Amigos do Fórum - Página 3 de 341 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Sons Of Anarchy: não cultive amigos, cultive irmãos

Quem irá lamentar sua morte?

20 de julho de 2016

[SPOILERS DE SOA] Amigos são como sono, quanto mais você envelhece, menos terá. Isso é um triste fato, mas o amadurecimento faz com que você refine vários elementos de sua vida, inclusive seu círculo de amizade. Existem amigos tóxicos, que só encontramos em bares e baladas, amigos de ocasião, que só aparecem em momentos oportunos. Amigos de internet, que você nunca viu na vida, mas faz questão de se explicar pra ele o tempo todo.

Esses amigos você irá perde, mais dia ou menos dia. Até porque sua visão de amizade pode ser diferente da dele, então, ao avançar da idade, com a vida agitada moderna recheada de trabalho e trânsito, o tempo vai se tornando pouco para aquela conversa fiada de brother.

É por isso que você não deve cultivar amigos, mas sim irmãos. Porque amizade pura e verdadeira é tão poderosa quanto uma relação familiar sadia. Sons Of Anarchy encontra na amizade um dos pilares de existência. O Sons of Anarchy Motorcycle Club, Redwood Original gira em torno desse relacionamento primitivo e como ele pode ser aquilo que não apenas salva, mas também destrói.

Porque amizade é uma união de diversos fatores, que precisam coexistir para que ela seja perfeita. Confiança, respeito e amor são as ligações básicas que vão se encontrar e transformar nisso que chamamos de amizade. Quando um desses elos se rompe, mesmo existindo outros dois, a coisa desanda. Ao longo das sete temporadas de Sons Of Anarchy seremos expostos a todos tipos de choque entre essas bases.

Estabelecer um amizade que resista a todo tipo de diferenças é um legado pra vida. Chegar na vida adulta e perceber que seus amigos de infância ainda caminham ao seu lado é uma vitória que você precisa comemorar. Meu avô dizia que você julga o que um homem fez em vida pelo número de amigos que aparecem em seu velório. Ou quantas pessoas irão se oferecer para carregar seu caixão.

É meio mórbido, mas não deixa de ser uma verdade. Acredito que só morremos quando somos esquecidos, então quando eu morrer, quem irá se lembrar de mim? Quem lamentará a minha morte? E quando Opie Winston se vai, basta ver como o MC reage. Principalmente Jax, que não esqueceu do velho amigo nem mesmo quando chegou sua hora. É o túmulo de Oppie e Tara que ele visita. O amor de sua vida e seu grande amigo, seu irmão.

Adolescente é exagerado em tudo, até mesmo no que diz respeito a sentimentos. Bebe demais, come demais, dorme demais, ama demais e faz amigos demais. Mas logo ele irá perceber que os amigos podem ter diminuídos, mas seus irmãos aumentaram.

O fim das séries de qualidade como conhecemos está próximo

Chegamos ao limite criativo na televisão? Agora é só ladeira abaixo?

20 de julho de 2016

Em 2005 a HBO tinha em sua programação Sopranos, The Wire, Six Feet UnderDeadwood e Roma. Tudo isso em apenas um ano. Se hoje a emissora que mudou a televisão busca um novo drama que conquiste a audiência, no início do século XXI a história era completamente diferente. A HBO deu início ao que chamam de A Terceira Era de Ouro da Televisão, mas como prefiro chamar, a Era de Ouro dos Dramas.

Mesmo com Oz chegando em sua terceira temporada, o início da Era de Ouro dos Dramas começa com Sopranos em 1999. David Chase chegava com uma nova proposta para televisão e uma visão melancólica e pessimista do homem comum. Tony Soprano iria ditar as regras do novo protagonismo: saia o heroísmo e entrava doses cavalares de normalidade.

O principal personagem de uma série de drama na Era de Ouro tinha problemas em casa, no trabalho, e lutava constantemente com o seu passado em busca de auto afirmação. Vieram então Don Draper, Jimmy McNulty, Walter Whiter, Jax Teller, Frank Underwood e Elliot. Na virada do século a televisão passaria por uma mudança significativa em relação a séries dramáticas. Estávamos então diante da tal Era de Ouro.

Uma era tão importante que canais como AMC e FX são frutos diretos dessa nova mentalidade. Foi por influência de Sopranos que a AMC deixou de ser um canal de filmes antigos para dar vida a Mad Men. Foi graças a ousadia de David Chase que o FX colocou no ar The Shield. E a audiência respondeu a esse chamado, e não demorou muito para sairmos pelas ruas com camisetas estampando o rosto de Walter White, um sociopata da pior espécie.

A televisão passou a criar ícones pop, antes um privilégio do cinema. A televisão passou a ser um celeiro de novos diretores, roteiristas e atores. Não era mais um lugar destinado a fracassados ou esquecidos, o caminho agora era inverso: pessoas do cinema querendo fazer tv.

Mas essa explosão criativa, esse caldeirão fervilhando de ideias, terá chego ao seu limite? Para John Landgraf, CEO do FX, 2016 marca o fim dessa Era:

Do meu ponto de vista, os anos 2015 e 2016 terão significado o apogeu criativo da televisão norte-americana. Depois que passarmos dessa etapa, notaremos um claro declínio

Estará a televisão fadada ao mesmo fracasso criativo que o cinema? Quando foi que uma série de qualidade e popular como Sopranos foi substituída pelo time B de super herói da DC em um crossover recheado de couro e CGI barato? Quando foi que adaptações de filmes se tornaram regras e remakes engoliram novidades? Onde estão os novos David ChaseMathew Weiner e Alan Ball?

De fato, comparar nosso presente com o que aconteceu em 2005 é covardia. A HBO vivia seu auge, FX e Showtime já partiam pro ataque, e Mad Men estava prestes deixar a pasta de Mathew Weiner e criar vida própria na AMC. Mas hoje , 2016, o que a televisão tem que realmente mereça destaque?

Game Of Thrones, o maior blockbuster televisivo de todos os tempos, é um fenômeno popular e de qualidade. Mas a HBO pena para conseguir um novo panteão. The Leftover não teve o reconhecimento que merecia e encerra sua jornada esse ano. True Detective talvez seja a maior decepção da história recente. Mas o futuro promete: Westworld de Jonathan e Lisa Nolan no fim do ano e The Deuce do mestre David Simon para 2017.

Tem o Netflix que produz boas séries, mas ainda falta uma obra prima. Por mais que você ame Narcos e Demolidor, convenhamos que ainda estão longe de atingir um patamar de Breaking Bad. House Of Cards segue boa, mas escorrega aqui e ali. Black Mirror, uma das obras mais brilhantes da última década, agora é deles. Que Charlie Brooker siga fazendo o que sabe de melhor.

O FX de John Landgraf, que profetizou o fim da tv, tem Fargo, simplesmente a melhor mini série que existe. Um espetáculo de qualidade. Irretocável. E The Americans, que inexplicavelmente não é do conhecimento do grande público.

O Cinemax tinha The Knick. E temos Mr. Robot no USA.

E talvez John Landgraf possa ter razão quanto a uma coisa: uma era se encerrou, mas não em 2016, mas sim em 2015 quando Mad Men teve sua sétima e última temporada. A televisão pode entrar em um novo ciclo criativo, com Black Mirror, Fargo e Mr. Robot encabeçando uma visão mais ampla de uma nova sociedade e deixando o homem comum de David Chase de lado. E nesse sentido o Netflix tem Making a Murderer e Cooked, excelentes, porém séries documentais.

Boa coisa na tv não falta. Mas não queremos o bom, queremos o excelente.

17 momentos em que a fotografia de True Detective foi incrivelmente bela

True Detective, primeira temporada

19 de julho de 2016

Nic Pizzolatto é um sujeito da literatura. Antes de dar vida a True Detective escreveu Galveston, romance que narra a história de um criminoso com câncer e uma prostituta adolescente, e dava aulas de literatura em uma universidade. Mas seu sonho era ir pra televisão e expressar em imagem e som as ideias que fervilhavam em sua mente. Assim como grandes showrunners que o antecederam (Vince Gilligan, Matthew Weiner), Pizzolatto andou um bom tempo com o piloto de True Detective embaixo dos braços.

Chegou a gravar um piloto para a HBO que nunca foi ao ar, mas foi o suficiente para entrar na mira. Escreveu dois roteiros para The Killing (série que emprestaria algumas coisas para True Detective), até que finalmente teve a oportunidade de colocar em tela a história de Rust Cohle e Marty Hart, ambos personagens já imortalizados na história da televisão.

Foi uma primeira temporada bem sucedida, mas existia um porém: até onde o sucesso de True Detective deveria ser creditado apenas a Nic Pizzolatto? Há quem diga que sem Cary Fukunaga para transformar as ideias insanas de Pizzolatto, True Detective jamais faria o estrego que fez. Talvez a confirmação dessa teoria tenha sido a segunda temporada, que foi mal recebida pela crítica e principalmente pelo público.

Cary Fukunaga foi parte essencial no processo de dar vida a True Detective e sua marca ficou pra sempre cravada na série, proporcionando momentos visuais inesquecíveis. True Detective é uma série que fala através de imagens, seja pelos planos panorâmicos e aéreos, seja melancolia impregnada.

True Detective é linda.

















Gostou? Veja mais dessa série:

a fotografia de Breaking Bad
a fotografia de Game Of Thrones
a fotografia de Hannibal

Inspirado no post do amigo do fórum @Stefferson_CB2 que listou aqui outros 35 momentos belíssimos da série

Séries como Stranger Things deveriam ser regra dentro do Netflix

8 episódios. Rapidez. Fluidez. E impecável

18 de julho de 2016

Game Of Thrones garante anualmente para a HBO dois meses de publicidade grátis. Como já expliquei aqui, por mais que você pague para ver a série, não é obrigado a falar sobre ela em todas as suas redes sociais. Mas como ela é espetacular, é natural Game Of Thrones se tornar o principal assunto do seu twitter, facebook, snapchat, youtube ou site.

Com isso a marca HBO se mantém relevante por no mínimo durante 8 semanas. É o momento ideal para fisgar um novo assinante, mas claro, há um problema óbvio: o que fazer com esse assinante que chegou até a HBO apenas para assistir a Game Of Thrones? Especula-se que o canal irá perder até 20% de seus assinantes quando a série chegar ao fim em 2018, um total de 27,6 milhões de cancelamentos!

Aí entra o Netflix na jogada. Por mais que ambas as propostas sejam diferentes, a maneira que o Netflix encontrou de te manter preso é criando um número enorme de novas atrações (que vem através de um bom preço e um bom relacionamento). Somente esse ano foram destinados 5 bilhões de dólares na produção de conteúdo original, com a promessa de uma nova temporada de série, série, filme ou documentário estreando a cada 15 dias.

A questão é que nem sempre algo realmente incrível acaba saindo no meio de tantas novas opções. O Netlix acaba se mantendo na boca do povo mais pela quantidade de produções, tudo porque coloca seu assinante em uma maratona infinita. Mas em alguns casos, o serviço de streaming consegue a tal publicidade gratuita que Game Of Thrones consegue para a HBO.

Making a Murderer é o maior exemplo. A série documental não é apenas um sucesso dentro do Netflix, mas um produto que se tornou popular, principalmente nos EUA. Notícias, reportagens e até a Casa Branca e Suprema Corte envolvidas com o caso de Steven. É esse boca a boca, os comentários saindo no nicho twitter/facebook, que acabam levando o nome do Netflix para onde ele quase não chega.

O maior fenômeno cultural do Netflix é Making A Murderer

E agora o serviço de streaming vê outra produção original, que também chegou como quem não quer nada, se tornando um fenômeno. Stranger Things é sem dúvidas a série do momento, na semana em que Mr. Robot retornou para seu segundo ano. A série vem cativando cada vez mais e mais pessoas, com sua leveza e culto ao nostalgismo.

Mas a lição de Stranger Things para o Netflix está na sua fluidez. Ao contrário de outras obras badaladas como Demolidor e Narcos, a série dos Irmãos Duffer não tem barriga. Está tudo dentro de uma linha de qualidade onde nenhum episódio torna-se descartável. E essa tal barriga (ou seja episódios em excesso) é o maior vilão das séries do Netflix.

Praticamente todas as obras originais possuem episódios que não deveriam existir. Mas o pulo do gato está justamente na maneira como você consome: ao assistir tudo de uma vez, você não foca em episódios específicos, mas sim no contexto geral. O que não permite que 1) você tenha na memória um episódio favorito 2) que os erros não fiquem tão evidentes como ficariam se você tivesse uma semana inteira pra pensar neles.

O que o Netflix deveria se permitir era explorar novos formatos, como Stranger Things que tem apenas 8 episódios. É fazer uma série menor e enxuta. Demolidor e Jessica Jones por exemplo seriam bem mais sucedidas se pensadas como mini séries de 7 episódios. É tirar o que não precisa e exaltar o que é bom. Simples.

De toda forma, Stranger Things é boa porque é boa, não da pra saber como seria se os produtores resolvessem esticá-la por 13 episódios. Mas é uma boa chance do Netflix ousar mais uma vez e criar séries assim, pequenas e inesquecíveis.

Mr. Robot: sua rotina define quem você é

Espetacular retorno da série mostra que Sam Esmail quer Mr. Robot a sua imagem e semelhança

18 de julho de 2016

Existe um mercado dedicado a te convencer que sua rotina é terrível. A ideia de que felicidade e liberdade estão atreladas a viajar e conhecer o mundo, ou trocar de relacionamento como quem troca de roupa é a única maneira de não cair no tédio da existência. Filhos? Vão te prender pra sempre em uma espiral de preocupações. Rotina é horrível e você precisa evitar! Afinal, feliz mesmo é aquele gostosão do instagram que viaja o mundo com dezenas de mulheres ao seu redor. Ou aquela youtuber que vai pra Disney três vezes ao ano.

A rotina em si não é o problema, mas sim os elementos que a compõe. Já tive uma rotina terrível, acordava uma da tarde, comia alguma porcaria e passava o dia na frente do computador. Como trabalho com internet, era quase inevitável ver o dia amanhecer e se esconder na frente de uma tela ligada. Mas agora com a minha filha fazendo parte da minha rotina, foi preciso reestruturá-la.

Acordo de manhã e fico com ela, enquanto a mamãe descansa. Tomo café, limpo a casa, vou para a academia e cozinho. São momentos de alegria e puro prazer. Rotina boa é aquela que te faz bem. Se algo está te cansando, te fazendo infeliz, não é porque você repete as mesmas coisas todo dia. Mas sim porque você não encontrou o círculo perfeito de sua vida.

Elliot precisou procurar ajuda na rotina para voltar a ser dono de si mesmo. Com a mente completamente em pedaços no final da primeira temporada, ele precisava se recompor e descobrir quem realmente é. Assim, fazendo as mesmas coisas sistematicamente todos os dias, Elliot pode voltar a ser quem era antes de acordar para o Sistema. A mensagem de Sam Esmail é clara: quanto mais vivemos nossas vidas de maneira religiosa e nos escondendo através da rotina, menos problemas causamos para o Sistema.

É por isso que até mesmo o ativismo político acaba sendo engolido por partidos. Ninguém quer que você seja engajado, o ideal é permanecer catatônico, repetindo as mesmas coisas. Em silêncio.

E é disso que Elliot vai atrás. Ele não consegue mais lidar com o peso de sua dupla jornada. O homem que resolveu ferir a E. Corp carrega uma responsabilidade gigantesca, então a melhor maneira de lidar com isso é voltando a dormir. Que aqui nada mais é do que se entregando a rotina. Acordar, trabalhar, dormir. Acordar, trabalhar, dormir.

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Mr. Robot voltou completamente surtada nesse segundo ano. É a mão de Sam Esmail, criador, roteirista e agora diretor único. Ele resolveu ter mais controle de sua obra, e com sua direção o episódio duplo de estréia foi um verdadeiro espetáculo de som e imagens. Sam Esmail preza pelas pequenas mensagens.

O destaque para a apresentação da advogada da E. Corp Susan Jacobs. Dentro de sua casa inteligente ela protagonizou um verdadeiro curta metragem de terror. Espetacular a tensão criada por Esmail.

Se seguir nesse ritmo, é quase certo que teremos uma segunda temporada completamente diferente da primeira, e se levarmos em conta esse episódio duplo, tem tudo para ser ainda melhor. Séries de tv são o que seus criadores são. E se Sam Esmail resolveu tocar praticamente tudo sozinho, pode ter certeza que agora sim vamos mergulhar de vez dentro da mente de Elliot.

Um espetacular retorno, nada além do que eu esperava de Mr. Robot. Agora sim minha rotina está completa.

Todos os 727 episódios de todas as séries Star Trek em breve no Netflix

Netflix ainda irá transmitir a nova série original Star Trek que estréia em 2017

18 de julho de 2016

O Netflix funciona em duas frentes: a primeira é oferecer um preço justo para que você tenha acesso ao seu catálogo, a segunda é conquistar seu coração para que nunca mais você pense em cancelar sua assinatura. E no quesito “conquistar o coração” o serviço de streaming vem dando uma verdadeira aula para a concorrência.

Desde sua preocupação com a diversidade explorada em séries como Sense8 e Orange Is The New Black, até o foco no público nerd/geek com suas produções em parceria com a Disney/Marvel, o Netflix tem esse viés romântico, de se tornar um lugar aconchegante para o chamado “fandom“.

Depois de sua parceira com a casa do Mickey, tornando-se assim o distribuidor oficial dos filmes Disney, Marvel e Pixar, a Netflix anunciou um novo golpe de mestre: vai adicionar todos os 727 episódios de todas as séries de Star Trek até o final de 2016. São elas  Star Trek: A Série Original, Star Trek: A Próxima Geração, Star Trek: Deep Space Nine, Star Trek: Voyager e Star Trek: Enterprise.

E ainda vai transmitir com exclusividade a nova série de Star Trek, ainda sem nome, programada para o início de 2017. A série que é produção da CBS, irá funcionar aos moldes de Better Call Saul: 24hrs depois de sua exibição original, ela “estreia” no Netflix.

“O mais novo capítulo da estória promete honrar a rica tradição de aventura e, certamente, empolgará os fãs em todos os lugares nos quais a Netflix está” palavras de Sean Carey, vice-presidente de Global Television na Netflix. É Star Trek ganhando o planeta Terra novamente para que uma nova geração de fãs possa surgir.

Stranger Things é um prato cheio de nostalgia e diversão

Um prato cheio para os mais nostálgicos

16 de julho de 2016

De repente a palavra nostalgia se tornou parte do vocabulário da turma que cresceu na década de 80 e 90. Graças a internet, podemos revisitar nosso passado a todo tempo, rever desenhos e brinquedos de 20 anos atrás. Esse culto a saudade é o que chamamos de nostalgia: a sensação de uma época onde tudo era melhor, e se nos focarmos nela, esse presente nebuloso será mais colorido.

O problema é que nos tornamos adultos ranzinzas e pouco abertos a novidades. Afinal, em nossa época TUDO era melhor. A música, o cinema, a televisão, o humor, os desenhos, as brincadeiras… mas não se assuste, faz parte do amadurecimento. Nos agarramos em nossas memórias com todas as forças porque temos medo de perdê-las com o tempo. O tempo… a falta dele nos impede de sonhar.

Stranger Things é um prato cheio para quem foi criança ou cresceu durante os anos 80. Uma década controversa até hoje lembrada como sinônimo de mudanças e palco das maiores obras da cultura pop. Mesmo essa avalanche de criatividade não foi párea para o clichê, e de fato, é graças ao clichê que até hoje temos essa caricatura dos anos 80. E Stranger Things vem se apropriar disso, mas de uma maneira honesta e divertida.

Estão todos ali: o grupo de crianças nerds que despejam referências a Star Wars, Senhor dos Anéis e Dungeons & Dragons, e são perseguidos na escola. Os adolescentes com hormônios a flor da pele, com a garota ingênua sendo seduzida pelo popular babaca do colégio, enquanto o garoto estranho morre de amores secretamente. A cidade pequena que de repente é sacudida por acontecimentos estranhos é indispensável.

Stranger Things (season 1, 2016)

Mas é incrível como Stranger Things consegue encantar sem nos mostrar nada de novo. Tudo é feito em cima do que nós, velhos e ranzinzas, lembramos de uma época que já se foi. A uma beleza naquelas crianças desbravando o mundo. Talvez seja sensação da amizade pura e verdadeira, algo que de fato nós adultos vamos perdendo ao avançar da idade. São poucos aqueles sortudos que ainda conseguem contar com um bom números de amigos próximos.

A criação é dos Irmãos Duffer, que estiveram envolvidos em Wayward Pines, que quase foi cancelada já em sua primeira temporada. Mas parece que acertaram a mão com o Netflix, que encomendou um segundo ano para Stranger Things. E pode anotar: tem futuro. A direção de seis dos os oito episódios ficou por conta deles, e o trabalho é bastante satisfatório. A mistura entre a fantasia das crianças e a dura realidade dos adultos combinou perfeitamente.

É a série mais divertida de 2016, sem a menor dúvidas. A melhor estréia do Netflix em série dramática. E vai ir lá no fundo do seu coração buscar aquele sentimento de garoto que foi perdido.

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