Logan e a falsa ideia do que significa “ser adulto”

O "+18" criou vida própria

Luide
Luide
6 de março de 2017

Tem aquela velha história de como Christopher Nolan influenciou uma manada de novos filmes que tentavam se levar a sério demais, e tem vergonha de sua essência tosca ou quadrinesca. O problema é que essa “influência” foi mal entendida, e começaram a surgir filmes onde até mesmo tartarugas e ninjas tinham que ter alguma explicação plausível para o show de maluquice.

O mesmo vai acontecer com Deadpool, como assim profetizou James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia, lá em 2016:

“Nos próximos meses Hollywood vai entender errado a lição de Deadpool. Vão aprovar filmes ‘tipo Deadpool’, com heróis obscenos, quebra de quarta parede e zero originalidade”

É sempre assim. Um filme vem, enche o bolso de dinheiro, e tentam descobrir a “fórmula”. No caso de Deadpool, a violência +18 acabou abrindo possibilidades, não de filmes melhores serem feitos, mas de marketing. Logan foi o primeiro teste direto dessa “Geração Deadpool“, e a julgar pela ótima bilheteria em seu primeiro final de semana (quase $300 milhões mundialmente), ela funciona (no caso de Logan existem outras fatores que contribuem para o sucesso do filme).

É nítida a afetação em tentar se mostrar adulto e violento o tempo todo. Em alguns momentos beirando a banalidade. O filme abre com o personagem murmurando um “fuck” e logo em seguida despedaçando um bando de malandros. Fica difícil cobrar cortes fofos de um monstro com garras de adamantium, mas Logan quer levar até as últimas consequências a classificação.

O que se segue são momentos pontuais de palavrações (murmurados, sempre), mortes desagradáveis e cenas onde James Mangold insiste em nos lembrar que seu filme não é “para crianças”. O site Cracked lista alguns momentos de pura glamourização desse artifício. Gostar ou não das cenas é de cunho pessoal, mas elas precisam se justificar dentro do contexto. E caso se tornam puramente um prazer ou idealização do que significa ser “violento” ou “adulto” temos um problema.

Deadpool tem cenas escrotíssimas, mas são todas contextualizadas. A banalização é essencial para entender o próprio personagem. Em Logan, na maioria das vezes, é puramente visual, como no caso da implantação do adamantium na X-23, em uma cena que beira o gore. O filme encontra sua verdadeira essência poética (e adulta, porque não dizer) ao lidar com sentimentos e situações comuns e rotineiras. O básico: as relações humanas.

Nada é mais triste que ver o Professor Xavier, o homem que um dia liderou uma revolução, se definhando. É algo que machuca pois ao contrário de super poderes, a velhice é inerente ao ser humano. A desumanização de mulheres e crianças feita pela empresa mostrada no filme é cruel, e o próprio abandono de Laura é algo que dói. No caso do nosso protagonista, sua total descrença e apatia perante o mundo nos serve de alerta.

Logan é um bom filme, tem uma ótima mensagem, e como primeiro de uma nova geração de obras que fogem da fórmula já estabelecida pela Marvel, sofre com alguns exageros. Há um longo caminho até a conscientização do que significa ser “adulto”.

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