Amigos do Fórum - Página 2 de 341 - Cultura pop e entretenimento todo dia

Um novo olhar sobre a primeira temporada de True Detective

Uma deliciosa revisita a uma das melhores obras da televisão moderna

25 de julho de 2016

A revolução televisionada da HBO possibilitou que todo tipo de história tivesse seu espaço. E mais uma vez o canal que deu vida as maiores séries dramáticas, foi o lar de uma obra de arte. Quando True Detective estreou em 2014 o mundo ficou de joelhos perante Nic PizzolattoCary Fukunaga, Rust Cohle e Marty Hart. Uma série que flertou entre o real a e fé ao longo de oito inesquecíveis episódios.

Para entender True Detective é preciso separá-la em duas partes fundamentais: a humana e a fantástica, claramente divididas durante sua primeira temporada. No centro disso tudo um homem chamado Rust Cohle redescobrindo sua relação com a luz. Uma belíssima história sobre superação, luto, fé, transcendência e família. Nic Pizzolatto faz mistura de filosofia trágica com investigação criminal.

É importante então notar aqui os dois pilares narrativos da obra, Cohle e Marty, como almas que caminham paralelamente. Rust Cohle perdeu a filha em um acidente, viu seu casamento acabar e logo em seguida entrou no submundo das drogas. Acabou como informante e depois de matar alguns chefes de cartéis ganhou seu espaço na homicídios. Nesse momento da vida Cohle já havia sido corroído e é isso que o torna um detetive acima de seus parceiros.

Enquanto a maioria vê o homem como indivíduo isolado, Cohle enxerga a condição humana como um erro. Para eles somos seres condenados ao nada, e nossa natureza auto destrutiva no coloca no mesmo patamar. Assim fica fácil para ele estar um passo a frente, visto que já sabe de antemão onde iremos nos meter enquanto seres fadados ao fracasso.

Rust Cohle encontra-se na escuridão porque foi forçado a estar nela. Sem a luz, ele aprendeu a ver no escuro. Entende com indiferença a vida e a morte, para ele viver ou morrer são detalhes mínimos. Por isso ele escolhe a homicídios. Temos um homem que perdeu tudo, e apenas quem tem tudo pode temer o nada. Sua luz se foi junto com sua filha. Rust Cohle não teme mais nada.

Marty Hart é um homem que possuiu o maior bem possível: a família. Enquanto Rust lamenta a perda da sua, Marty não entende o que tem em mãos, ou melhor, o que pode perder. Ao trair a esposa e não ser presente na vida das filhas, Marty está flertando com o abismo. E está na ponta, olhando para baixo, sorrindo ironicamente. Lá no fundo está Cohle, olhando para Marty.

É a escuridão, sempre tão atrativa, que te faz odiar o que se tem e cobiçar o que não pode. Que nos corrompe diariamente, nos coloca em tédio, nos torna raivosos e frustrados.

Nic Pizzolatto antes de construir uma história de investigação, constrói uma história sobre seres humanos. Dois homens em dois momentos bastante semelhantes. É interessante notar como a visão de Cohle é destoante da motivação quase mística do assassinato. E é justamente isso que irá culimar na redenção final do personagem. O real e a fé.

Quando Rust Cohle passar por uma experiência de quase morte, onde as leis da físicas deixam de existir e apenas um instinto humano indescritível chamado amor passa a exercer força, Cohle então entende a verdadeira lógica e sentido por trás de viver e estar vivo. É a batalha mais antiga da humanidade, a luz contra a escuridão, o bem contra o mal. É tudo muito simples.

Sempre existiu a escuridão. Mas a luz surgiu. E nós estamos vencendo. Procure sempre a luz, jamais de espaço para o aconchegante abraço da escuridão. Encontre sua luz. Corra em direção dela. Sempre. Sempre. Sempre.

As principais referências da cultura pop em Stranger Things

Aliens, Os Goonies, E.T., Contatos Imediatos de Terceiro Grau...

25 de julho de 2016

É meio óbvio pra qualquer um que Stranger Things tem como principal plot a nostalgia. É uma série onde nada de novo foi contado ou feito, porém, sua honestidade em nos dizer isso é que torna tudo especial. Você simplesmente da o play sabendo o que está por vir. É entretenimento baseado na saudade e no resgate das memórias afetivas.

Sendo assim, Stranger Things carrega em seu DNA várias referências da cultura pop, de citações a jogos, personalidades, músicas até mesmo cenas praticamente refeitas de alguns clássicos do cinema. Esse vídeo reúne as principais delas.

Aliens, Os Goonies, E.T., Contatos Imediatos de Terceiro Grau e por aí vai.

O riso forçado de Zack Snyder no teaser de Liga da Justiça

O primeiro teaser da Liga da Justiça tem a fotografia escura de Snyder e muito humor

25 de julho de 2016

A Liga da Justiça enfim deu as caras na era dos blockbusters baseados em super heróis. Com as filmagens em andamento, um vídeo com pouco mais de 2 minutos foi preparado para o pessoal da San Diego Comic Con, para logo em seguida ser divulgado na internet. Sem mistério, sem esconder nada, tudo mundo pode ter um primeiro olhar sobre Batman, Mulher Maravilha, Flash, Aquaman e Cyborg, dessa vez unidos.

O que chama atenção é nítida mudança de tom em comparação aos outros trabalhos executados por Snyder. Basta voltar um pouco no tempo e lembrar dos teasers e trailers de Man Of Steel, poéticos, levados ao som melancólico de Hans Zimmer com narração de Russel Crowe ou Kevin Costner, ambas figuras paternas e de extrema importância para a personalidade do Superman que Snyder queria. Ou então mais recente, com os de Batman V Superman, uma linguagem mais agressiva e desesperançosa, colocando a prova a existência de ambos super heróis.

Sempre gostei do Snyder justamente por isso. Sua visão ambiciosa de personagens infantis me agrada, a maneira como ele tenta extrair alguma filosofia ou motivação além do bem contra o mal é algo raro de ser ver em tela. Mas a fórmula básica dos filmes de quadrinhos não pode ser alterada, afinal, estamos falando de multidões, e principalmente, de um ambiente extremamente hostil com quem resolve mexer no sagrado passado de personagens da cultura pop.

Mas Zack Snyder pode ser qualquer coisa, menos um homem covarde. Mesmo com toda avalanche de crítica sobre seu Superman em Man Of Steel, ele não desistiu e seguiu com seus planos. A jornada messiânica de Ka-El, o lado mais humano de um deus, algo que fica ainda mais evidente na Edição Definitiva. Indo além, Snyder nos apresenta um Batman completamente diferente daquele que Nolan trabalhou ao longo de três filmes. Sai o Batman conflituoso sobre sua existência, a busca pelo símbolo, e entra um Batman cansado e pronto para um último ato em prol da humanidade.

O óbvio aconteceu e Batman V Superman foi mal na crítica e também nas bilheterias. É claro que pra um estúdio a primeira onda de descontentamento não faz diferença, mas a segunda sim. Um filme dessa magnitude que não rende muito dinheiro é porque algo de errado existe. E ali ficou claro que Snyder, talvez, não teria a mentalidade correta pra esse tipo de blockbuster.

Snyder enxerga o jogo diferente de um Joss Whedon, por exemplo. Os Vingadores, o melhor filme já feito pela Marvel, segue irretocável. E sua perfeição se encontra justamente na falta de ambição, é um longa redondo, que se beneficia em muito da simpatia que vinha sendo construída entre público e os personagens. Tudo dentro dele foi pensado pra agradar tanto o garotinho de 13 anos, quanto o adulto de 50.

Batman V Superman vai além, o que não signifique que seja melhor. O fato é que toda essa enxurrada de crítica, bilheteria baixa e a Warner reposicionando suas peças (Ben Affleck como produtor, etc), mostra que dessa vez Snyder não terá toda liberdade que sempre desfrutou. Ao menos é o que esse teaser trailer da Liga da Justiça deixa parecer.

A fotografia melancólica está lá, a câmera lenta também. Marcas do Snyder, mas é só isso. O tom mais leve certamente é uma resposta a quem temia uma Liga da Justiça sombria, desesperançosa pós a morte do Superman. Está claro que é um sorriso forçado.

Mesmo assim tudo segue incrível, como sempre imaginei que seria. Ezra Miller, Aquamoma (aliás, muito Snyder colocar o Rei dos Mares peitando o mar agitado) e principalmente o Batman assumindo esse papel de líder temporário enquanto o verdadeiro ainda não renasce. Gosto do Zack Snyder e torço por ele. Sinto que é um cara legal tentando fazer coisas legais.

Mais do que a redenção do Batman, mais que a ressurreição do Superman, é hora do lugar ao Sol do Snyder.

A loucura é quem tomou o controle de Mr. Robot

eps2.1_k3rnel-pan1c.ksd (S02E03) mostra o esgoto mental que Elliot se encontra. Quem está no controle?

25 de julho de 2016

Mr. Robot nunca foi uma série fácil. Quer dizer, até certo ponto era, com a história de um jovem hacker anti-social pregando a justiça. Porém Sam Esmail jogou alto com o espectador, deixando vários temas subentendidos, camadas e mais camadas de interpretações e uma verdadeira brincadeira de gato e rato. Quem se interessava de verdade pela história, tinha um vasto campo para explorar. De temas a pequenos easter eggs escondidos.

Mas a noção que fica depois de eps2.1_k3rnel-pan1c.ksd (S02E03) é que Mr. Robot escolheu o segundo público como favorito, e Sam Esmail basicamente instalou a loucura em sua série. Agora além de roteirista ele também dirige os episódios, e fica nítido a mudança dentro da série. Até demais.

O brilhante início de temporada mostrando Elliot se submetendo a uma rotina exaustiva afim de suprimir Mr. Robot levantou até mesmo teorias sobre onde, de fato, estaria nosso protagonista. A ideia de que ele esteja preso ou internado começa a ser tão óbvia que já não acredito mais que seja real, mas sim uma brincadeira de Sam Esmail com nossa mente. Uma peça: “vocês se acham espertos demais né?“.

Afinal, quem está no controle? Sam Esmail quer deixar isso bem claro.

E todo esse início de segundo ano pode se resumir a isso. Controle. Elliot se encontra em um esgoto mental nunca antes visto, com seus problemas mais evidentes do que nunca. É um sujeito perturbado, destruído, completamente em pânico. O fato é que ele se agarrou tanto a ideia de Mr. Robot que agora é impossível se desvincular dele. Elliot é Mr. Robot, e tentar fugir de sua essência é fugir de si mesmo. É Mr. Robot falando sobre saúde mental a sua própria maneira.

eps2.1_k3rnel-pan1c.ksd (S02E03)

E Sam Esmail não perde tempo para ilustrar todo esse distúrbio de Elliot. Mr. Robot sempre fez alegorias da vida real usando a tecnologia, usando uma linguagem distante para quem não entende muito do assunto. Mas agora sua direção vai além de palavras difíceis e materializa tudo isso em tela, com imagens pixeladas, com baixa qualidade, bugando. Sensacional enxergar a vida como Elliot enxerga.

Aliás, que sequencia espetacular aquela em que Elliot está completamente dopado. Sério.

Outro ponto alto desse segundo ano é como Mr. Robot vem problematizando o golpe contra a E. Corp. Todo o tom romântico do primeiro ano em salvar a humanidade da escravidão do Sistema foi por água abaixo, mostrando pessoas reais sendo afetadas diretamente pelo ataque. Ou seja, a FSociety está prestes a descobrir que o Sistema é tão enraizado em nossas vidas que sem eles morreríamos. É como estivéssemos vivendo por aparelhos e alguém fosse lá e desligasse.

Mr. Robot segue surpreendendo, dessa vez por sua coragem. É tudo que se espera de uma série revolucionária.

Teoria tenta entender onde de fato está Elliot em Mr. Robot

Obviamente esse post terá spoilers da segunda temporada

22 de julho de 2016

Que Mr. Robot não é uma série sobre hackers a gente já sabe, mas até onde Sam Esmail pretende ir em suas metáforas e alusões? O retorno da série para sua segunda temporada já criou um alvoroço entre fãs mais hardcores, que encontraram sinais de que Elliot, na verdade, estaria preso em um hospital psiquiátrico.

Bom, vamos lá, nos dois primeiros episódios desse segundo ano temos Elliot tentando apagar de sua vida a figura de Mr. Robot. Ele implanta uma rotina metódica, controlada por horários, eventos e encontros. Na casa de sua mãe, completamente offline, ele estaria inibindo seu alter-ego de tomar o controle. Com uma vida simples novamente, Elliot deixaria de lado as revoluções e ataques aos Sistema.

Porém os fãs não estão convencidos que é isso que Sam Esmail quer nos dizer: que quando nos apegamos demais a rotina, nossos olhos se fecham. Na verdade tudo não passa de mais uma ilusão criada pela mente de Elliot para abafar a realidade de que ele estaria preso em uma clínica psiquiatra. E claro, há indícios espalhados por todo episódio.

Durante toda narrativa mostrando a nova rotina de Elliot, a fotografia deixa de forma bastante clara sinais de que existe uma prisão. Basta notar as “grades” que estão presentes o tempo todo:


Nota-se o cuidado da direção de Sam Esmail para deixar isso subentendido. Elliot estaria mais uma vez criando uma ilusão em sua mente para poder lidar com um evento traumático, assim como fez com seu pai durante a primeira temporada. Outro ponto que da força a teoria são duas frases emblemáticas que marcaram o início dessa temporada.

Durante toda campanha de marketing da série, tivemos a frase “Control is an Illusion” estampando posters e imagens promocionais. Mas já no primeiro episódio, vemos Elliot incessantemente escrevendo em seu caderno “I am in control“. E o que acontece quando tiramos a palavra control e unimos as duas frases? “I am in an Illusion” (eu estou em uma ilusão).

Quatro personagens que dão ainda mais poder a essa teoria. E são eles: Leon, Hot Carla, Gideon e a mãe de Elliot.

Leon não consegue parar de falar sobre Seinfeld, o que indicaria um transtorno obsessivo compulsivo. E outra, como um cara com fobia social seria tão tranquilo sobre fazer todas as refeições sempre com a mesma pessoa? Típico de uma prisão, oras. Você não escolhe onde comer e com quem comer, ou seja, Elliot é obrigado a sentar ali e ouvir o que tiver que ouvir.

Hot Carla obviamente é uma piromania, mais uma internada. Enquanto isso, a mãe de Elliot seria o guarda do hospital, que o lembra de seus horários (ela que o acorda, por exemplo) e está sempre na espreita. A lembrança que Elliot tem de sua mãe, rígida e controladora, é sobreposta a imagem dos guardas da prisão. Todos se transformam em sua mãe.

Já a visita de Gideon é um tanto estranha, porém, se levarmos em conta que ambos estão em algum lugar reservado para visitas tudo faz sentido. A fotografia brinca com isso, note como a cadeira no centro da mesa forma uma divisória entre ambos, como se fossem aqueles vidros comuns de prisões.

Resumindo: ao final da primeira temporada quem bate a porta de Elliot é Darlene (preocupada com o estado mental do irmão) com alguns homens para imobiliza-lo e levá-lo para a clínica. É por isso que a personagem assume o posto de liderança da fsociety, algo que não lhe da nenhum prazer, basta notar sua feição sempre melancólica. Por outro lado Elliot estaria preso não porque Darlene achou que isso seria o melhor para o seu irmão, mas sim porque ele foi pego pelo FBI. Talvez isso explique o que ela quer dizer com “eles estão ganhando“.

Enfim. Percebendo que não pode mais sair desse lugar, Elliot cria a ilusão de que ele se encontra na casa de sua mãe e a rotina imposta a ele, na verdade, faz parte de sua vontade em adormecer Mr. Robot para sempre.

E toda esse distúrbio e paranoia pode ser explicado pela queda que ele sofre quando criança, afinal, porque mostrariam isso logo no início do episódio? Elliot teria sequelas desse acidente (sérios danos cerebrais), e por isso se apega tanto a ilusões. A câmera vai focando no raio-x do cérebro até que ele se transforma no caderno que Elliot faz suas anotações, principalmente dizendo que está no controle.

Ou Sam Esmail está fazendo uma alegoria óbvia (que eu prefiro que seja) ou resolveu partir pra mais uma brincadeira de plot twist. Se for a segunda, bom, já descobriram.

Via Pajiba e Série Maníacos

Chef’s Table, Cooked e Jaime Oliver | Podcast BADA BING!

No BADA BING! dessa semana vamos falar sobre COMIDA! Isso mesmo, COMIDA!

22 de julho de 2016

BADA BING! S02E13 Lasanha de microondas no almoço, fast food a noite. Café da manhã você não tempo pra tomar. Fazer a própria comida? No máximo um miojo ou hotdog. Você diz que falta tempo, ou que cozinhar é difícil. E quando menos percebe, sua saúde vai indo pro buraco. Mas será que cozinhar é só isso?

No BADA BING! dessa semana recebemos o Nerd Pai, que além de nerd, pai é blogueiro e entusiasta da boa alimentação e do “faça você mesmo“. No balcão do podcast mais honesto da internet brasileira, três pais irão contar como uma boa alimentação pode fazer seu filho de 5 anos ler melhor que uma criança de 10, como ele pode rejeitar um copo de refrigerante e como passar mais tempo na cozinha estreita os laços familiares.

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Porque Stranger Things é tão especial?

De onde vem seu amor pela série?

21 de julho de 2016

Minha mãe costumava brincar dizendo que ao fazer 10 anos, eu iria perder minhas “asas de anjo”. Segundo ela, ao chegar nos dois dígitos de idade, nós oficialmente saíamos da infância pra chegar na pré adolescência. Adorava ouvir ela contando essas histórias, mas hoje, perto dos 30, acredito que ela estava certa sobre uma coisa: ao deixar a infância a magia também nos deixa. As tais “asas” era essa nossa capacidade de acreditar no acreditável. É isso que eu iria perder. E perdi.

Ser criança é ter a mente livre. Nossos sentimentos ainda são crus, e tudo é uma grade descoberta. Não temos preconceitos, desavenças, nem problemas com o mundo. Está tudo ali ao nosso alcance, basta imaginar. Basta sonhar. A magia e o sobrenatural existem. Você não precisa explicar a ciência da coisa ou se passar por maluco. O monstro embaixo da sua cama existe.

Stranger Things celebra essa fase onde o real e o impossível coexistem, ao mesmo tempo que contrapõe a infância com outros dois momentos do desenvolvimento humano: a adolescência e a vida adulta. Cruzando essas três fases de nossa vida, Stranger Things promove uma verdadeira reflexão sobre quais são nossas prioridades e medos.

Enquanto as crianças enxergavam o desaparecimento do amigo como uma oportunidade de se aventurar, tornar físico todas aquelas histórias que eles ouviram falar. A busca dos adultos já possui um viés trágico, afinal, Jim e Joyce carregam consigo cicatrizes da vida. São essas marcas em nossa alma, conquistadas anos após anos, que vão apagando de nossa mente o poder de sonhar.

Ora, como posso acreditar no fantástico com dezenas de contas a pagar? Como posso rir de alguma bobagem se meu trabalho tira todas minhas energias? Como pensar em descobrir coisas novas se minha rotina tediosa me prende em um círculo infinito? Ser adulto também é se privar do relacionamento espontâneo da amizade. Quando se é criança, amigos são aqueles que são parte do seu círculo de vida. Você os encontra na escola, na rua, na quadra de futebol, a tarde em sua casa.

Já mais velho a amizade foi se tornando um evento. Dia e hora marcada pra ver o amigo, isso se ele tiver tempo. “passa lá em casa” ou “vamos marcar” são frases que você diz praticamente toda semana. E é esse distanciamento que vai te transformando em uma pessoa cada vez mais isolada, física e mentalmente.

Stranger Things é especial por deixar claro essa diferença entre o olhar de adultos e crianças para o mesmo problema. E você ama essa série não porque ela é cheia de referências pops, ou porque é bem dirigida. Nada disso. No fundo existe uma criança dentro de você olhando pra televisão e sentindo saudades da época em que você era como Mike, Will, Dustin e Lucas.

E você sabe que essa época… era uma boa época.

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