Confuso com Twin Peaks? Esse é o guia pra entender melhor a série e David Lynch

Sim, é preciso ver algumas coisas antes dessa nova temporada disponível na Netflix.

Luide
Luide
10 de julho de 2017

Apresentado no Festival de Cannes, o retorno de Twin Peaks foi ovacionado pelo público ali presente, formato por críticos e membros da indústria. 27 anos depois, David Lynch está de volta para 18 novos episódios de uma série que não apenas ajudou a televisão a passar por uma revolução, mas também influenciou diretamente personagens que, quase uma década depois, seriam responsáveis por dar vida a chamada “Terceira Era de Ouro da Televisão“: David Chase, criador de Sopranos, é fã declarado de Twin Peaks.

E como toda obra prima, Twin Peaks se mantém viva e atraente quase três décadas depois, e a terceira temporada vem se mostrando um novo marco na televisão. Estamos diante de um momento histórico, portanto, você precisa assistir agora.

A terceira temporada é distribuída no Brasil pela Netflix, e como temos milhões de assinantes do serviço de streaming aqui no Brasil, muita gente acaba caindo de paraquedas na “novidade” e sai do primeiro episódio sem entender nada. O drama é mais comum do que se imagina. Mas com esse pequeno guia, você irá conhecer melhor Twin Peaks e de quebra David Lynch, a mente por trás da obra. Depois disso, você estará 100% preparado para assistir a nova temporada.

Twin Peaks, as duas primeiras temporadas.


Começando pelo começo. A série foi ao ar em 1990 e sua primeira temporada teve apenas oito episódios, o que faz dela totalmente enxuta e atraente. Você fica simplesmente anestesiado pela imaginação de David Lynch e a quantidade de excelentes personagens. Como falei em outro texto, a atenção para pequenos toques e maneirismos dão à história uma riqueza poucas vezes vista.

Além disso, a série mistura sonhos e o surrealismo de Lynch em alguns momentos, mas é interessante como ainda assim ela é “acessível” a boa parte do público, já que ao longo dos 30 episódios (a segunda temporada tem 22 episódios) mistérios e a forma como outras histórias e personagens são explorados, fornecem um excelente e por vezes divertido entretenimento. O episódio final é uma obra prima.

Twin Peaks: Fire Walk with Me.


O filme de 1992 não apenas mostra os últimos dias de Laura Palmer, como também expande a mitologia da série. Existe uma versão com cenas deletadas, que é de extrema importância para assistir a nova temporada.

Veludo Azul (1986)


Antes desse filme, David Lynch já havia dirigido o surreal Eraserhead, mas seus filmes mais famosos eram duas produções de estúdio, O Homem Elefante e Duna. Então, pode se dizer que Veludo Azul é a fundação da autoralidade do diretor. Fora isso, o filme apresenta vários paralelos com Twin Peaks em sua trama, nas palavras do próprio Lynch, é um “filme de amor e mistério“, temos um jovem retornando a um subúrbio pacato e bucólico investigando um crime bizarro.

Cidade dos Sonhos (2001)

Nesse jovem clássico, Lynch atinge o ápice de seu refinamento cinematográfico (até o retorno de Twin Peaks), o “sonho” aqui é o completo oposto da organização lógica concebida por Christopher Nolan em Inception. Uma narrativa onde a sensorialidade e o surrealismo dominam, mas que funciona por Lynch jamais deixar de construir um laço emocional do espectador com a personagem de Naomi Watts. Além disso, nos minutos finais, ele subverte nossa noção de realidade, transformando o lógico no verdadeiro surreal, mas vocês precisam assistir para entender o que eu quis dizer.

Império dos Sonhos (2006)

Depois de nos apresentar aos sonhos, Lynch agora nos apresenta os pesadelos, muito do clima desse retorno de Twin Peaks por sinal. Provando que se quisesse, Lynch poderia estar no panteão dos diretores de horror. O enredo aqui pouco importa, trata-se de um cinema-instalação de arte, sente por três horas sozinho, no escuro e com a televisão no volume máximo. Fique sem dormir por algumas semanas.

“Pra mim, a chave pela qual Twin Peaks mudou a televisão é a vermos como filme, não uma série”. Um filme partido em 18 partes. Um lindo filme com um lindo som.” – David Lynch.

Agora você sabe por onde começar e como buscar referências. Boa série.

Com a colaboração e textos de Vinícius Colares.

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