Hannibal Lecter e a elegância do Demônio

Senhoras e senhores, a verdadeira personificação do mal

Luide
Luide
17 de Maio de 2016

A maldade quase sempre é retratada como caricatura na cultura pop e vilões servem apenas para exaltar as boas qualidades do mocinho. A tragédia bíblica do bem contra o mal é a base da maioria das histórias, porém muitas obras se propuseram a debater em níveis mais reais o que difere um homem bom de um homem mau.

Os dramas da televisão foram pavimentados assim, com protagonistas longe de ser um bom exemplo pra sociedade, praticando atos criminosos, mas com aquelas justificativas como “é para o bem da família” ou “ele é vítima do ambiente onde vive“. E por mais que Walter White e Tony Soprano serem personagens condenados a perversidade, existia algo de bom neles. Veja, Tony Soprano era um assassino, mas amava sua família. O amor pode ser mal?

Santo Agostinho acreditava que o mal físico ou espiritual não existe, o que de fato acontece é um distanciamento do bem. Partindo desse ponto, pode-se dizer que tanto Walter quanto Tony se afastavam ocasionalmente do bem maior para praticar seus atos, justificados por uma moral distorcida. No geral, ambos não eram seres maus por essência.

Dito isso, Hannibal Lecter seria o mal em sua forma mais clara e simples. Um ser tão abominável que sua presença mais parece a descrição bíblica do próprio diabo. Apresentado muitas vezes como vaidoso e sedutor, o Demônio inspirou grandes vilões ao longo dos séculos, sempre dotado de uma finesa e elegância.

Ao invés de vermelho e chifres, a imagem sempre bela e seduzente do Demônio era comum no início do cristianismo, imagem essa que ainda ocupa parte do imaginário popular. A relação feita entre seres maus dedicados a sua maldade, donos de uma segurança e frieza única, não é gratuita.

Hannibal Lecter bebe dessa fonte. Mais do que simplesmente um devorador de carne humana, Hannibal tem em seu cardápio de vítimas aquelas que permanecem vivas, mas são destroçadas mentalmente. Sua adoração pela destruição de Will Graham remete ao próprio diabo tentando Jesus no deserto ao longo de 40 dias.

Você não quer Hannibal em sua cabeça” alerta Jack Crawford para Clarice em O Silêncio dos Inocentes. O psiquiatra canibal não pode ser rotulado apenas como um assassino, ele é a própria encarnação do medo, da dor, do mal. Sua maior brutalidade está nas palavras, nos olhares que parecem perfurar a alma daqueles que o encaram.

Sua preocupação com o terno bem cortado, o bom gosto para música e sua vasta sabedoria, é apenas um capa que torna o demônio vermelho que exala enxofre em um belo anjo de luz. A maneira como Hannibal consuma seus assassinatos ao preparar belíssimos pratos pode dar a impressão que existe uma razão, algo maior por trás de tanta carnificina.

Não se engane, o diabo é ardiloso, “a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito” (Gênesis 3:1). “Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44).

Hannibal Lecter, o Demônio.

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