O documentário que todo homem deveria assistir

É hora de tirar as máscaras.

Luide
Luide
22 de novembro de 2017

Eu diria que a maior emoção sentida pelos homens americanos é a ansiedade. Por que? Porque você precisa provar sua masculinidade o tempo todo” são palavras Michael Kimmel, professor de sociologia, ditas no documentário The Mask You Live In (2015, disponível na Netflix). O homem é ensinado desde criança a rejeitar seus próprios sentimentos em benefício da construção de uma imagem de macho. Se cair não pode chorar. Se apanhar na rua, apanha em casa. Se ama não pode dizer. Se está com medo precisa fingir. Se não gosta de beber precisa aprender a gostar. E por aí vai.

Outro dia, conversando com a minha mãe, falávamos sobre memória. No final, quando partimos, o que ficará vivo de nós serão as memórias que deixamos em nossos amigos e familiares. Com isso, disse à ela que tenho poucas memórias do meu pai, e sequer me lembro de um dia ter ouvido um “eu te amo“. Como não me lembro, isso definitivamente não aconteceu comigo: nunca ouvi meu pai dizendo que me amava. E isso, infelizmente, não é algo raro e que só aconteceu comigo.

Mas o que levou meu pai a nunca dizer algo tão simples pra mim? Será que ele de fato não me amava ou foi ensinado que homens não devem expressar sentimentos?

“Vira homem”,

é provavelmente uma frase que ouvimos (ou ouviremos) de outros homens ao longo de toda nossa vida. Com medo de termos nossa masculinidade questionada, nos tornamos verdadeiros cofres de sentimentos. Depois de negar ações naturais como chorar ou sentir medo, o próximo passo é associar isso a figura feminina, criando assim uma divisão que não existe, mas nos é ensinada desde sempre. The Mask You Live In se debruça nessa questão da masculinidade tóxica. Como homens estão morrendo e se matando em prol de uma mentalidade passada de geração a geração.

De índices de crimes cometidos a mortes por abuso de drogas e até depressão. Ao se recolher na sua máscara de macho, muitos homens estão abrindo mão da própria saúde física e mental para viver sob essa imagem de “homem forte“. Esse comportamento é reforçado em filmes, séries, novelas e agora com os sucessos de páginas estilo “Orgulho Hetero“, o homem pode mentir a si mesmo 24hrs por dia. “Homem ter que ser isso ou aquilo“, é como se existisse uma cartilha de regras e condutas, escrita sabe-se lá por quem, a qual todos deveriam honrar.

Apesar de alguns se sentirem ofendidos (“você está questionando minha masculinidade?”) entender a mensagem de  The Mask You Live In pode mudar vidas. Por exemplo, em determinado momento do documentário, um homem revela como sua experiência traumática com o falecido pai o ajudou a se tornar um pai melhor. Por não receber carinho e acolhimento emocional, ele percebeu que muitas de suas atitudes violentas eram uma forma de chamar a atenção e suprir essa falta de cuidado. Ao perceber o abismo em que se encontrava, resolveu tirar a máscara e tentar recompensar sua falta paterna sendo um pai presente para seu filho. E nunca lhe negar um “eu te amo”.

No meio desse delírio coletivo onde “tudo é mimimi” ou “tentativa de lacrar“, muitos estão se fechando ainda mais para ideias ou pensamentos diferentes. Mas uma auto-análise é sempre bem vinda. Assista.

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