O que o cancelamento de Sense8 pode dizer sobre o futuro de sua série favorita

Netflix abre o jogo e mostra que ninguém está a salvo. Nem mesmo sua série favorita

Luide
Luide
13 de junho de 2017

Se cancelamentos de séries é uma prática comum na televisão, por que damos tanta importância aos feitos pela Netflix? O relacionamento íntimo que o assinante desenvolveu com o serviço de streaming explica parte dessa peregrinação para tentar entender porque sua série favorita não terá uma próxima temporada. É algo não visto em canais convencionais, mas nada na relação “Netflix + assinante” é convencional: as pessoas pagam e gostam de pagar.

Plataforma incomparável com as demais, catálogo enorme, séries diversas e para todos os gostos. Portanto, ao contrário de um canal a cabo, quando uma série da Netflix é cancelada, o espectador espera por uma resposta, caso contrário, se sente traído.

E quando isso acontece justamente com uma das séries que mais conquistou fãs apaixonados (clique aqui e descubra as razões) nos últimos anos, é normal que se faça muito barulho em cima disso. Sem números de audiência divulgados como acontece na televisão, e muito menos uma resposta direta, fãs de Sense8 (e também de The Get Down) ficaram no escuro, precisando lidar com o fim.

No dia 08 de junho, a fanpage oficial de Sense8 emitiu o primeiro comunicado oficial, matando de vez as esperanças dos fãs a respeito de um retorno:

Apesar dessas palavras fofas, nada foi esclarecido. O mesmo aconteceu com The Get Down quando Baz Luhrmann, criador e diretor, revelou “motivos pessoais” para o cancelamento. Mais uma vez: nada muito direto.

Até que, durante um evento no dia 10 de junho, Ted Sarandos, presidente de conteúdo da Netflix, abriu o jogo e revelou o verdadeiro motivo:

Relativamente ao que você está gastando, as pessoas estão assistindo? Isso é bem tradicional. Uma série grande e cara para um público grande é ótimo. Uma série grande e cara para um público pequeno é difícil fazer durar muito tempo até mesmo no nosso modelo de negócios”

Dinheiro. Esse é o motivo. E antes que você parta para o deboche, saiba que isso também pode impactar na sua série favorita.

Vamos lá: é importante lembrar que mesmo chegando a marca de 100 milhões de assinantes, a Netflix passou por uma expansão global em 2016, e seus gastos foram na estratosfera. A empresa se torna maior a cada mês, e com isso, a preocupação com lucro e despesas também aumentam. Até aí nada de novo. A HBO consegue, no mesmo ano, arcar com Game Of Thrones e Westworld. Mas veja bem, são séries de sucesso comercial e cultural indiscutíveis. Já Vinyl foi cancelada na primeira temporada, mesmo com nomes como Martin Scorsese envolvidos. Resumindo: da retorno? Fica no ar.

Já a Netflix sempre teve suas séries “blockbusters“, como House Of Cards, Narcos e as produções Marvel, mas ao mesmo tempo, investia em obras que não conversam tanto assim com o chamado “grande público“, e nessa categoria não estão apenas Sense8 e The Get Down, mas produções como Bojack Horseman, Black Mirror, 3%, Chef’s Table e por aí vai. Sabe aquela história de um catálogo cada vez mais variado, com produções específicas para cada país? Isso pode acabar.

E quem fica feliz com isso? A própria concorrência:

Estou feliz que eles estão cancelando séries” – Nick Grad, presidente do FX

Eles não podem ter dez mil séries… acho que isso os traz de volta para o ecossistema em que todos estamos tentando dar o nosso melhor e tomar nossas melhores decisões” – Craig Erwich do Hulu

Comentário feitos no mesmo evento onde Ted Sarandos esteve.

A Netflix inovou durante um bom tempo, mas talvez seja a hora de jogar o jogo. Com o Ligado em Série destaca nesse artigo, a palavra “tradicional” na fala de Sarandos pode significar o fim da festa. Se antes existia um interesse genuíno em abraçar a diversidade de temas, com obras que vão desde uma série política americana, até um filme de Bollywood, essa estratégia pode estar por um fio.

Salve-se quem puder.

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