Você gosta de filme de sustinho? Então não vá mesmo ao cinema ver A Bruxa

A Bruxa não é um terror para pessoas acostumadas a sustinhos e câmera tremida

5 de março de 2016

Vivemos em uma época onde cada vez mais se contesta a influência da religião em nossas vidas. São batalhas desde o direito ao aborto, a coisas como tirar “Deus Seja Louvado” das cédulas de Real. O filme vencedor do Oscar é sobre uma investigação jornalística que expõe a Igreja Católica. O ser humano do século XXI pode escolher viver uma vida longe do divino, mas no século XVII as opções não eram tantas assim.

A igreja não era simplesmente o lugar físico onde fiéis iam aos domingo. Era a própria sociedade em geral, seus dogmas e ensinamentos ditavam o modo de viver. Não existia política, normas sociais ou leis. Tudo era definido pelas escrituras, ou pelo que se entendia delas. O mundo vivia em uma era de escuridão, a chamada Idade Média ou Idade das Trevas (termo contestado por historiadores, diga-se de passagem) foi um período na história da humanidade onde a noção de Deus, Diabo e fé eram o que norteava a população.

A Bruxa é um filme que explora essa era onde o medo do homem era definido pela sua escuridão espiritual. O terror não está no óbvio ao invocar demônios ou manifestações fantasmagóricas, mas sim por mostrar ao espectador uma família perturbada pela própria crença, propagada ao longo de séculos, e que foi estabelecida nos EUA com a chegada dos Puritanos da Nova Inglaterra pelos meados de 1600.

Os puritanos eram uma versão radical do protestantismo e não tinham vínculos com a igreja católica. Esse fanatismo é mostrado em momentos chaves de A Bruxa (desde uma simples caçada entre pai e filho, até um jejum), tudo feito para você se situar na cultura da época. Para entender esse terror, é de extrema importância mover sua mente até o ano de 1630, data que se passa o filme. O pecado e a culpa eram fardos a serem carregados ao longo da vida, e o temor de não conseguir o perdão de Deus transformava a realidade dessas pessoas em um verdadeiro pesadelo.

A Bruxa então parte desse princípio para criar uma atmosfera de tensão, colocando a família recém expulsa da colônia em uma floresta isolada. O trabalho de direção de Robert Eggers é fantástico e em momento algum se entrega ao modo operandis do cinema pastelão de horror: jumpscares, câmera tremida, membros decepados e CGI abusivo para trazer a tela criaturas horríveis. A Bruxa vai contra tudo que está aí, e por isso é fantástico. É cinema, não entretenimento barato pro fim de semana.

O terror e o medo vem dessa escuridão em que os personagens se encontram, da floresta que parece ter vida, da fantástica trilha sonora que há tempos não ouvia nada parecido. A Bruxa é também um filme belíssimo, a fotografia é certeira em nos mostrar um mundo cinza, escuro, assim como era a vida dessas pessoas. Não é gratuita: a luz do Sol parece nunca brilhar para essas pessoas, e de fato não brilhava. O medo, seja do inferno ou de desagradar a Deus, impedia a maioria deles de levar uma vida de conforto mental.

Esse medo do desconhecido era tamanho que acabava se materializando. Não por menos, a chamada Inquisição levou mulheres a fogueira condenadas por bruxaria (alguns falam em centenas, outros em milhares). Thomasin, a filha mais velha que vive em pecado, pois agora é mulher e menstrua, é o fio condutor para se entender a proposta de Robert Eggers, que além de diretor é roteirista.

Vista como uma bruxa, Thomasin é perseguida e julgada pela própria família, e seu final pode ser interpretado como a realização do mito. A história torna-se ainda mais amedrontadora quando sabemos que o roteiro foi construído com base em relatos da época. Chega a ser bobo em 2016 temer bruxaria ou bodes amaldiçoados, mas isso foi uma realidade séculos atrás.

A Bruxa é um filme terrível para o público que de uns anos pra cá se acostumou com o terror de susto, de documentários fakes, de câmera tremida e muito gore. É óbvio que esse mesmo público não iria digerir bem A Bruxa. Por expor a escuridão que o ser humano viveu (alguns ainda vivem), A Bruxa também expõe a escuridão terrível que o cinema passa. Criou-se a expectativa de um filme que apelaria pelo medo fácil. E os que foram buscar isso se frustaram… pra minha felicidade.

A bruxa que atormentou milhões de seres humanos por séculos ainda vive, está do lado de fora e pode te destruir se você deixá-la entrar. A escuridão em que ela se apoia não é aquela que surge quando as luzes se apagam, mas sim quando você se afasta daquilo que te ilumina. Por anos eu estive dentro dessas trevas e todas as noites sentia o sussurro convidativo da bruxa… mas hoje… hoje não mais.

Polêmicas, vencedores e derrotados do Oscar 2016 | Podcast BADA BING!

Em mais uma edição extraordinária do BADA BING! vamos falar sobre a premiação máxima do cinema

4 de março de 2016

O Oscar 2016 já premiou seus favoritos, mas o debate vai muito além do evento. Do discurso de Chris Rock a Leonardo DiCaprio, vamos debater hoje no CABINE BADA BING! os vencedores, os derrotados e claro, as polêmicas.

Vamos então para o balcão mais honesto da internet, o balcão do BADA BING!

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O que tem de errado com o trailer de As Caça-Fantasmas?

A rejeição de algo na internet é até comum, mas ô trailer que causou discórdia foi esse de Caça-Fantasmas...

3 de março de 2016

Cara, tem MUITO tempo desde que vi pela última vez Caça-Fantasmas. Mas não tem como negar que basta uma cena aqui e outra ali no youtube pra uma avalanche de memórias surgir. É o típico filme de GERAÇÃO, que marca a moçada pra sempre e mesmo que ok, você não se lembre de nada do que aconteça no filme, a música ou o símbolo dos Caça-Fantasmas permanecem frescos em sua mente.

Até esse ponto fica fácil de entender um dos motivos de rejeição ao trailer das novas Caça-Fantasmas. Ainda existe uma boa parcela de fãs que não querem suas memórias materializadas novamente em um reboot, remake ou continuação. Robocop, Vingador do Futuro, Exterminador do Futuro são exemplos recentes de tentativas frustradas de trazer franquias clássicas novamente pro cinema.

Ainda assim é bizarro mesmo é ver que Caça-Fantasmas está sendo muito mal recebido pela internet. Acredito que seja um misto de emoções que esteja fazendo esse coro: primeira onda dos já citados fãs antigos (que não querem que ninguém mexa em seu filme favorito), a segunda onda são daqueles que não aceitam mulheres no papel e por último, controvérsias a respeito da diversidade. Ou seja, todos juntos odiando o trailer.

Mas cara… tá maneiro! Caça-Fantasmas é um clássico e até entendo o lado dos nostálgicos, mas pqp, se incomodar com o fato de agora termos mulheres exercendo a profissão é demais até pra internet. As quatro protagonistas estão maravilhosas e todo esse lance meio RÚSTICO está presente. É claro que só vamos descobrir se funciona ou não quando o filme estrear em julho, mas na boa, gostei demais.

Quero muito ver.

Um dia espero poder jogar Science Combat, game de cientistas imaginado por brasileiro

CARA QUE GAME FANTÁSTICO SERIA!

2 de março de 2016

Às vezes tento lembrar em que momento da minha vida eu deixei de ser tão aficionado assim por games… talvez quando os preços começaram a se tornar mais do que abusivos ou quando descobri a cerveja, mas enfim, não é o caso. A verdade é que várias das melhores memórias que tenho na infância se passam na frente de um FLIPERAMA.

Street Fighter II, Street Fighter ZERO, Mortal Kombat, X-Men Vs Street Fighter, Marvel Vs Capcom e por aí, são um dos vários jogos que gastei o precioso dinheiro da minha mãe. Esses arcades de LUTINHA eram meus favoritos, então quando vi essa série de gifs do SCIENCE COMBAT lágrimas caíram da minha mente.

Criado pelo brasileiro Diego Sanches, o SCIENCE COMBAT é apenas uma ideia, mas tão fabulosa que eu espero um dia poder jogar. O game conta com vários nomes que revolucionaram a maneira da humanidade pensar, e Sanches deu a eles poderes incríveis para GOLPES e ESPECIAIS.

Charles Darwin

Golpes simples:

Golpes especiais:

Natural Selection

Evolution

Albert Einstein

Golpes simples:

Golpes especiais:

E=mc2

Relativity

Stephen Hawking

Golpes simples:

Golpes especiais:

Wormhole

Black Hole

Isaac Newton

Golpes simples:

Golpes especiais:

Optiks

Gravity

F#da demais, né?
E TEM MAIS! Se você estiver afim de ver o trampo completo CLIQUE AQUI E SONHE COM O GAME!

Spotlight venceu o Oscar, mas as manchetes eram memes

Um filme que exalta a importância do jornalismo, mas os memes é que ficam em destaque

1 de março de 2016

A corrida do Oscar apontava três favoritos: O Regresso venceu o DGA (prêmio da associação dos diretores), A Grande Aposta venceu o PGA (associação dos produtores) e por fim, Spotlight venceu o SAG (associação dos atores). Até o último minuto estava difícil prever quem se sairia vencedor, mas no fim, o filme que é uma exaltação do jornalismo e tratou de um tema difícil, mas de extrema importância, levou a grande estatueta da noite.

A denúncia do acobertamento da igreja católica em casos de padres pedófilos ganhou o mundo e reverberou até no Brasil (um dos padres denunciados é do Rio de Janeiro). Foi um escândalo que expôs uma das instituições mais antigas e importantes construída pelo homem (essa ainda com ligações com o Divino). De fato, explorar de uma maneira imparcial (como deve ser o jornalismo) e direto aos fatos (como também deve ser o jornalismo) não deve ter sido das tarefas mais fáceis para roteiristas e diretor.

Apelar pro emocional é o caminho fácil e Spotlight corria sérios riscos de se tornar piegas. Mas passou longe. É um filme centrado, focado no que quer contar. E conta muito bem. Mas não se engane que o jornalismo é tratado como essa grande máquina sem sentimentos, longe disso. A explosão do personagem de Mark Ruffalo (que provavelmente lhe garantiu a indicação a Ator Coadjuvante) é um dos momentos mais arrepiantes do filme. É o descarrego do homem cuja profissão lhe fez ter o dom de enxergar onde poucos conseguem.

O Oscar pode ser questionado? Sempre pode. Mas foi algo injusto? Não. E foi uma belíssima noite onde o racismo da indústria foi exposto durante o monólogo de Chris Rock (não adianta chutar a cerimônia se você não trata o vírus que causa a doença), Lady Gaga cantou pelas mulheres vítimas de abuso, Leonardo DiCaprio fez o ativista e falou sobre aquecimento global… não faltou tema importante para ser debatido, colocado em pauta, cutucado.

Mas o foco eram os memes, os comentários embaraçosos de Gloria Pires, os vestidos usados no Tapete Vermelho. Coube a blogs e sites independentes colocar em pauta os temas realmente relevantes e isso expõe a tragédia do nosso jornalismo, aquele que é feito dentro de prédios repletos de escritórios.

É por isso que muitos ainda não enxergam seriedade na cultura pop. Por isso mais e mais pessoas continuam dizendo que filmes são apenas filmes. Existia um prato cheio de temas importantes, mas não rendem cliques. E quando o meme esgota, polêmicas que não existem são criadas (Jenny Beavan e sua jaqueta que o diga) e continuam gerando cliques.

Spotlight não vai salvar o jornalismo que já existe (esse a internet está matando), mas que influencie novos e futuros jornalistas a amar essa profissão tão incrível e importante. O lixo não pode vencer.

Agora eu entendi o motivo dos 20 episódios nessa temporada de Vikings

É tanta coisa acontecendo que vão precisar do dobro de episódios mesmo

1 de março de 2016

Quando anunciaram que o History iria DOBRAR o número de episódios nessa quarta temporada de Vikings, a primeira coisa que me veio em mente foi: ENROLAÇÃO. Meu medo era da série descambar pro procedural, com episódios sem qualquer conexão com o anterior ou próximo, ou eventos sem a menor importância ganhando destaque.

Todo bom drama procura contar sua história em forma de boneca russa: cada episódio faz parte de uma temporada, que por sua vez faz parte da obra completa. Ou seja, o primeiro episódio da série deve ter total ligação com, sei lá, o quinto da terceira temporada (exemplo besta pra você entender o ponto). Tudo deve existir em plena conexão. Mas isso dificilmente acontece quando uma série é esticada por mais temporadas ou tem mais episódios do que deveria.

Um exemplo clássico é The Walking Dead. A série tem seus momentos espetaculares, mas aquela barriga entre o meio de temporada sempre aparece. É como se os roteiristas trabalhassem pra valer apenas nos primeiros e últimos episódios. Aí sobram os mais corajosos e fãs, quem não tem paciência sai correndo.

A fotografia dessa temporada está INACREDITÁVEL de tão bela

Voltando a Vikings, mesmo confiando plenamente na qualidade da série, confesso que o episódio Kill the Queen (S04E02) me deixou com uma sensação de “ihhh…”. Afinal ao mesmo tempo estamos acompanhando nada mais do que 5 situações paralelas: 1. Ragnar e Floki 2Lagertha 3Bjorn e sua jornada 4. Rollo em Paris e 5. Rei Ecbert.

É óbvio que todas possuem ligações e isso é um ponto positivo pra série, ainda assim a partir de agora Vikings vai precisar de MUITO jogo de cintura (a lá Game Of Thrones) pra seguir amarrando esse emaranhado de história e continuar ótima como sempre foi.

O caso de Ragnar e Floki ganhou ares estranhos quando o Rei promete que irá se vingar de Floki onde lhe dói mais. No primeiro momento pensamos em se tratar de um teste de fé, já que Floki é um total extremista religioso. Mas algo envolvendo sua família logo depois da promessa deixou um clima pesado, teria Ragnar ido tão longe? De toda forma, foi um momento estranho do roteiro. O jeito é esperar.

Rollo viveu um momento hilário expondo o abismo cultural entre nórdicos e parisienses. Seu conhecimento de guerra será de bom uso para suportar o retorno de Ragnar, que provavelmente será o climax dessa temporada. Já toda trama em Wessex foi chata e cansativa, mesmo que exista ainda uma pequena relação com Ragnar (uma citação aqui ou ali), nota-se que Vikings quer diversificar e criar novos núcleos dentro da série.

E aí que percebemos a razão dos 20 episódios nessa temporada. Com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, Vikings vai se dar ao luxo de ser maior. Influência de Game Of Thrones? Espero que não. A série sempre funcionou a sua maneira. Espero que continue assim.

 

Quando a ARROGÂNCIA tomou conta do grupo de Rick em The Walking Dead

Será que nossos amigos estão acima de tudo e de todos?

1 de março de 2016

Knots Untie (S06E11) abre com Abraham e Sasha chegando de um ronda. Quando eles entram em Alexandria e os portões se fecham, a cena mostra duas crianças correndo felizes enquanto um silêncio tranquilizador domina o ambiente. O papo flui e eles falam sobre a gravidez de Maggie. O que podemos concluir disso é que dentro dos muros de Alexandria parece existir um mundo a parte, um porto seguro em um mar de sangue e podridão.

E é esse isolamento do “mundo real” que pode destruir tudo o que Rick e seu grupo conseguiu construir. Se trancar em uma bolha pode ser um problema para a comunidade, aos poucos eles vão se esquecendo que existem vivos do lado de fora dos muros, e os mortos não são a maior ameaça.

O grupo de Rick passou por muita merda, e o fato de sempre conseguirem uma saída (custe o que custar), acabou criando na cabeça deles um senso de superioridade. Como se não existissem mais pessoas com as mesmas habilidades de sobrevivência que Daryl, Gleen, Michonne etc. É por isso que Knots Untie é um bom episódio ao mostrar toda a soberba dos nossos amigos e como eles estão a um passo de cavar a própria cova.

Essa dita superioridade começa a ser quebrada logo que Jesus surge como uma pessoa tão bem preparada quanto eles. Ele chega como um verdadeiro Messias trazendo as boas novas de um novo mundo ao revelar que Alexandria não é a única comunidade sendo reerguida. Existem outras e Hilltop é uma delas.

É interessante notar que enquanto Rick deu a Alexandria ares de uma nação militar, Hilltop é a pacifista onde se planta e cria. O poder de fogo que nossos amigos possuem é alto e isso os eleva a patamares de semi-deuses no mundo atual. Ninguém seria louco de mexer com essa equipe, correto? Pois é, ai que mora o perigo.

Quando Rick se levanta cheio de sangue após matar mais uma pessoa, e em resposta ao olhares assustados de Hilltop ele diz “o que foi?“, fica claro que não apenas a morte e a violência são parte de sua pessoa, quanto também essa ideia de que NINGUÉM está a altura de confrontá-lo.

E pela primeira vez em The Walking Dead, a declaração de GUERRA parte de Rick e seu grupo. A maneira desdenhosa que eles tratam a situação envolvendo Os Salvadores é bastante destacada. Está mais do que claro que quando Negan aparecer, toda essa noção de superioridade será posta a prova. A cada episódio que avança, é possível ouvir o som de Lucille se aproximando.

Baixa tua bola, Rick… baixa tua bola.

 

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