas as coisas desmoronaram” a frase dita por Bruce Wayne logo no início de Batman V Superman facilmente poderia ser dita por Zack Snyder. Nenhum outro nome na cultura do entretenimento foi mais pisado e chutado quanto o de Snyder, mas houve sim um tempo, um tempo anterior, onde as coisas eram perfeitas.

Um tempo onde a gente esperava por um novo trailer, uma nova imagem ou um boato mesmo desse tão aguardado filme. Tudo era hype. Mas as coisas desmoronaram. Batman V Superman foi o auge de uma cultura pop do excesso, onde críticos e fãs andam de mãos dadas com opiniões calorosas. O que era pra ser a Origem da Justiça quase foi o Fim. Bilheteria abaixo do esperado, diretores pedindo dispensa, mudança na chefia, agenda comprometida. Parecia um pesadelo.

Mas eis que chega a Edição Definitiva, com nada menos que 30 minutos a mais de filme, totalizando 3 horas de duração. É bom deixar algo claro: se você odiou Batman V Superman nem assista essa versão. Vai continuar odiando. Mas se você faz parte daqueles que gostaram/amaram sua experiência será melhor, vai por mim. A sensação que fica ao subir dos créditos é de um filme que foi negado a Zack Snyder.

A Edição Definitiva é de extrema importância para a primeira hora do filme. Tão importante que chega a ser inacreditável que editaram certas cenas da versão do cinema. Primeiro que um filme de super herói jamais deveria ter três horas de duração, mas já que era tarde demais, que diferença faria incluir algumas cenas na versão de 2:30hrs? Ao menos até o momento da explosão do Capitólio, nada deveria ter sido deixado de fora. Nada.

Aqui você entende melhor as tramas de Lex Luthor e como ele jogou o Superman contra o mundo. Até mesmo o arco da Lois que parecia cuspido se torna essencial. Mas sinceramente, não é isso que torna a Edição Definitiva melhor que a do cinema, mas sim como praticamente tiram um cara chamado Clark Kent dessa primeira hora na versão que você assistiu meses atrás.

Batman V Superman do cinema é um filme sobre a redenção do Batman. O homem que perdeu as esperanças redescobrindo que ainda há muito o que lutar. Do início ao fim somos apresentados a essa jornada pessoal do Homem Morcego. A morte dos pais, os diálogos com Alfred mostrando o amargor das lutas em Gotham, o ódio ao Ser que veio dos céus para colocar a raça humana aos seus pés. Mas no fim, Batman é lembrado de sua humanidade. Ele ouve o único nome que remete a bondade e pureza. Martha é o elo entre ele e Superman.

Porém na Edição Definitiva vemos Superman despido de seu traje. Clark Kent buscando respostas, lutando para entender o que é ser um deus em um mundo de papel. Vemos o garoto caipira ligando para a mãe, investigando crimes, se colocando no papel de civil. Ao contrário da primeira impressão, Batman V Superman é sim um filme do Superman. É dele que estamos falando, ele é a chave.

Batman V Superman: A Origem da Justiça (2016, Edição Definitiva)

Inclusive o papel de Jena Malone é essencial para uma das maiores perguntas sobre o roteiro: porque o Superman não ouviu a bomba? Ele é esse ser desprezível mesmo ou Chris Terrio e David S. Goyer tomaram chá de pêssego da vovó com vodka? Simplesmente bizarro a exclusão da atriz e consequentemente da cena. É impressionante como tudo isso foi negado a Clark. Foi negado a Zack Snyder.

Há outras cenas pontuais aqui e ali, mas como já dito, depois da explosão do Capitólio, são praticamente os mesmos filmes. Talvez o único momento revelador é saber que Luthor foi mandado para Arkham Asylum. A pergunta que fica agora é até onde vai essa tal liberdade criativa que supostamente os diretores teriam dentro da Warner.

A impressão é que soltaram as rédeas para Zack Snyder, que foi lá, meteu o loco e filmou três horas de filme, mas depois sentiram o possível cheiro da desaprovação. Mas ao invés de ajudar pioraram. De todo modo o susto foi grande e é preciso entender que ninguém é de aço. Em algum momento filmes eventos, grandiosos, irão cansar o público e até mesmo Snyder precisa entender isso.

De qualquer forma, sigo achando Batman V Superman o melhor filme com super heróis de 2016. É algo que queria ver nos cinema e vi. Ou melhor, queria mesmo era ter visto essa versão de três horas… mas ela foi negada.

E se as Casas de Game Of Thrones tivessem os sobrenomes comuns de brasileiros?

Casa Silva, Casa Rodrigues, Casa Siqueira, Casa Rocha... qual a sua casa?

4 de julho de 2016

Dos Stark de Winterfell aos Martell de Lançassolar, toda Westeros é dominada por Casas e mais Casas, que carregam orgulhosas seus brasões e lemas. É incrível como George R.R. Martin consegue dar personalidade e peculiaridades a cada uma delas, principalmente para as mais nobres.

Mas como seria essa brincadeira se as Casas de Game Of Thrones tivessem os sobrenomes mais comuns dos brasileiros? O artista Rafael Oliveira entrou na brincadeira e criou o tumblr GOT – Brazilian House onde não apenas cria brasões e lemas, mas também uma breve história. Sensacional. Tente encontrar a sua.

Clique nas imagens para ler as descrições de sua Casa:






Walter White é tudo o que você não quer se tornar

No final o que sobrou além do nada?

4 de julho de 2016

Um dos temas frequentes em séries dramática até o final da primeira década do século XXI foi o tédio da vida suburbana. A logística de sair de casa de manhã e voltar apenas a noite, a distância que o trabalho e as pressões do dia-a-dia ia impondo ao protagonista e sua família, e por último, o crescimento da sensação que a vida era injusta e triste.

De Don Draper a Walter White, o que se viu foi uma autópsia no cotidiano do americano classe média. A ideia de que a vida familiar é tediosa é sempre exposta quase como uma caricatura. Entender isso é de extrema importância para entender algumas mensagens ocultas nessas séries, principalmente em Breaking Bad, onde Walter praticamente abre mão de sua família para idolatrar a si mesmo.

No início de Breaking Bad somos levados a crer que Walter fracassou como ser humano. É isso que Vince Gilligan quer que sintamos: pena dele. Ora, um homem honesto e trabalhador como Mr. White merece viver endividado? Não ter uma casa melhor? Um carro melhor? Do Pilot (S01E01) a Felina (S05E16) vemos como essa mentalidade irá destruir por completo nosso protagonista.

Walter White é “vítima” de um estilo de vida pré concebido. A ideia de sucesso ou o significado para “bem sucedido” está impregnada em nossa mente. Somos o tempo todo bombardeados pela propaganda da verdadeira vida feliz. Aliás, até a própria felicidade foi entalada e é vendida pra você. Mesmo que ao final do dia Walter chegasse em casa e encontrasse sua esposa e filho o esperando, ele estava mais focado no que ele havia perdido, não no que ele tem.

É obvio que isentar Walter de qualquer responsabilidade pelo seu “fracasso” profissional é inocência. Ele fez escolhas erradas como todo mundo, e pagou o preço. Porém a frustração foi aos poucos contaminando sua mente e o câncer foi a válvula de escape que ele precisava. De todo modo, agora com a doença diagnosticada, ele finalmente tinha a desculpa perfeita para deixar aflorar tudo que mais de amargo cresceu dentro de si.

(e chego a acreditar que o câncer na série é usado justamente para simbolizar esse mal que nos corrói lentamente sem percebermos, a tal da frustração. Do ego)

Espero que você não esteja passando pelos sérios problemas de saúde de Walter, mas mesmo assim é necessário prestar atenção no que aconteceu de fato a esse homem, que o levou ao fundo do poço. Em que momento ele deixou sua família e dedicou todas as suas forças para um capricho pessoal.

Como disse no início do texto, o tédio ligado a vida familiar é vendido constantemente. Pouco antes da Camila engravidar eu me encontrei no maior limbo mental de minha vida. Chegava em casa completamente infeliz, acreditando que minha vida era uma falha. Eu olhava para fotos do instagram e pensava que minha realidade não era tão boa quanto aquela foto cheia de filtros. Me sentia culpado por não ter viajado o mundo. Um inútil por não ter um carro zero ou apartamento próprio.

Não conseguia enxergar nada de bom, afinal, eu era pobre e todo pobre é fracassado e mal sucedido. Foi então que eu renasci. A chegada da minha filha não apenas mudou minha perspectiva de vida, mas também me fez entender esses pequenos movimentos diários que nos faz enxergar como seres fracassados por não estarmos tirando nossas férias na Europa. Nos sentir culpados por termos uma rotina.

Revi alguns episódios de Breaking Bad e e me enxerguei em Walter White. Percebi que estava olhando para o lado errado. É uma batalha diária acabar com essa visão que a grama do vizinho é a mais verde. Não é fácil, claro e muitas vezes a gente perde. Mas é um esforço recompensador quando feito ao lado de quem se ama.

Quando Walter encontra Skyler pela última vez, o diretor de fotografia Michael Slovis posiciona sua câmera estrategicamente para que um pilar da casa simbolize a barreira que a vida criou entre o casal. Eles não eram mais um e nunca mais voltariam a ser. Walter foi o responsável por fincar essa barreira ali. E se você não se cuidar, logo criará barreiras assim ao seu redor. Seja no seu relacionamento, seja com sua família ou amigos.

Walter White é tudo o que você não quer se tornar.

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