O alfabeto alienígena de A Chegada realmente foi criado para o filme

Todo o trabalho envolvido na criação e tradução de uma nova língua

Luide
Luide
29 de novembro de 2016

A Chegada é um dos melhores filmes de 2016, e a gente poderia ficar horas debatendo a direção de Denis Villeneuve ou o roteiro de Eric Heisserer. Mas o que torna a obra tão especial e poderosa são seus tratos filosóficos. E não apenas um, dois, mas vários. Desde a nossa relação com o tempo e a mortalidade, até mesmo a noção de existência pautada pela percepção que temos da mesma. É o típico filme que provoca seu espectador, deixa aquela coceira incômoda na cabeça. Você quer mais. Precisa de mais.

Toda a trama é pautada sobre a questão da comunicação. A linguista Louise Banks precisa descobrir uma maneira de se comunicar com os heptapods e como se dará esse processo é umas das grandes e incríveis sacadas. A teoria de que língua e cognição são inseparáveis é levada ao extremo em A Chegada. Será que nossa capacidade de entender um vocabulário e sua estrutura é o que permite a compreensão das coisas? Inclusive do tempo?

Mas para isso, A Chegada precisava primeiro de uma nova língua, e foi aí que o capricho de Denis Villeneuve por sua obra foi importante. O diretor não queria nada aleatório em seu filme, e para conseguir criar algo real,  a artista Martine Bertrand, esposa do designer de produção Patrice Vermette, desenhou os rascunhos iniciais dos logograms.

Rascunhos iniciais:


Os logograms possuem diferentes significados, indo de palavras isoladas até mesmo frases inteiras. Baseado nos rascunhos iniciais, foi criado um alfabeto com 100 símbolos, onde até mesmo a intensidade da mancha teria alguma representatividade. Como se já não bastasse toda essa complexidade dos símbolos, o trabalho de tradução que vemos em A Chegada também é real.

Stephen Wolfram (fundador do Mathematica, software que ajudou a criar Gargantua de Interstellar) e seu filho Christopher Wolfram foram os responsáveis por essa “tradução”. O software encontrou diversos padrões nos logograms, que foram inicialmente divididos em 12 partes. Essa busca por padrões é a mesma mostrada no filme, ou seja, tudo ali tem ciência envolvida.

A busca padrões:

Até mesmo o local de pouso das naves foi levado em conta. A mistura entre matemática e linguagem é fascinante. Se você quiser ler mais sobre o processo, Stephen Wolfram conta tudo em seu site. Ou pode ler esse artigo explorando a teoria linguística apresentada em A Chegada.

Via B9

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