Her é um filme sobre essa galera que procura pela “namoradinha perfeita”

Um filmaço. Assista.

Luide
Luide
9 de maio de 2017

É muito fácil explicar a obsessão que muitos tem pelos filmes do Adam Sandler. Ele materializa um pensamento comum, aquele do sujeito que se sente injustiçado por mulheres. Funciona assim: em 100% de seus filmes, Adam Sandler é um cara fracassado, longe dos padrões de beleza, bobão, e que no fim, acaba com uma mulher linda e maravilhosa. A mensagem é que mesmo você sendo um bosta, o mundo te deve uma Sofía Vergara. Só que isso é bobagem, ninguém te deve nada e sua mãe mentiu ao dizer que você é um homem especial.

Ser uma boa pessoa e esperar um milagre divino é conversa de anime. Ser uma boa pessoa é o básico moral, e você não ganhará aplausos por isso. Mesmo assim vemos suficientes exemplos na internet para concluir que o Adam Sandler é, de fato, um símbolo pra muita gente. É comum encontrar imagens e “memes” que exemplificam o sonho nerd de encontrar uma “namoradinha gamer” ou “namoradinha nerd“. “Nossa, quero alguém que goste de Star Wars não sei o que“. Aí o cidadão começa a desenhar na mente dele uma mulher que provavelmente nunca irá encontrar.

Isso é o que acontece em Her, filme de 2013 vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original. No papel do homem moderno solitário temos Joaquin Phoenix vivendo Theodore, que depois do fim de um casamento, começa a se apaixonar por uma inteligência artificial chamada Samantha (ninguém menos que Scarlett Johansson, aí é fácil). É uma ficção científica sobre o vazio dos relacionamentos pautados pela obsessão de uma perfeição imaginária, construído sobre qualidades impossíveis.

Theodore é um retrato do homem que há muito não se vê em algo sério e concreto. Passa noites em salas de bate papo em busca de sexo rápido, em uma constante fuga por algo que não precise de qualquer laço afetivo. Seja o vício em pornografia ou a prisão de aplicativos como Tinder, quanto mais distante de algo real e sério, melhor. Samantha, portanto, se encaixa perfeitamente nessa ilusão.

Ela não tem corpo e muito menos exerce vontade própria. Ou seja, é “perfeita”. É uma caixa vazia onde Theodore pode colocar todas as suas aflições e melhor, como uma inteligência em constante evolução, pode aprender a lidar com isso. É mais ou menos o que muitos procuram quando buscam por alguém: um depósito. E isso obviamente vai culminar em um relacionamento de pessoas emocionalmente dependentes, o que gera ciúmes e coisas do tipo, e em casos mais graves, até mesmo o abuso.

Her é um filmaço e chegou a Netflix. Da uma assistida e para com essa bobagem, não existe nenhuma mulher perfeita te esperando chegar com o sabre do Darth Vader.

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