O que psicólogos e psiquiatras estão falando a respeito de 13 Reasons Why

Profissionais da área listam suas preocupações

Luide
Luide
12 de abril de 2017

Os dias que seguiram após a estreia de 13 Reasons Why foram marcados por calorosos debates entre aqueles que enxergam algum valor na série, e outros que veem um perigosa tentativa de entretenimento bancada pela Selena Gomez. Como alerta o excelente podcast Mamilos, pouco se fala sobre o suicídio no Brasil, seja por um tabu de vergonha ou questões religiosas. O suicídio já é uma das principais causas de morte no Brasil entre jovens, superando até mesmo acidentes de trânsito.

A pergunta: quantas vezes você ouviu falar sobre essas estatísticas? O silêncio também mata. O mínimo de conhecimento pode salvar vidas e dar apoio a família e vítimas. Mas 13 Reasons Why aciona um problema: a que preço vale trazer para os holofotes um tema tão importante? Ou melhor, qual é a responsabilidade da série perante seus espectadores?

Se por um lado existe o inútil debate a respeito de sua qualidade, ou se adultos podem ou não assistir, do outro temos alguns profissionais refletindo sobre o tema, e o que se vê é um pouco preocupante e contrasta com a notícia do aumento pedidos de ajuda no CVV (Centro de Valorização a Vida). Como questiona Marcos Candido na Trip, como foram esses pedidos de ajuda? Será que muitos não começaram a pensar na própria morte justamente depois de ver a série? O primeiro crítico a apontar esses problemas em 13 Reasons Why foi Pablo Villaça, que expôs seus pontos em um ótimo texto em sua página no facebook.

Mas em relação a opinião de especialistas na área (psicólogos, psiquiatras), o que temos até agora publicado na internet? Uma breve pesquisa revela alguns pontos em comum, como algumas decisões erradas do roteiro (mostrar o suicídio de Hannah), o viés quase romântico de uma tragédia, a vingança como forma de justiça entre outros.

“O principal erro da série é, de longe, mostrar o suicídio de Hannah. A cena, que acontece no episódio final, é absolutamente desnecessária na narrativa e claramente contrária ao que apregoam os manuais que discutem prevenção de suicídio e mídia”

O psiquiatra brasileiro Luís Fernando Tófoli lista 13 alertas sobre a série. Leia tudo clicando aqui.

“Não é uma opinião pessoal, e sim um fato: a veiculação ou divulgação de um suicídio pode inspirar pessoas que pensam no assunto […] Uma saída para a ficção é falar sobre o suicídio como algo que se pode combater, em vez de afirmar somente que é um evento horrível”

Carmita Abdo é presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e falou a’O Globo sobre a série. Leia clicando aqui.

Em entrevista a Folha, Neury Botega fundador da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps), também fala dos problemas na série, mas não deixa de encontrar pontos importantes: “O suicídio é um fenômeno complexo o bastante para não suportar uma explicação simplista, uma causa e efeito […] Essa série coloca o problema na sala de visita das famílias“.

Para o UOL, a psicodramatista e terapeuta familiar Miriam Barros, diz que 13 Reasons Why “pode dar pistas para as pessoas próximas ao jovem sobre os conflitos intensos que se vive nessa faixa etária, como inserção em um grupo social, namoro, sexualidade e que podem gerar sofrimento intenso”.

“Ao assistir a série, a gente não torce para a menina não se matar (afinal, sabemos que se matou). A gente torce pra que os responsáveis pela miséria dela sofram, se sintam culpados, sejam responsabilizados. A ideia das fitas parece brilhante: é a morte como vingança. “Me fizeram sofrer, não aguento mais… eu vou, mas eles vão junto”. Em outras palavras: é o suicídio romantizado”

Airi M. Sacco é professora de psicologia. Leia seu texto completo clicando aqui.

Para Karen Scavacini, psicóloga e coordenadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, é aconselhável aos pais assistirem a série ao lado dos filhos. Apesar de apontar os mesmos problemas mostrados acima, ela acredita que 13 Reasons Why pode sensibilizar pais, profissionais de educação e alunos a respeito de temáticas como bullying, cyberbullying, estupro, uso de álcool, drogas etc. Leia a publicação clicando aqui.

E então, qual é o papel da cultura pop diante de um tema tão sensível? No texto do Amigos do Fórum assumo uma postura otimista, mas infelizmente, esse desejo de ver apenas um saldo positivo vai na contramão da opinião de profissionais de saúde mental. Não é de hoje que ouvimos falar sobre os reflexos que a arte pode trazer para uma sociedade.

No twitter, uma seguidora (cujo a identidade é melhor preservar) que já tentou suicídio falou sobre a importância de 13 Reasons Why para combater a mentalidade comum de que depressão é frescura, mas compartilha com a visão dos perigos que ela pode ter na vida de alguém com pensamentos suicidas.

Se você é profissional da área e deseja ter sua opinião aqui nesse post, escreva para o amigosdoforum[arroba]gmail.com ou comente aí embaixo.

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