Como o podcast se tornou minha mídia favorita

Trabalhar com podcasts, mas principalmente consumir: um hábito que a cada dia ganha mais espaço na minha vida.

Luide
Luide
9 de novembro de 2017

Em dezembro desse ano completo 10 anos de “blogosfera”. Um década depois de criar meu primeiro blogspot, vi muita coisa nascer e morrer na internet. Ídolos surgirem daqui e pessoas com audiência de 200 mil acessos por dia simplesmente desaparecem como se nunca tivessem existido. Nesses 10 anos a internet se tornou profissão e “blogar” deixou de ser um hobby. Hoje trabalho para o Não Salvo e participo de dois podcasts da família Não Ouvo. Além é claro de não abandonar o Amigos do Fórum, não importa o quanto insistam em dizer que “blogs morreram”.

Nesses 10 anos ouvi muita palestra e especialistas em internet pregando a favor da qualidade de conteúdo e que no fim das contas, ele importa mais que a audiência. Uma bobagem, claro. Todos nós sabemos que audiência sempre estará a frente do conteúdo, e isso não se restringe à internet. Mas foi durante um período onde tudo parecia não ter mais sentido pra mim é que descobri a mídia que me faria rever o que se entende por “conteúdo de qualidade”. Essa mídia é o podcast.

Na verdade ouço podcast há um bom tempo, mas trabalhar com ele é algo que começou há dois anos. Quando o Não Ouvo surgiu em 2015, fruto de uma brincadeira do Cid, não imaginávamos o quanto ele roubaria nossa atenção. Por produzir podcast, consequentemente passei a consumir ainda mais podcast. E variar meu cardápio, que antes era composto por 3 ou 4 programas. Foi nesse período de descoberta que o podcast passou a fazer parte não apenas da minha vida profissional, mas também da pessoal.

Gosto do Youtube, nada contra, mas não tenho paciência. Esgotou. De repente não me sentia representado em ver como grandes criadores de conteúdo se curvaram para poder sobreviver a uma audiência que parece cada vez mais infantilizada. Ainda me dói ver pessoas com bagagem cultural, que ao invés de trazer alguma discussão relevante, se debruçam em especular, por exemplo, se a roupa do Superman está parecida com a do gibi. Esse tipo de análise rasa está correta na visão estratégica: é isso que a audiência quer assistir, é isso que eles fazem. Como dito no início do texto, os blogs foram os primeiros grandes veículos da internet a morrer, e não vai demorar até que canais com 5 milhões de inscritos se tornem obsoletos. Tem que ralar.

Saraha Koenig e Dana Chivvis, produtoras do Serial, podcast que em 2014 movimentou uma audiência de 2 milhões de pessoas semanalmente.

Em meio a isso existem os podcasts, e a maior vantagem é justamente a liberdade criativa de seus produtores e principalmente: um pode existir sem afetar o outro. No caso do Youtube e seu algorítimo maluco, o cara não escolhe o que assiste já que mesmo se inscrevendo no canal, ele não recebe o vídeo. Ou seja, para o produtor sobreviver precisa abrir mão daquilo que acredita e se render a modismos e sacadinhas. A única forma de seu vídeo ser consumido é evitando que seu inscrito assista a outra coisa. Já o mesmo não acontece com os podcasts. O empenho em assinar e fazer um download cria um hábito saudável no ouvinte, que sabe que seu podcast favorito estará em seu feed faça chuva ou faça sol, e com tanta diversidade, ele não precisa abrir mão de um ou outro. Ele pode ouvir na sequência, no trabalho, no transporte coletivo, em casa, etc.

Com isso, o produtor de conteúdo consegue algo cada vez mais raro hoje e dia: a liberdade criativa. Somente nessa matéria do Amigos do Fórum listo mais de 100 podcasts diferentes, que vão de ciclismo a cristianismo e cultura pop. É um banquete de temas e formatos. Essa motivação criativa é sentida pelo ouvinte que retribui com um carinho único. O “fã” que costuma ser aquele maluco obsessivo, aqui se porta como um verdadeiro amigo, já que, falando de forma romântica, emprestar seus ouvidos ao podcast ao longo de uma ou duas horas cria uma empatia. E somente ouvindo a voz, o ouvinte se dedica apenas a mensagem passada, não se a pessoa é rica, pobre, gorda, magra e assim por diante.

Ao longo desses 10 anos trabalhando com internet eu já deveria estar cansado. Na verdade já pensei em jogar a toalha diversas vezes e procurar outra coisa. Mas sinto que descobri um lugar incrível para me comunicar e todo dia me sinto mais inserido nesse universo. A minha dica é:

Ouça podcast.

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