O brasileiro gosta mesmo é de série dublada. Fonte: Netflix

Netflix divulga dados inéditos sobre o consumo de séries dubladas no Brasil. E eles são impressionantes

Luide
Luide
2 de agosto de 2017

A audiência do Brasil está acostumada com a dublagem, ela se identifica melhor com a dublagem – pode ser que tenha preguiça de ler legendas, não sei […] As pessoas preferem – é estatística, não tem como brigar contra isso -, assistir a coisas dublada” as palavras de Zico Goes, diretor de conteúdo da Fox no Brasil já deixavam algo que é bastante claro por aqui: brasileiro gosta mesmo é de ver séries e filmes dublados, ao menos, a maior parte desse público. Mas até então não tínhamos nenhuma plataforma que transformasse isso em números, mas eis que finalmente alguém o fez.

Com foco no mercado da América Latina e Brasil, o evento Vive Netflix, realizado pelo serviço de streaming na Cidade do México, trouxe alguns dados interessantes sobre o consumo brasileiro dentro da plataforma. Em dados divulgados pelo site Ligado em Série, fica claro de vez a preferência pela dublagem.

84% do público consumiu 13 Reasons Why dublada,

Enquanto a melhor performance de uma série legendada é de House Of Cards, que é de… 50% legendado contra os mesmos 50% dublado. Resumindo: áudio original é algo que poucos valorizam. Mas não se engane, esse hábito é universal, e a Netflix sabe disso melhor do que ninguém.

Em 2013 quando House Of Cards estreou, a dublagem estava disponíveis em apenas 7 idiomas, já Ozark, novo drama que estreou há pouco, chega dublado e legendado para 25 idiomas, e a promessa é que esse número suba para 28. Nos EUA, principal mercado da Netflix, a preferência pelo dublado é de 60% dos consumidores.

Mas o que se perde com a dublagem?

Em 2012, o crítico Pablo Villaça publicou um longo artigo intitulado “Os malefícios da dublagem” e foi um dos grandes responsáveis pela minha mudança de preferência. O argumento que ele constrói é longo, mas gostaria de destacar um trecho que na época me ganhou, e desde então, nunca mais vi filme ou série alguma dublado. Leia:

“Atuar é criar um personagem. Isto envolve um profundo trabalho de composição e estudo envolvendo meses de pesquisas, ensaios, laboratórios e tentativas para que o intérprete descubra não só a psicologia de seu personagem, mas também a maneira com que este se move, gesticula e… fala. Ouçam, por exemplo, o registro rígido, duro, da voz de Meryl Streep em Dúvida e comparem-no à leveza de sua expressão vocal em Mamma Mia! ou ao pedantismo escutado em O Diabo Veste Prada. Tentem dissociar o professor Snape da dicção venenosa, estudada, calculada, empregada por Alan Rickman na série Harry Potter. Percebam como Sean Penn, em Milk, exibe uma afetação milimetricamente estudada em seus diálogos, ocultando-a quando seu personagem quer passar uma imagem mais séria para a mídia e o eleitorado. Assista ao clímax de Coração Satânico e tente ignorar a rouquidão desesperada de Mickey Rourke.”

É claro que a Netflix e os estúdios de cinema não estão nem aí pro que a gente quer, mas sim no que a gente consume. A dublagem é uma realidade e segue o jogo.

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