Mr. Robot em mais um de seus episódios memoráveis

Em eps3.4_runtime-err0r.r00 (S03E05) Mr. Robot entrega um daqueles momentos em que o fão suspira no sofá...

Luide
Luide
13 de novembro de 2017

Quando escrevi sobre The Deuce, falei sobre como séries de autor (ou seja, a visão de mundo particular de seu criador é exposta em tela o tempo todo) estão cada vez mais se distanciando do grande público. Um processo idêntico no qual o cinema blockbuster viveu. Com cada vez menos personalidade, grandes filmes vão e vem sem que algum se torne memorável. Já na televisão, sem a missão de conseguir cifras milionárias, alguns autores ainda se aventuram em suas jornadas particulares. E quem ganha com isso, claro, é sempre o fã de série.

Sam Esmail é um desses que tentam. Quando, a partir da segunda temporada, ele assumiu a direção de todos os episódio de Mr. Robot, a vontade era de transformar sua série em cada vez mais sua. Uma série Sam Esmail. E conseguiu, tanto que o segundo ano é um mar de experimentalismo e aquela nítida vontade de tentar fazer diferente. Mas tanta loucura não afetou apenas Elliot, a própria Mr. Robot acabou deixando de lado sua trama principal, e nesses primeiros episódios da terceira temporada, procura ajustar o “tempo perdido” e focar no que interessa.

Mas ainda assim sobra tempo para Sam Esmail brincar. E eps3.4_runtime-err0r.r00 (S03E05) é esse episódio que marca a jornada do fã de Mr. Robot pela sua forma.

Emulando um plano sequência, com a câmera viajando pelos cenários e acompanhando Elliot e Angela em suas “missões”, Mr. Robot mais uma vez brinca com gêneros e sufoca o espectador em uma história que, em tese, é bastante simples. Elliot precisa apenas deixar o prédio enquanto foge dos seguranças. Já Angela precisa entrar enquanto despista os manifestantes. Tudo como se estivéssemos em um jogo de videogame, com diversas fases e seus devidos chefes.

Enquanto o cenário muda bruscamente (saem os engravatados que Elliot tanto debocha e entram os anarquistas instalando o caos), vemos os personagens passando de um andar para o outro, enquanto os poucos segundos que passam dentro de um elevador é utilizado para nos mostrar o que acontece do lado de fora. A China conseguiu anexar o Congo, e a campanha secreta de White Rose pró-Trump já encontrou o caminho perfeito. Tudo isso ritmado pela trilha sonora energética da série.

Não é a primeira vez que Sam Esmail faz o espectador suar frio no sofá. A sensação de estarmos presos naquele ambiente é sufocante. Um simples prédio comercial se torna uma verdadeira fortaleza, e a forma como Elliot interage com esse ambiente é simplesmente fascinante. Nosso protagonista sempre tratou a vida ordinária como um teatro, onde somente um total fingimento é capaz de aliviar as verdadeiras faces do terror. Enquanto o mundo aceita que um país pobre seja anexado por uma superpotência, o colega do lado, sexualmente frustrado, fala sobre seus delírios do fim semana. O mundo pega fogo, mas temos coisas mais importantes pra se preocupar.

Mas há muito Mr. Robot não depende mais de Rami Malek para prender nossa atenção. Portia Doubleday segue brilhando como Angela, e nesse episódio a personagem dá mais um passo adiante em sua evolução. Que incrível é a cena onde ela caminha até o elevador de máscara. Mr. Robot não perdeu seu encantando e a vontade de levar o espectador para uma experiência semanal. É Sam Esmail cada vez mais afiado.

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