Narcos foi quem saiu ganhando com a morte de Pablo Escobar

Em seu terceiro ano, Narcos finalmente se torna maior que seu antigo protagonista.

Luide
Luide
4 de setembro de 2017

Se a missão de Narcos é contar a expansão do tráfico de drogas e como esse negócio criminoso se sofisticou ao passar das décadas, seria impossível não começar com Pablo Escobar. Mas o risco de se tornar dependente desse personagem quase místico para alguns era grande. Tanto que as duas primeiras temporadas são completamente atreladas a figura de Escobar. Só que o primeiro grande traficante de cocaína do mundo foi morto, e a dúvida ficou: como prosseguir com a série sem perder a audiência que acabou associando sua proposta com Pablo Escobar?

Bom, o terceiro ano iria responder a tudo isso. E a julgar pelos seus primeiros episódios, Narcos finalmente superou Pablo Escobar e parte para se transformar em uma série onde a história é maior que seus personagens. Até mesmo o tom documental ficou menos forçado, e com o Cartel de Cali dando as cartas, já da pra sentir que as coisas não param por aí.

Enquanto Pablo Escobar era o antagonista perfeito (cruel, inimigo do Estado), o Cartel de Cali já demonstra um poder que até hoje não foi destruído: aquele silencioso, que se infiltra em departamentos de polícia, escritórios de juízes e principalmente, dentro da política. É como se fosse possível ouvir da própria boca do Capitão Nascimentoo Sistema é f#da“. Não só f#da, como também gigante e quase indestrutível. A típica violência das duas temporadas de Narcos dão lugar a um aspecto ainda mais aterrorizante. Os traficantes não são mais bandidos que vivem à margem da sociedade, agora eles praticamente ditam suas regras.

Assim, Narcos evolui a ponto de não precisar mais de uma figura central que conquiste a atenção do espectador. Isso significa liberdade, já que agora, o foco pode ser qualquer organização criminosa que nasceu e se desenvolveu nas América nas últimas décadas. E isso vai muito além das fronteiras da Colômbia, já que esse império reina de norte a sul do continente. Não me surpreenderia, pro exemplo, se em algum momento os olhos de Narcos se voltassem para o Brasil. São temas possíveis agora que não existe mais um ponto fixo.

Um exemplo disso acontece no episódio “A KGB de Cali“, onde temos um núcleo atuando dentro de Nova York, e ali a série nos conta como o tráfico de cocaína já não é mais exclusividade desse ou daquele cartel. É um negócio de gigantes, mas também de gangues, separados por alguns milhares de quilômetros. É assim que a série se exapande cada vez mais.

O único personagem que ainda cumpre um papel de guiar o espectador é Javier Peña, interpretado por Pedro Pascal. Mas em momento algum ele tenta trazer pra si todos os holofotes. Aliás, a forma como ele reage a tudo que acontece nesse início de temporada mostra o quanto as coisas já saíram de controle.

Pablo Escobar pode ter sido o primeiro e mais conhecido, mas não o único. E Narcos agora pode contar como um simples homem criou uma máquina de dinheiro e sangue.

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