O que Okja pode dizer sobre o seu consumo de carne

O processo de industrialização do seu suculento bife, e como podemos repensar nosso consumo.

Luide
Luide
5 de julho de 2017

Logo no início de Okja, a garota Mija pede para que sua porca gigantesca de estimação a ajude a pescar um peixe, já que naquele dia ela está com vontade de comer um ensopado. O bicho então se joga na água, e o resultado são alguns peixes que caem do lado de fora do lago. Ela então pega um, guarda em sua bolsa, mas em seguida nota que um peixe ainda filhote ficou de fora. Mija o devolve ao lago, e Okja, a porca, faz suas necessidades ali mesmo, para que os peixinhos possam se alimentar.

Um exemplo de sustentabilidade, de como é possível para o homem se relacionar com a natureza e consumir seus bens sem que isso traga danos ao meio ambiente. Mas essa belíssima cena serve apenas de contraste com o que está por vir: uma história sobre o consumo humano, e a industrialização dos alimentos. Se a pequena Mija pesca seu jantar e seu avô prepara, a realidade dos bilhões de seres humanos que vivem em grandes cidades é outra.

Sem conhecer a procedência de seus alimentos e com cada vez menos tempo para cozinhar, nos entregamos às comidas processadas e prontas, sem nem ao menos pensar no impacto disso.

Minha mãe não cansa de me contar como foi sua infância. Meu avô era um pequeno agricultor, e tudo que entrava em sua casa era cultivado ou criado em seu sítio. Matar um porco pra servir de alimento para toda uma família era um evento, portanto, todo animal era aproveitado para consumo, e para não haver desperdício, apenas o necessário ficava com eles, o restante era distribuído entre os vizinhos. Assim, quando algum deles chegasse com um saco de cebola ou tomate, também dividiria com meu avô.

Em Okja todo o sistema de produção e consumo de carnes é questionado. Animais empilhados em ambientes fechados onde nada é natural, desde a forma como é feita a reprodução até mesmo como são abatidos. Porém imaginar um mundo onde o consumo de carne não exista beira a pior das ficções, mas isso não significa que nada possa ser feito. Ninguém sente prazer em ver animais sendo mortos, mas um frango salva muita família da fome.

Olhar para o pequeno agricultor, saber a procedência daquilo que você põe a mesa e dedicar mais do seu tempo a cozinhar, irá te fazer repensar todo o consumo de alimentos. Será que não estamos desperdiçando demais? Será que não estamos exagerando no consumo? Dispense o romantismo e mude as coisas dentro de sua própria casa. E pra começar a pensar melhor sobre o tema, selecionei três documentários pra ir além de Okja.

Steak Revolution.

Onde: assista na Netflix.

Pode parecer um documentário sobre carnívoros em busca do melhor bife do mundo, mas se trata de uma ótima leitura sobre a forma como animais são criados ao redor do mundo.

Super Size Me.

Onde: no Youtube.

O que acontece com alguém que se alimenta apenas de comida processada durante um mês? Morgan Spurlock passou por essa experiência em 2004, comendo apenas fast food e sentindo na pele como nosso organismo reage ao consumo exagerado desse tipo de alimento.

Cooked.

Onde: assista na Netflix.

Aprender a comer melhor é um processo que vai desde a escolha dos alimentos até seu preparo. Essa série documental dividida em quatro partes muda vidas. É sério.

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