Não da mais pra olhar Better Call Saul como um spin-off. É Breaking Bad.

Witness (S03E02) review

Luide
Luide
19 de abril de 2017

“Disseram-me que o homem com quem eu me encontraria era muito cuidadoso. Um homem cauteloso.”

Mandala (S02E11), Breaking Bad

A primeira aparição daquele que seria um dos melhores e mais bem desenvolvidos vilões das séries foi na reta final do segundo ano de Breaking Bad. Gus Fring entraria como uma força maior a ser derrotada por Walter White, que até então, parecia insuperável em sua inteligência e domínio da situação. Seriam necessárias duas temporadas inteiras para que finalmente, um vilão ainda maior e mais demoníaco derrotasse Gus. Ele mesmo, Walter White.

A jornada de Gus Fring foi marcada pela cautela. Um homem de negócios que nasceu pobre e enriqueceu. O tipo de história que o americano gosta de ouvir. A terra dos sonhos abriu espaço para mais um imigrante latino. Por trás do império de frango frito, havia o de metanfetamina, e como mais adiante o próprio Mike com a arma apontada para Walter revelaria, foi um esquema que levou anos para ser desenvolvido. Tão perfeito que ninguém poderia descobrir.

Exceto o próprio Mike.

Witness (S0302) marca um ponto de virada em Better Call Saul. A série que nasceu como spin-off caminha para se tornar o original. É como um rio que desaguá para o oceano, e cada vez que se aproxima, vai se tornando mais salgado. A cada novo episódio Better Call Saul vai se tornando Breaking Bad. Era um caminho óbvio, mas como é prazeroso ver isso acontecendo.

Dirigido novamente por Vince Gilligan, que tem total e absoluto controle de sua obra, Witness é um espetáculo do início ao fim. Enquanto o núcleo de Jimmy promete uma virada de chave (deixando a repetição de temas como “o que estou fazendo” de lado), Mike vive o segundo episódio consecutivo de Breaking Bad dentro de Better Call Saul. Tudo ali lembra a série mãe. Tudo.

Do silêncio que convida o espectador a pura observação das cenas, a momentos de tensão que Gilligan constrói com maestria. Breaking Bad sempre usou e abusou do elemento expectativa: você sabe que algo vai acontecer, porém nunca o que. E sempre é pego de surpresa. A cena final, na estrada, quando ele desce do carro, cria um ambiente tão hostil que seu cérebro entra em modo de descanso: “ok Vince Gilligan, me pegue pelo braço e me mostre“. E quando a câmera foca… é um celular.

Espetacular. Por mais que Mike seja cuidadoso e sorrateiro, o personagem está prestes a conhecer alguém que está sempre um passo a frente. Gus Fring é o próprio demônio que se disfarça.

Porém Better Call Saul ainda é sobre Jimmy, e se Mike é quem vem roubando a série pra si desde o segundo ano, o roteiro começa a dar sinais que logo o advogado sofrerá uma ruptura, esperada por todos os fãs. Nós sabemos como a história termina, mas não como começa. Agora que ele percebeu que seu irmão é um inimigo, Jimmy finalmente poderá quebrar qualquer tipo de laço e usar suas estratégias que tanto conhecemos.

Tanto Breaking Bad quanto Better Call Saul são séries de jogos mentais. Jimmy Vs Chuck, Mike Vs Gus, Gus Vs Walter. Não da mais pra enxergar um spin-off, e sim o início. O início de tudo.

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