Eu desisti de odiar Christopher Nolan

E porque passei a admirá-lo

Luide
Luide
14 de dezembro de 2016

Não precisa nem de trailer. Basta colocar o nome do diretor que 650 milhões já tá garantido. Inclusive minha grana“, “Primeiro filme de guerra do Nolan? Vou conferir com certeza“,  “Com Nolan na direção não tem como errar!“. Esses são alguns dos comentários na fanpage da Warner Bros. Brasil, logo depois de liberar o primeiro trailer de Dunkirk, novo filme do diretor Christopher Nolan.

Nota-se a admiração pelo trabalho do diretor de Cavaleiro Das Trevas, A Origem e Interestelar. Chistopher Nolan é um dos poucos diretores autorais que ainda atrai o grande público simplesmente por ter seu nome impresso nos créditos. Ele criou uma mística em torno de si mesmo, tudo graças ao seu trabalho: todo mundo sai da sessão já contando as horas para seu próximo filme.

O “culto” a Nolan poderia ser facilmente explicado apenas com a Trilogia Batman, o personagem de quadrinhos favorito da maioria das pessoas que não leem quadrinhos. Mas vai além disso. Na última década ele emplacou alguns dos filmes mais aclamados do século XXI, como A Origem e Cavaleiro das Trevas. E mesmo que a crítica especializada não seja unânime sobre suas qualidades, o grande público é, e quem prova isso é a bilheteria.

Sozinho, Nolan já arrecadou mais de 4 bilhões de dólares

Cavaleiro das Trevas foi o primeiro de uma sequência de quatro filmes que quebraram a barreira dos 600 milhões de dólares. É um diretor que da lucro. E como da lucro. Mas o melhor disso tudo é que seus filmes seguem na cabeça do espectador durante dias. Você pode odiar que no fim Interestelar fale sobre amor, mas mesmo assim passou algumas boas horas refletindo sobre o que viu. Se o pião de A Origem caiu ou não ainda é tema de discussões.

Eu desisti de odiar o Nolan quando percebi o que ele estava fazendo: indo em direção contrária do cinema mais popular. Enquanto os grandes lançamentos se resumem a super heróis, remakes, reboots e continuações, temos um cara fazendo quase 700 milhões de dólares com um filme com buraco negro, viagens temporais e física quântica. Quem ainda faz isso? Quem ainda se mete a esse tipo de “ousadia”? Basta ver o que tivemos em 2016.

São filmes cada vez mais sem alma, feitos sob medida para agradar o maior número possível de pessoas. Não são ruins, não são excelentes, flutuam ali entre o médio e o bom. Não despertam sentimentos, paixões. Aliás, as únicas paixões que vemos vem dos fãs de Marvel e DC se digladiando sobre qual estúdio fez o pior filme do ano, sendo que todos são idênticos. Até mesmo a Pixar conseguiu fazer um filme que ninguém mais se lembra.

Foi por isso que eu desisti de odiar o Nolan e passei a admirar seu trabalho. Ele vai lá e faz. E o público responde ao chamado, isso significa que não estamos totalmente lobotomizados pelo entretenimento puro e simples. É só oferecer algo diferente que nós aceitamos.

E que Dunkirk seja um filmaço.

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