Deixar o público escolher o final de uma série é a ÚLTIMA coisa que a Netflix precisa

Netflix estaria testando uma tecnologia onde o usuário escolhe o final de sua série

Luide
Luide
7 de março de 2017

A indústria do entretenimento age como um vírus que se adapta e descobre o ponto fraco de cada organismo. Filmes e séries são produzidos milimetricamente para não desagradar ninguém, eles sabem exatamente onde tocar em cada público diferente. Essa nova onda nostálgica de reverenciar clássicos, encher de músicas pops e trocentas “referências”, anestesia qualquer um de uma possível análise sobre a obra.

Você sai cantarolando a música do Queen e foda-se o que acabou de ver. Teve música do Queen! E aquela referência a Poderoso Chefão? Puts. Ninguém quer ser desafiado ou surpreendido. O dinheiro pago no ingresso é valioso, e você quer apenas desaparecer (isso se seu celular permitir) do mundo lá fora por algumas horas. O problema é justamente isso: tanto o cinema quanto as séries deixam de ser obras reflexivas, subversivas ou que despertam sentimentos reais. Quando os créditos sobem, estamos mais preocupados com o próximo filme do que com esse que acabamos de ver.

A Netflix é conhecida por jogar bem esse jogo de agradar o público. Suas séries originais despertam paixões em gregos e troianos. Acha House Of Cards pesada demais? Temos Stranger Things. Não gostou de Making A Murderer? Tente Gilmore Girls. É inteligente, amplia o catálogo e faz bem pra todo mundo. Essa mentalidade leva o serviço de streaming a sempre inovar e melhorar a experiência.

Mas notícia um tanto estranha saiu essa semana no Daily Mail: a Netflix estaria estudando implantar uma nova tecnologia em seu serviço, onde o usuário poderá escolher determinados plots dentro da história e até mesmo interferir como uma série terminaria. Tal ferramenta já estaria em fase de testes, e deve ir ao ar até o fim de ano em uma série infantil. Se existe notícia pior do que essa para o mundo criativo, por favor, me digam.

“Não gostei do final, quero outro”

O que não falta hoje em dia é série que joga pro público suas decisões. Ao invés de criar uma história baseada naquilo que o autor julgue ideal (decisões boas ou ruins, são possibilidades), criam ciclos de repetição de tema, investem em situações que instigam o surgimento de fandoms e tudo vira um grande afago. Imagina o que seria dos clássicos se fossem feitos pensando em quantas pessoas iriam odiar…

De cara, essa novidade parece absurda. Olha que ponto chegou a tecnologia! Segundo a matéria, o assinante poderia escolher, por exemplo, se determinada prisioneira de Orange Is The New Black mudaria de facção dentro da prisão. Ou se algum casal de The Crown voltasse a ficar juntos. O auge da maluquice é você poder escolher o final que lhe agrada.

Mas no fundo é preocupante. O autor teria que criar diversas situações e ver séries e filmes se transformaria em um jogo de videogame. Não teria um foco, e já da até pra imaginar as versões “final do showrunner” em séries. Entendo você estar sempre um passo a frente Netflix, mas vamos com calma.

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