“Feito para fãs” se tornou a desculpa perfeita para filmes e séries ruins

Uma desculpa usada sempre que um filme é massacrado pela crítica. Mas será que a culpa é de quem assiste ou de quem faz?

Luide
Luide
5 de setembro de 2017

Inumanos está prestes a estrear e antes de chegar na televisão, será exibida em iMax, o maior formato hoje em tela de cinema. Tanta pompa para uma série que está sendo considerada a pior adaptação da Marvel em live action. Tão ruim que provocou risos na platéia durante a exibição na San Diego Comic Con. Chefe da Marvel Television, Jeph Loeb, já se irritou com jornalistas ao ser questionado sobre a qualidade da série. O elenco já saiu em defesa. Enfim, não é de hoje que a desculpa “não é para críticos” ou “foi feito para fãs” é usada como desculpa.

“Os críticos têm sido absolutamente terríveis, eles são muito, muito terríveis, sabe? Eu só acho que eles não gostam de filmes de super-heróis”

Foram as palavras de Cara Delevingne em uma entrevista a Reuters a respeito das críticas a Esquadrão Suicida, que ainda teve a seguinte declaração do diretor David Ayer: “Eu fiz o filme para pessoas reais que vivem no mundo real“. Essa defensiva se tornou bastante comum, ainda mais agora que sites como o Rotten Tomatoes se tornam mais e mais influentes entre o grande público. O aumento de audiência em sites, blogs e canais de youtube onde qualquer pessoa faz seu próprio review ou crítica, auxilia ainda mais a plantar uma percepção boa ou ruim de um filme. Isso mesmo antes do espectador assistir por ele mesmo.

Talvez o grande disseminador dessa desculpa “faço filme para fãs/público” é Michael Bay. Durante sua passagem por São Paulo em julho para divulgar o novo Transformers (fracasso de crítica, mas dessa vez, não um sucesso de bilheteria), Bay disse estar se “lixando para as críticas” e completou dizendo “Não leio o que escrevem sobre meus filmes ou do que falam de mim nos jornais. Eu nunca fiz filmes para vocês (se referindo aos jornalistas), mas sim para o público“. O fato é que esse “público” não compareceu em peso em O Último Cavaleiro, e o filme arrecadou a metade que A Era da Extinção. O tal “público” tá enjoando de filme ruim?

Alex Kurtzman, diretor de A Múmia,  é mais um a fazer coro com Michael Bay: “Eu adoraria que os críticos tivessem gostado do filme, mas esse não é de fato meu objetivo final. Nós fizemos uma produção para o público e a minha grande expectativa é que ele desfrute do que criamos“. O fato é o que o filme não vingou em solo americano e graças a China conseguiu fechar uma bilheteria decente.

Mas se a China foi uma ajuda e tanto para muitos filmes que naufragaram em críticas e bilheteria nos EUA, pra outros nem isso. Com 19% de aprovação no Rotten TomatoesBaywatch arrecadou 177 milhões de dólares, com um orçamento de 70 milhões (sem levar em conta gastos com marketing). Respondendo as críticas, o queridão Dwayne Johnsson mandou essa:

“Os fãs AMAM o filme. Os críticos ODEIAM. Que flagrante desconexão. As pessoas só querem rir e se divertir. #Baywatch”

É The Rock, não sei se as pessoas só querem isso o tempo todo, 365 dias por ano. Talvez a bilheteria do seu filme diga o contrário. Humor e diversão não são tão simples assim de se provocar nas pessoas. Esse papo de “desligue o cérebro” não é uma regra. Outro caso onde isso ficou evidente foi na série do Punho de Ferro, que depois da baixa recepção, fez com que o ator Finn Jones culpasse até mesmo Trump. E claro, não faltou a velha frase clichês:

“Acho que existem várias questões. O que posso dizer é que essas séries não são feitas para os críticos, são primeiramente e acima de tudo feitas para os fãs.”

A desculpa do “feito pra fã” começa a não colar. Depois de 2017 emplacar o pior verão em bilheteria nos últimos 16 anos, está na hora de perceber que a única forma de homenagear esse tal de “fã” é fazendo bons filmes.

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