Um desastre chamado quinta temporada de House Of Cards

House Of Cards se transformou em uma paródia de si mesmo

Luide
Luide
14 de junho de 2017

House Of Cards surgiu em 2013 como uma oportunidade do espectador médio tentar entender um pouco sobre o complexo jogo político americano. Longe de ser um retrato fiel da realidade (pois é uma série e precisa da liberdade da ficção), a série ainda assim mantinha os pés nos chão e brincava com ótimas possibilidades. E se um congressista ressentido resolvesse sabotar o mandato de um presidente? Não demoraria muito tempo para que isso de fato ocorresse no Brasil, mas mesmo antes disso, House Of Cards já despontava como o principal drama da Netflix.

Mesmo mesclando altos e baixos House Of Cards matinha um nível de qualidade graças a Kevin Spacey e Robin Wright e um sempre afiado elenco de coadjuvantes. A série logo percebeu que mais importante que coerência era catapultar sua dupla de protagonista a um posto quase divino de inteligência e perspicácia, sendo assim, ao longo de cinco temporadas, Frank e Claire foram se transformando em uma versão quase cartunesca daqueles dois personagens que fomos apresentados no primeiro ano.

Frank e Claire são a força motora em House Of Cards: se os personagens não funcionam, a série desanda.

Se a morte de Zoe Barnes foi o limite cruzado para mostrar até onde Underwood era capaz de chegar, o quinto ano banaliza a crueldade do personagem e House Of Cards está mais para um terror dentro da Casa Branca que um drama. Já Claire que sempre manteve um ar frio e calculista, foi progredindo até se tornar uma personagem previsível. A quebra da quarta parede deixou de ser um recurso que pegava o espectador de surpresa, e passou a ser show-off de Frank -ou talvez de Kevin Spacey que luta para sair da série com pelo menos um Emmy Awards. É como se o próprio personagem tivesse a oportunidade de escrever suas falas.

E se House Of Cards depende exclusivamente do sucesso de seus personagens para se manter (e quando isso não acontece a série desanda), a trama desse quinto ano passou longe de suprir qualquer erro na trajetória de Frank e Claire. Como de costume, foi dividida em dois atos, e impressiona a forma como o sucesso do casal Underwood foi tão previsível. A tensão não durava 20 minutos, o senso de urgência que a série criava, era destruído por alguma solução mirabolante de Doug, LeAnn ou o do próprio casal.

Como que em um passe de mágica, Conway se transformou em uma figura controversa e totalmente afetado, o que logo no início da temporada indicava a vitória de Frank. Ainda assim é um bom entretenimento, e mesmo sabendo do fim, é possível aproveitar o caminho. Já que no que diz respeito a segunda metade da temporada, House Of Cards desanda de vez, com uma mistura de temas e uma montagem horrorosa que não te leva a lugar algum. A transição entre as cenas confunde e não ajuda o espectador a traçar uma linha de eventos ou se focar em algum acontecimento. Tudo é jogado.

Quando não cai na repetição de temas, House Of Cards volta seus holofotes a Frank e Claire, centrando todo seu esforço em dar a eles a chance de fazer mais uma cena que encha os olhos do público. Em uma clara intenção de nos chocar mostrando até onde eles são capaz. Como se isso já não estivesse claro desde o primeiro ano… mas ainda existe tempo para um novo monólogo de Frank sobre o que é política, poder e blá blá blá.

A saída do showrunner pesou. É como se House Of Cards fosse assumida por fãs, e esses fãs colocassem na tela o que eles mais gostam de ver na série, sem pensar muito no resultado. É uma pena.

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